Abandono da energia nuclear pelo governo alemão é populismo, diz brasileiro da AIEA

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Para Leonam dos Santos Guimarães, assessor da Agência Internacional de Energia Atômica, é contraditório fechar usinas nucleares e manter armas atômicas da Otan no próprio território.

O impacto negativo dessa decisão já vem ocorrendo desde 2001. É uma decisão estranha para um país que foi líder tecnológico no setor, que está bastante ligado ao próprio desenvolvimento da indústria mundial, e que, de repente, por uma decisão de caráter estritamente político, abandona e perde essa vanguarda tecnológica que tinha. Esse talvez seja um caso único na história de um país que abandona uma tecnologia que, às duras penas, obteve, desenvolveu e chegou a ser um dos líderes mundiais.

E os impactos disso já aconteceram. A decisão recente só teve a repercussão muito mais midiática do que na prática. Agora, sem dúvida, essa decisão joga lenha na fogueira da discussão que existe em todos os países que seguem esse mesmo credo, essa mesma convicção, que as usinas nucleares são um terrível risco para a sociedade. E grupos com essa visão política existem em todo mundo. E a decisão da Alemanha reforça a posição desses grupos.

O senhor fala bastante de um movimento ambientalista equivocado, mas houve recentemente o caso de Fukushima…

Fukushima causa uma reflexão, discussão e argumentação muito forte para esses grupos antinucleares. Agora, se você for fazer um balanço racional e objetivo das consequências de Fukushima, das consequências diretas à saúde da população e dos impactos no meio ambiente no Japão, vamos ver que foram muito limitadas.

Por exemplo, logo depois disso, por uma infeliz coincidência, vivemos no mundo um acidente biológico de grandes proporções na própria Alemanha, onde 34 pessoas morreram e mais de 4 mil foram hospitalizadas. Essas estatísticas são muito superiores a qualquer coisa ligada ao acidente em Fukushima, por exemplo. E a gente dificilmente vê alguém defendendo o fim da agricultura orgânica, que parece estar na origem deste acidente biológico.

Isso não tem paralelo com o acidente de Fukushima, onde morreram três pessoas, das quais nenhuma delas por causa radiológica, mas por consequências diretas do terremoto e do tsunami – uma pessoa que estava operando o guindaste e duas morreram afogadas. Seis trabalhadores sofreram contaminação, não gravíssima, mas preocupante, e eles estão sendo acompanhados. E a população foi evacuada em tempo hábil, de forma que não houve nenhum impacto direto ao público.

Quando se compara o caso de Fukushima com o caso da contaminação dos brotos de feijão, a gente vê que a sociedade, às vezes, usa dois pesos e duas medidas para julgar uma consequência contra ela mesma.

Também tivemos, recentemente, um grande acidente com o petróleo no Golfo do México. Nenhum pais decidiu proscrever a exploração de petróleo offshore. E os efeitos foram muito severos lá no Golfo, especialmente para o meio ambiente. Nenhum premiê de nenhum país decidiu acabar com esse tipo de exploração.

A posição que a chanceler federal Merkel adotou é populismo, germânico, mas populismo. O que caracteriza o populismo? Tomar decisões de grande impacto para satisfazer, de uma forma emocional, uma parcela da população. Foi isso que ela fez. A gente associa o populismo à América Latina, mas o populismo também aparece à germânica.

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