Caixa vai rescindir com a Construtora R Carvalho e contratar novas empresas para darem continuidade às obras

Fabrício Almeida, secretário de Comunicação; Tarcízio Pimenta, prefeito de Feira e José Raimundo Cordeiro, gerente regional da Caixa.
Fabrício Almeida, secretário de Comunicação; Tarcízio Pimenta, prefeito de Feira e José Raimundo Cordeiro, gerente regional da Caixa.
Fabrício Almeida, secretário de Comunicação; Tarcízio Pimenta, prefeito de Feira e José Raimundo Cordeiro, gerente regional da Caixa.
Fabrício Almeida, secretário de Comunicação; Tarcízio Pimenta, prefeito de Feira e José Raimundo Cordeiro, gerente regional da Caixa.

A equipe do Jornal Grande Bahia vem acompanhando com atenção a crise por que passa a Construtora R Carvalho. Devido ao número significativo de pessoas envolvidas direta e indiretamente com o problema, tivemos o cuidado de apenas noticiar fatos verdadeiros de fontes extremamente confiáveis.

Desde a tarde de ontem (20/07/2011), que circulam rumores da demissão dos 5200 funcionários da construtora. O que indica claramente uma reviravolta no andamento da tentativa recuperação da empresa conforme matéria noticiada ‘Construtora R Carvalho emite nota informando a retomada gradual das atividades, entrega dos empreendimentos e acordo financeiro com a Caixa’.

Informações extraoficiais dão conta que os funcionários foram informados da demissão coletiva e que os 40% de multa referente ao FGTS, bem como os dias parados, não serão pagos. Tentamos confirmar as informações com o próprio Roberto Carvalho, presidente da Construtora e com o advogado do grupo, Gil Menezes, mas até o fechamento da matéria não obtivemos informações.

Reunião entre governo municipal e banco

Nesta noite, recebemos uma notícia sobre a reunião do prefeito de Feira de Santana com a superintendência da Caixa Econômica em que consta: “Os empreendimentos do programa “Minha Casa, Minha Vida” não sofrerão interrupção em Feira de Santana em virtude do desligamento dos funcionários da construtora R Carvalho.”.

Segundo a nota, a Caixa Econômica Federal confirma a manutenção dos empreendimentos, e informa que novas construtoras deverão assumir os projetos antes executados pela R. Carvalho.

Os seis mil funcionários receberam os salários atrasados, referentes à segunda quinzena do mês de junho. O prazo para o pagamento encerrava-se hoje, conforme Termo de Ajustamento de Conduta (TCA) assinado no Ministério Público do Trabalho.

Também ficou definido que os empreendimentos Videiras e Figueiras, ambos do programa “Minha Casa, Minha Vida” deverão ser entregues nos próximos dias. O secretário municipal de Habitação e Regularização Fundiária, Gilberto Ruy, afirmou que está aguardando apenas a realização do sorteio dos imóveis.

Prefeito cobra solução

“O Governo Municipal tem participado das discussões que afligem a sociedade. O anúncio do desligamento desses profissionais nos preocupou assim como a execução dos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. A nossa intervenção no tema teve caráter apenas institucionais, com a finalidade de resolver questões que estavam provocando inquietações à comunidade”, declara Tarcízio Pimenta.

Participaram da reunião

A reunião contou com as presenças do superintendente regional da Caixa Econômica Federal, José Raimundo Cordeiro; do gerente regional, Gilberto Reis; além da gerente de Construção Civil da região Nordeste, Lúcia Yatyo.

Caixa Econômica comete erros

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia, manteve contato com a superintendência estadual da Caixa em Salvador, e com a regional em Feira de Santana, não obtendo posicionamento oficial da instituição. Apenas nos informaram que membros do banco e da construtora estiveram reunidos ontem (20/07), mas que até o momento não tinham posição oficial a dar, e que o assunto está sendo tratado diretamente pela presidência da Caixa, tendo em vista o fato de a construtora atuar em outros estados da federação.

A falta de um posicionamento oficial do banco demonstra a incapacidade em lidar com o problema, além do pouco preparo do corpo técnico em evitar que a situação chegasse ao ponto de ter que trocar a construtora em diversos empreendimentos. Como citamos anteriormente, esta foi uma crise preanunciada. Quando a R Carvalho passou a atrasar a entrega dos empreendimentos a Caixa deveria ter se posicionado e tomado providências para que a situação não continuasse.

O mutismo e a falta de uma fiscalização eficaz, aliada a um distanciamento do assunto, lega a sociedade brasileira um problema com várias dimensões sociais e econômicas. Então se trata apenas dos erros cometidos pela direção da R Carvalho, mas do silêncio e da inoperância da Caixa.

Silêncio que trás angustia aos 12 mil clientes da construtora, que confiando no banco, arriscaram suas parcas economias ao embarcarem no sonho de ter uma casa própria. Algo que soa cruel, desumano e irracional. O belo programa criado durante o governo Lula é contaminado em função da pouca competência dos gestores da Caixa Econômica. Está na hora de promover mudanças profundas na instituição.

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Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9296 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).