Crise no Ministério dos Transportes | PR diz que não vai botar a faca no peito de Dilma para impôr nome dos Transportes

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PR diz que não vai botar a “faca no peito” de Dilma para impôr nome dos Transportes

A decisão sobre o nome que irá assumir o Ministério dos Transportes pode ficar para quarta-feira (13/07/2011). Diante do impasse criado pelo impedimento do senador Blairo Maggi (PR-MT) para assumir o cargo, o Partido da República (PR) só voltará a se reunir no meio da próxima semana para discutir o assunto. Maggi admitiu a sondagem do Palácio do Planalto, mas como as empresas das quais ele é sócio têm contratos com o governo, ele não pode, legalmente, ficar com a vaga de ministro sem deixar os negócios privados.

Segundo o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (PR-MG), a próxima reunião marcada entre ele, Maggi e o senador Magno Malta (PR-ES), os três encarregados pela cúpula do PR para encontrar um nome que agrade à presidenta Dilma Rousseff e que seja fiel ao partido, será na quarta-feira (13).

Apesar do impasse gerado pela recusa de Maggi, que era o preferido do PR para ficar com o cargo, Lincoln Portela procurou ser cauteloso quanto à indicação do partido, que é da base aliada do governo e tem uma bancada de 40 deputados federais e seis senadores, já contando com o retorno do ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM) para o Senado.

“Quem tem o comando é a presidenta [Dilma Rousseff]. Esses três homens [Malta, Maggi e Portela] que foram colocados como interlocutores do partido para encontrar alguém, em nenhum momento estão impondo nenhum nome”, disse Portela. “Jamais colocaríamos a faca no peito da presidenta”.

Os três parlamentares passam o fim de semana nos respectivos estados de origem, apenas mantendo contatos telefônicos. Não há reuniões previstas com outros membros do PR para hoje ou amanhã.

Segundo Portela, não haverá “mágoas” no partido se Dilma optar pela efetivação do ministro interino, Paulo Sérgio Passos, que também é filiado ao PR. “Nós vamos continuar sendo base aliada, seja o escolhido o Sérgio Passos, o Antônio, o Pedro ou a Maria”, declarou. “Um ou outro pode ficar magoado, claro, mas não faria sentido deixar de ser da base [de apoio do governo Dilma]. Como é que nós fomos para as ruas dizer que a Dilma era a melhor para governar o Brasil e agora deixaríamos de apoiá-la? Eu vou com ela até o fim”, afirmou Malta.

A assessoria de Blairo Maggi informou que o senador só irá se manifestar oficialmente sobre o convite que recebeu para ser ministro após o depoimento de Luiz Antonio Pagot na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, na terça-feira (12). O ex-diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e apadrinhado político de Maggi irá falar aos senadores sobre as denúncias de corrupção e favorecimento em licitações do departamento.

Reportagem publicada pela revista Veja no fim de semana passado denunciou que contratos, incluindo de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), teriam sido superfaturados. Também foi revelado um suposto esquema de pagamento de propina no Dnit. Em função do escândalo, as cúpulas do ministério e do Dnit foram afastadas e o ministro Alfredo Nascimento pediu demissão.

A Controladoria-Geral da União (CGU) designou uma equipe para fazer rigorosa auditoria nas licitações, contratos e execução de obras a cargo do Dnit e da empresa estatal Engenharia, Construções e Ferrovias S.A (Valec), envolvidas nas denúncias de irregularidades.

Blairo Maggi deve recusar indicação para Ministério dos Transportes

O senador Blairo Maggi (PR-MT), o mais cotado pelo partido para assumir o Ministério dos Transportes, deverá declinar da indicação para a pasta. Segundo a assessoria do senador, a tendência é que ele recuse a indicação do partido o cargo, por entender que há conflito de interesses entre sua vida empresarial e a função de ministro de Estado.

Na tarde de hoje (8), o senador reuniu-se com executivos do seu grupo empresarial para analisar e discutir se haveria impedimentos e implicações entre a posse no ministério e a gestão das empresas dele. Segundo assessores de Blairo, no encontro, a conclusão foi que haveria, sim, conflito de interesse no caso de o senador assumir a pasta dos Transportes.

A assessoria do senador informou ainda que ele não se pronunciará oficialmente sobre o convite para o ministério até segunda-feira (11). Nesta semana, Blairo disse que gostaria primeiro de ouvir o depoimento do diretor-geral afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, em audiência pública conjunta das comissões do Senado. A audiência estava prevista para quarta-feira (13), mas foi antecipada para terça.

O líder do PR na Câmara dos Deputados, Lincoln Portela (MG), disse que, na quarta-feira, os negociadores do partido para a indicação do novo titular do Ministério dos Transportes – o líder do PR no Senado, Magno Malta (ES), Blairo Maggi e ele – vão se reunir para analisar os nomes que serão apresentados à presidenta Dilma Rousseff, a quem cabe a decisão final.

Portela ressaltou, no entanto, que a reunião dependerá do tempo político, que é diferente do tempo real, ou seja, ela poderá ser antecipada, dependendo de alguma manifestação da presidenta Dilma Rousseff sobre o assunto.

Para Sarney, Alfredo Nascimento deve explicar em plenário motivos de demissão

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse hoje (7) que o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento deve ir ao plenário da Casa dar explicações sobre os motivos que o fizeram deixar o cargo. Nascimento pediu demissão ontem (6), após uma série de denúncias sobre um suposto esquema de cobrança de propina no ministério.

“Acho que [isso] é necessário. Ele tem que dar, à Casa a que pertence, as explicações que achar que deve dar. Ele deve explicá-las. Como senador, é bom que ele fizesse [isso] no plenário”, disse Sarney. Eleito senador pelo Amazonas, Nascimento voltará a ocupar o cargo no lugar do suplente João Pedro (PT-AM).

Em relação às discussões sobre um nome para ocupar o Ministério dos Transportes, Sarney afirmou que a decisão cabe exclusivamente à presidenta Dilma Rousseff e que “não teria lógica” o PMDB reivindicar a pasta. “Esse problema de cargos está sendo tradado pelo partido. Mas acho que não é nem lógico que um ministério que pertence a outro partido, o PMDB tenha vontade de participar dessa organização.”

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