Revelação de que vencedor do prêmio Pulitzer vive ilegalmente nos EUA levanta debate sobre cobertura de imigração

Jose Antonio Vargas, vencedor do prêmio Pulitzer.Jose Antonio Vargas, vencedor do prêmio Pulitzer.
Jose Antonio Vargas, vencedor do prêmio Pulitzer.

Jose Antonio Vargas, vencedor do prêmio Pulitzer.

O crescente movimento entre os imigrantes de se “assumirem” como ilegais nos Estados Unidos ganhou atenção da imprensa americana depois de o jornalista Jose Antonio Vargas, vencedor do prêmio Pulitzer, revelar, em artigo no New York Times, que reside sem autorização no país há quase duas décadas, vindo das Filipinas.

Esse imigrantes ilegais adotam o mesmo termo usado pelo movimento LGBT para se referir às pessoas que “assumem” sua preferência sexual ou identidade de gênero. O objetivo éatrair a atenção da mídia para o fato de que muitas pessoas vivem sem documentos no país e, assim, discutir uma reforma.

A cobertura da imigração, em especial a do movimento dos que se “assumem” ilegais, envolve questões éticas semelhantes às da cobertura de temas ligados à comunidade LGBT. O manual “Cobrindo a Imigração”, do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ), ressalta o risco da identificação de imigrantes sem autorização em matérias, já que isso poderia resultar em prisão ou deportação. A publicação pede aos jornalistas para levarem em conta que, às vezes, os imigrantes não dimensionam as consequências da decisão de se “assumirem” publicamente.

A revelação de Vargas já gerou muita repercussão. Políticos já disseram que ele deve enfrentar asconsequências legais. A Associação Nacional de Jornalistas Hispânicos (NAHJ) teme que a revelação possa levar as empresas de mídia a dobrar os cuidados com a contratação de seus funcionários, comprometendo, assim, a diversidade nas redações. O ex-chefe de Vargas e analistas de mídiaacusaram o jornalista de ter perdido sua credibilidade profissional e violado a relação de confiança entre repórter e editor ao mentir sobre sua condição no país.

No entanto, para blogueiros da Economist, o fato de a imprensa considerar a omissão de sua condição de ilegal uma violação da ética jornalística desvia o foco da essência da discussão, ao implicar que membros “não assumidos” de populações vulneráveis não deveriam trabalhar na mídia. Linda Beyerstein, do Big Think, acredita que deveria ser considerado aceitável esconder “fatos que destruiriam a vida de alguém caso revelados e que não são em si vergonhosos”.

Assim, alguns analistas argumentam que os jornalistas deveriam tratar fontes que se “assumem” como imigrantes ilegais com o devido cuidado. Para Steve Myers, do Poynter, o Washington Post – que inicialmente publicaria a revelação de Vargas – pode ter desistido de fazê-lo para não comprometer sua credibilidade. De acordo com Meyers, os leitores têm dificuldade em saber se “ele está dizendo toda a verdade agora ou se está floreando para se colocar como símbolo da luta por uma reforma”, já que Vargas adotou a “linguagem de alguém que luta por uma causa, não que apenas conta sua história.”

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