Enquanto funcionários das universidades federais mantêm greve. Ministro Fernando Haddad diz que MEC pretende aumentar investimentos em educação

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Os técnicos administrativos de universidades federais decidiram manter a greve por tempo indeterminado em assembleia feita ontem (13/07/2011). Apesar de não ter ligação direta com a sala de aula, a paralisação, iniciada em 6 de junho, prejudica os estudantes e pode atrapalhar o calendário universitário, principalmente as matrículas para o segundo semestre deste ano.A greve tem a adesão de servidores de 50 instituições federais, segundo o comando nacional de greve da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra).

O movimento pede que o piso da categoria seja reajustado em pelo menos três salários mínimos e a abertura imediata de concursos públicos para a substituição dos funcionários terceirizados. De acordo com a Fasubra, os servidores recebem R$ 1.034. A federação participou de reuniões com ministro da Educação, Fernando Haddad e com representantes do Ministério do Planejamento.

Para a Fasubra o momento político é propício para a paralisação. Em nota, a federação comparou a proposta feita pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para fundir duas empresas e o valor que seria usado com o reajuste do piso dos servidores das universidades em três salários mínimos. Seriam R$ 4 bilhões do banco de fomento e cerca R$ 6,5 bilhões para atender as reivindicações de mais 150 mil trabalhadores.
A federação terá reunião com setores da educação federal, Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) para discutir como serão os próximos atos, marcados previamente para os próximos dias 21 e 28. Será organizada ainda uma marcha da educação na primeira quinzena de agosto.

MEC tem simpatia por propostas que aumentem os investimentos em educação, diz Fernando Haddad

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse hoje (14) que ver com simpatia as propostas de aumento dos investimentos públicos em educação. “É óbvio que o Ministério da Educação tem a maior simpatia pelas emendas que propõem recursos a mais. Isso significa dizer o que a sociedade representada no Congresso Nacional está sensível à educação”, disse o ministro após conferência na 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre até amanhã (15) na capital de Goiás.

Os investimentos em educação que serão necessários para a década estão em discussão na Câmara dos Deputados, que avalia o novo Plano Nacional de Educação 2011-2020 (PNE) – Projeto de Lei 8.035/2010.

O uso dos royalties da exploração de petróleo na camada pré-sal a fim de aumentar os recursos para educação e para pesquisa científica tem sido defendido pela SBPC e, mais recentemente, pelo ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), fato que também agrada a Haddad. “Nós recebemos com alegria qualquer movimento que traga mais recursos de que a educação precisa”.

A União Nacional dos Estudantes (UNE), que faz seu 52º Congresso em Goiânia, propõe que 50% dos royaltiessejam destinados aos gastos em educação para que atinja 10% do Produto Interno Bruto (PIB). O governo trabalha com o teto de 7% do Produto Interno Bruto (PIB), uma elevação de 2 pontos percentuais sobre o investimento atual. Segundo o ministro, o percentual viabiliza as metas que estão estabelecidas do PNE e corresponde a um acréscimo de R$ 80 bilhões anuais.

Haddad ressaltou, que mesmo que o investimento fique em 7% do PIB, em valores reais e absolutos, o gasto em educação crescerá. A projeção do ministro é que com a média de crescimento econômico anual de 4%, ao fim da década os investimentos em educação tenham subido 50% em relação a 2011.

Enquanto a votação do PNE aguarda o fim do recesso no Congresso, o ministro espera que os servidores das universidades federais voltem à negociação com o governo e terminem a greve que poderá atrapalhar a matrícula dos estudantes universitários no segundo semestre de 2011, a partir de agosto.

O ministro comentou que acha “um equívoco” a decisão dos servidores em manter a greve, contrariando a orientação do comando da categoria – quando “havia sinais claros do Ministério do Planejamento de voltar a discutir com prazos fixados”, segundo Haddad.

Quando atendia os repórteres na saída da reunião da SBPC, o ministro foi abordado por estudantes da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), que reclamam da falta de estrutura da universidade mineira criada em 2005.

Segundo os estudantes do Campus de Mucuri (Teófilo Otoni, nordeste de Minas Gerais), faltam professores, técnicos, biblioteca, salas de aula equipadas, restaurante universitário, moradia estudantil e estrada de acesso aocampus. “Quando chove, as aulas são paralisadas”, disse a estudante de serviço social Cidmara Cristina de Souza. Ela pediu ao ministro da Educação que ele faça “uma visita surpresa ao campus”. Haddad prometeu entrar em contato com o reitor da universidade Pedro Angelo Almeida Abreu para falar sobre o assunto.

*Com informação : Agência Brasil

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