Ângelo Almeida fala sobre seminário que objetiva debater o estatuto das cidades e diz que acordo sobre cargos existem, mas que ainda não saíram

Ângelo Almeida: A Feira de Santana infelizmente foi maltratada, não foi planejada, não foi organizada, não se qualificou para estar fazendo essa disputa agora, mas ainda é tempo.
Ângelo Almeida: A Feira de Santana infelizmente foi maltratada, não foi planejada, não foi organizada, não se qualificou para estar fazendo essa disputa agora, mas ainda é tempo.
Ângelo Almeida: A Feira de Santana infelizmente foi maltratada, não foi planejada, não foi organizada, não se qualificou para estar fazendo essa disputa agora, mas ainda é tempo.
Ângelo Almeida: A Feira de Santana infelizmente foi maltratada, não foi planejada, não foi organizada, não se qualificou para estar fazendo essa disputa agora, mas ainda é tempo.

Em entrevista exclusiva ao diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, o vereador Ângelo Almeida (PT-Feira de Santana) comenta sobre: seminário, acordo sobre cargos, pré-candidatura à prefeito pelo PT em Feira de Santana, corrupção do Governo Rousseff e crise na expansão industrial de Feira de Santana.

Jornal Grande Bahia – O senhor está preparando uma conferencia para debater a cidade. Poderia nos antecipar o que poderia se visto e quais são os principais temas colocados?

Ângelo Almeida – É um seminário que nós estamos fazendo em homenagem a um grande projeto da sociedade brasileira. O Estatuto da Cidade foi um projeto de iniciativa popular, uma luta partida da constituição de 1988, que em 2011 foi consolidado com a sansão, a votação do congresso nacional e a sansão do então presidente, Fernando Henrique Cardoso. E agora estamos completando 10 anos desse estatuto.

Certamente teremos uma sociedade e uma cidade muito melhor para as pessoas viverem. Portanto, acredito que esse seminário será um passo importante para que Feira de Santana possa ter socializado os pontos importantes que existem. O estatuto veio como intuito de melhorar a convivência entre as pessoas, e estamos discutindo, com a colaboração da professora, Adriana Lima, que será uma das palestrantes, ela vai falar sobre o plano diretor participativo, as questões da terra, questões fundiárias, ela que é mestra nessa área, professora da Universidade Estadual de Feira de Santana, e também professora da Universidade Federal da Bahia.

Temos o professor Lutero, que vem fazer uma palestra sobre a sustentabilidade urbana e ambiental. E teremos também a oportunidade de contar com a contribuição do presidente do CREA Bahia, que vai nos dar, que vai enriquecer esse debate.

A sociedade civil está convidada, as associações, as entidades representativas governamentais, tanto municipal quanto estadual, para podermos no dia 18 [18/07/2011], ter a oportunidade de socializar informações, trocar ideias.

Acho que é uma forma do nosso mandato contribuir com a cidade, com o debate, com a construção da cidade e com a perspectiva de construção de uma cidade melhor para se viver.

JGB – O senhor teve uma importante votação para deputado estadual no último pleito. O senhor se sente contemplado com a nova distribuição de cargos do governo Wagner?

Ângelo Almeida – É um novo modelo que foi implantado a partir da gestão do governador Wagner e, nós participamos no primeiro semestre deste ano de amplos debates, foram diversas discussões internamente do partido, a partir da condução do presidente do partido, Jonas Paulo, em Salvador, todas as regras que foram estabelecidas, estão sendo cumpridas. Nós acreditamos que essa forma, é uma forma de sair do caciquismo.

O governador Wagner trás o novo modo de governar a Bahia, onde cada um tem o seu peso, e cada um tem oportunidade de contribuir com indicações que venham acrescentar e melhorar a forma de gestão do estado.

Eu não tenho nenhuma dúvida de que o fato de ainda não está contemplado, certamente, se dá porque os tramites estão acontecendo, mas acredito que o que foi combinado, a regra eu não fiz, quem fez foi o partido do governo, e certamente nós vamos estar cumprindo e entregando dos nosso quadros pessoas com capacidade de fazer gestão, de melhorar o serviço, porque nós temos obrigação de fazer com que o estado possa prestar o melhor serviço a cada pessoa que convive e precisa do estado para ter uma vida melhor.

JGB – O senhor mantém a sua pré-candidatura a prefeito de Feira de Santana pelo Partido dos Trabalhadores?

Ângelo Almeida – Essa discussão dentro do nosso grupo político, dentro da minha pendencia, que hoje construindo no Brasil a CNB, hoje mesmo acabei de ter uma reunião, um almoço com o deputado Josias Gomes, que é o líder maior da CNB e, nós discutimos bastante sobre isso, vamos trabalhar e agora no mês de agosto, tomaremos uma decisão definitiva.

JGB – Enquanto petista, como o senhor analisa essas denuncias de corrupção no governo da presidente Dilma Rousseff?

