Operação Voucher: PF prende secretário executivo do Ministério do Turismo e mais 37 pessoas

Funcionários do Ministério do Turismo presos pela Operação Voucher, deflagrada pela Policia Federal, em 9 de agosto de 2011.
Funcionários do Ministério do Turismo presos pela Operação Voucher, deflagrada pela Policia Federal, em 9 de agosto de 2011.

Trinta e oito pessoas foram presas durante a Operação Voucher, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã de hoje (09/08/2011). A ação, em conjunto com o Ministério Público Federal e a Secretaria de Controle Externo do Amapá, investiga supostos desvios de verbas públicas repassadas ao Ministério do Turismo, por meio de emendas parlamentares, destinadas a convênios para qualificação profissional.

Entre os presos estão o secretário executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, número dois na hierarquia da pasta, que estava em casa; o secretário nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Colbert Martins; o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Mário Moisés, além de diretores e funcionários do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi) e empresários.

Ao todo foram cumpridos 19 mandados de prisão preventiva, 19 de prisão temporária e sete de busca e apreensão em São Paulo, Brasília e Macapá. Cerca de 200 policiais federais atuaram na operação.

Segundo a PF, os presos preventivamente em São Paulo e em Brasília foram levados para Macapá em aviões da própria PF. De acordo com investigações feitas pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários no Amapá, foram apurados fortes indícios de desvio de recursos públicos, além de outras irregularidades na execução de convênio entre o Ministério de Turismo e o Ibrasi, ligado à capacitação profissional para o turismo no Amapá.

Prisões no Turismo não prejudicarão relação com PMDB na Câmara, diz Marco Maia

A prisão de 38 pessoas no Ministério do Turismo, pasta que cabe à cota do PMDB na Esplanada, não deverá atrapalhar a relação entre o partido e demais integrantes da base aliada na Câmara. A avaliação é do presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS).

“As situações, quando acontecem dessa forma, em cadeia, têm impacto no ânimo, no debate. Mas, mesmo com isso, acredito que não termos dificuldades para continuar as votações na Casa. Mesmo porque, não podemos prejulgar”, disse.

Na opinião de Marco Maia, as constantes denúncias envolvendo diversos ministérios “paralisam o Brasil nesse momento de crise econômica internacional”.

O deputado recebeu hoje integrantes da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção. O grupo entregou diversas propostas de projetos para aumentar a fiscalização e a punição de pessoas envolvidas em corrupção. “Aumentar a punição de servidores públicos, seja do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário, que tenham cometido algum tipo de malversação do dinheiro público e também a punição”, disse acrescentando que a ideia é colocar os projetos em votação neste semestre.

Amanhã (10), os líderes se reunirão para definir a prioridade de votações na Casa. Apesar dos apelos de policiais e bombeiros, Marco Maia considerou ser difícil a votação da PEC 300, que trata do piso salarial da categoria. “Vamos ter de aguardar um pouco, ver o cenário internacional para ver o que vamos votar até o fim do ano”, comentou.

Sobre denúncias em mais um ministério da cota do PMDB, Rossi descarta “teoria conspiratória”

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse hoje (9), após saber da prisão de 38 pessoas ligadas ao Ministério do Turismo, também comandado pelo PMDB, não acreditar em uma conspiração contra seu partido. “Tenho certeza que não há nenhum movimento articulado, não há uma teoria conspiratória de alguém que queira derrubar este ou aquele partido.”

Rossi, que ontem respondeu, pela segunda semana consecutiva, a denúncias de irregularidades dentro do ministério, considera que existe mais fiscalização e informação. “Há uma tendência de que, cada vez mais, haja fiscalização pelos órgãos competentes, e pela imprensa, como uma força que alerta para algumas deficiências no nosso sistema administrativo. Tudo isso gera mais informação do que no passado”, disse

Em relação ao Ministério do Turismo, Rossi disse confiar na elucidação das denúncias. “Tenho certeza que as coisas nesse ministério, que é conduzido por uma pessoa muito íntegra, o ministro Pedro Novaes, serão esclarecidas da mesma forma que nós esclarecemos aqui.”

O ministro repetiu que as denúncias não representam uma crise política, mas reconheceu que está estudando mudanças para melhorar a atuação da pasta. “Como vocês sabem, a presidenta Dilma é muito severa e, embora não haja nenhuma irregularidade grave em nenhum órgão do ministério, claro que mudanças para melhorar são sempre possíveis”, disse. Entre as alterações, Rossi disse que pretende dar mais voz aos técnicos.

Ao sair da coletiva de imprensa em que falou sobre o levantamento da safra 2010/2011 de grãos, o ministro disse que as denúncias não o abalam e que está “mais firme do que uma rocha”. Amanhã (10), Rossi vai à Comissão de Agricultura do Senado prestar esclarecimentos sobre denúncias de irregularidades em sua pasta, ampliadas esta semana com suposto envolvimento de seu ex-secretário executivo, que pediu demissão do cargo no último sábado.

Prisões no Turismo desgastam imagem do PMDB, diz Sarney

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse hoje (9) que a Operação Voucher, desencadeada nesta manhã pela Polícia Federal (PF) no Mistério do Turismo, cota do PMDB, provoca desgaste na imagem do partido. Na ação, o secretário executivo do órgão, Frederico Silva da Costa, mais 37 pessoas foram presos acusados de participar de um esquema de desvio de recursos públicos.

Apesar de a operação, até o momento, não indicar a participação do ministro Pedro Novais nas irregularidades, Sarney ressaltou que o episódio prejudica o PMDB. “Não há dúvida de que um assunto dessa natureza desgasta o partido. Agora, deve-se investigar o máximo possível até onde possa investigar”, disse, ao classificar Novais como um homem de “reputação ilibada”.

O presidente do Senado negou que tenha sido o responsável pela indicação de Novais para o cargo. “Em primeiro lugar, quero dizer que essa é uma informação que não foi bem apurada pela imprensa, uma vez que o ministro não foi indicação minha”, disse Sarney ao ser indagado sobre a indicação de Novais.

“O acordo com o PMDB foi de que a Câmara ficou de indicar o ministro do Turismo e a bancada do Senado indicar outro ministro, que era o de Minas e Energia. De maneira que o ministro [do Turismo, Pedro Novais] foi indicado pela Câmara e quando tive conhecimento [da indicação] não sabia que nome dele seria o escolhido”, acrescentou.

Perguntado se o PMDB tem recebido tratamento diferenciado da presidenta Dilma Rousseff na comparação ao que foi dado ao PR durante as denúncias envolvendo o Ministério dos Transportes, Sarney voltou a dizer que, independentemente de partido, todos os ministérios podem ser alvo de investigação.

“Onde houver irregularidade o governo deve agir com energia para que a administração pública tenha um nível de honestidade de que necessita e povo deseja.”

Em pouco mais de duas semanas, o Ministério do Turismo é o segundo órgão comandado pelo PMDB que é alvo de denúncias de irregularidade.

Confira áudio reportagem

O diretor-executivo da Polícia Federal (PF), Paulo de Tarso Teixeira, fala sobre a Operação Voucher, que prendeu funcionários do Ministério do Turismo.
O diretor-executivo da Polícia Federal (PF), Paulo de Tarso Teixeira, fala sobre a Operação Voucher, que prendeu funcionários do Ministério do Turismo.
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