Ângelo Almeida – Corrupção existe em todos os governos, em todos os países do mundo. O que não pode haver é a possibilidade de contemplar com a corrupção. E a presidente Dilma deu um exemplo fundamental de como se deve fazer gestão pública, ao apurar e a luz do que ela viu, tomou a posição, que é a posição que todo o povo brasileiro esperava, que foi a demissão sumária de não só do ministro da pasta, como também de outros diretores do ministério de transportes.

Portanto, nós não vamos estar longe deste processo, porque infelizmente as pessoas enfraquecem e muitas usam desse subterfugio, que é a corrupção, para poder fazer enriquecimento próprio e ilícito. O que nos contempla e nos deixa satisfeitos é que no nosso governo, a nossa presidente tem tido pulso suficiente para poder fazer as mudanças necessárias.

JGB – O nosso jornal levou uma série de denuncias com relação ao secretário da indústria e comércio James Correa. Sexta-feira, agora o governo Wagner inaugura uma fábrica em Camaçari, uma fábrica de aero geradores, 50 milhões de investimentos.  Foi definido que a empresa Boticário vai implantar, vai investir 100 milhões, em um centro de distribuições e indústria. A nossa fonte nos diz que existe um direcionamento, da própria secretaria do governo Wagner?

Ângelo Almeida – Sobre esse ponto eu não me aprofundei na análise dele. Mas eu estou fechado com a posição do diretor do Centro Industrial Subaé de Feira de Santana, quando ele diz que só se perde o que não tem. Não houve discussão, ele como dirigente do órgão em momento algum foi procurado com essa perspectiva do Boticário vir para Feira de Santana. Ele não tem informações se quer de que o prefeito da cidade tenha sido informado ou procurado.

JGB – Permita-me vereador, sua colocação é importante para essa reflexão. Veja bem, o governo do Estado da Bahia foi procurado. Então, quando ele diz que ele não foi informado, está dizendo o seguinte: que o governo Wagner se quer informou o Centro Industrial do Subaé para apresentar uma proposta, para trazer essa empresa para Feira de Santana. É isso que o senhor está me dizendo aqui, agora. Pense bem, reflita bem no que o senhor está me dizendo.

Ângelo Almeida – Eu tenho posição, minhas posições são firmes, eu não tenho posição vulnerável. A minha posição é de que o governo pode receber o Boticário, é possível, eu não tenho conhecimento profundo, eu já lhe falei e irei repetir, não tenho conhecimento profundo sobre isso.

Agora, qual é a lógica? A lógica é que o governo foi procurado por empresários, que querem fazer implantação rápida e procura onde é que estão as condições. Ele disse, olhe, as condições normalmente, estão aqui. Onde é que está hoje, por exemplo, a viabilidade de Feira de Santana, para de pronto entregar uma área para O Boticário se instalar? Existe essa possibilidade? Existe área disponível? Existe disponibilidade do município em sentar para discutir isso?

A informação que nós temos, e ai é preciso analisar outros ponto, é que uma indústria muito mais poderosa e importante do que essa, com geração 3 mil empregos diretos, 500 milhões de reais de investimentos, veio a Feira de Santana e foi recebida num hotel, sentado, sem se quer uma mesa para se fazer inscrições, foi isso que eu ouvi do nosso diretor, e as pessoas procuraram mapa da cidade para entender a logística e a lógica da cidade, ninguém apresenta.

Não foi se quer passado para os empresários, os incentivos que Feira de Santana poderia dar, para que essa empresa ficasse, e os empresários saíram daqui praticamente enxotados. Foram para o Paraná, lá a prefeitura desapropriou área de 500 mil metros quadrados e ofertou para a empresa ficar por lá.

Feira de Santana perdeu a perspectiva de 3 mil empregos, investimento de 500 milhões de reais, e ai a culpa foi do governo do estado. Feira está desprogramada. Feira está sem planejamento, sem atrativo para que a gente possa estar fazendo essa disputa, fazendo esse debate. Feira não se preparou para isso e ai, vamos procurar culpado? O culpado será o governador? O culpado é o secretário, é José Mercês Neto? Feira de Santana, esse debate que vamos fazer esse seminário, na discussão de 10 anos do Estatuto da Cidade.

Vamos observar que as pessoas estão estarrecidos com o fato de Feira se quer ter feito atualização do seu plano diretor. Em 92 eu recebia o primeiro celular da minha vida, em fiz uma viagem ao exterior. De lá para cá, 210 milhões de celulares já existe no país, e o plano diretor de Feira de Santana é o mesmo desde 92.

Vai fazer 20 anos sem uma discussão seria da cidade, sem um planejamento estratégico da cidade. E ai, nós vamos ter que agora, o PT, assumir que nós temos culpa por essas coisas que estão acontecendo? Não. A Feira de Santana infelizmente foi maltratada, não foi planejada, não foi organizada, não se qualificou para estar fazendo essa disputa agora, mas ainda é tempo.

Sobre Carlos Augusto 9706 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).