Projeto da Petrobras, São João do Nordeste 2011, apoia a festa em mais de 100 municípios

Projeto da Petrobras, São João do Nordeste 2011, apoia a festa em mais de 100 municípios.
Projeto da Petrobras, São João do Nordeste 2011, apoia a festa em mais de 100 municípios.

Junho começa colorindo as cidades nordestinas com bandeirolas e balões coloridos. O ritmo alegre e contagiante do forró ganha força nas quadrilhas e em todos os municípios do Nordeste – dos pequenos aos grandes – é tempo de festa, de devoção (novenas, trezenas para os católicos), pau-de-sebo, muitas brincadeiras, simpatias e da tradicional fogueira. É tempo de milho, bolo de aipim, amendoim cozido e outras delícias típicas, regadas a muito licor e quentão, principalmente nas cidades de clima mais frio nesta época do ano. E para garantir o arrasta pé em mais de 140 municípios baianos, o São João do Nordeste 2011 da Petrobras selecionou os projetos “São João Viva Bahia 2011”, “São João do Dengoso”, “São João a Todo Gás”, “São João da Energia 2011” e “Arraiá Junino 2011”, que contarão com o patrocínio da empresa. Além da Bahia, a Petrobras patrocina o São João nos estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

De acordo com o gerente de Comunicação Institucional da Petrobras no Nordeste, Darcles Andrade, desde 2005, a Companhia já investiu um total de R$ 23 milhões nas festas juninas do Nordeste. “A valorização da cultura e da identidade brasileira é um dos compromissos da Petrobras, que vislumbra no resgate das tradições juninas também uma boa oportunidade de negócios”, analisa Darcles. Ele argumenta ainda que o São João hoje tem uma expressão cultural no Nordeste com maior dimensão do que o Carnaval, considerada a maior festa de rua do planeta. Isso porque o Carnaval é focado apenas em Salvador enquanto as festas juninas acontecem até nos menores municípios do estado.

“Além de alegrar o povo da região – que recebe a visita dos parentes que vivem hoje nas grandes cidades e aproveitam o feriadão para rever a família-, as festas juninas atraem turistas de todo o país. Hotéis, pousadas, comércios e clubes aumentam os lucros e geram empregos nas cidades do interior nesta época,” analisa. Não é à-toa que o São João foi o principal produto divulgado pela Bahiatursa na feira com operadores e agentes de viagens de todo o País, realizada em março deste ano em São Paulo.

“O Nordeste tem uma enorme riqueza cultural e as festas juninas, com seus símbolos, simpatias e brincadeiras são as que mais refletem a identidade de nossa região”, argumenta. Mas Darcles também reconhece que “é inevitável que muitos municípios modernizem a programação para atrair o público jovem, mas é preciso que haja equilíbrio para que isso aconteça sem que se abandonem as principais características da festa.” Para o município de Itiruçu, por exemplo, o patrocínio da Petrobras possibilitou o resgate dos trios nordestinos, que agora têm um espaço privilegiado nos palcos e espaços da festa. Segundo o prefeito Carlos Martinelli, a manutenção dos trios nordestinos estava cada vez mais difícil e esses grupos se tornando mais escassos. “Vamos garantir a participação de quadrilhas juninas, espaços de exposição de trabalhos de artistas locais e a revitalização de trios nordestinos em nossa programação”, anuncia.

Para sensibilizar prefeitos e secretários dos municípios baianos sobre a importância da preservação das tradições culturais e da valorização dos artistas locais foram promovidos encontros onde o gerente regional falou sobre “Investimentos da Petrobras no São João da Bahia – Uma Atuação Socialmente Responsável”. A programação dos encontros – realizados nos municípios de Santo Antônio de Jesus, Eunápolis e Salvador – contou ainda com a presença do professor da área de preservação da UFBA, Albano Oliveira, que fez palestra sobre “São João do Nordeste – a importância da valorização da cultura popular”. Albano Oliveira destacou a importância da preservação das tradições juninas e considerou relevante o fato de uma empresa como a Petrobras investir na valorização dessas festas que são características da Região Nordeste.

AS ATRAÇÕES

Passar o São João no interior baiano têm sido a melhor opção para quem quer dançar muito forró, saborear pratos típicos e ainda aproveitar as belezas naturais. Um bom exemplo de sucesso no equilíbrio da mistura de tradição e modernidade é o São João de Amargosa, que consegue reunir diversos elementos da cultura popular e atrai milhares de forrozeiros – inclusive jovens de todo o país-, que curtem a verdadeira tradição nordestina. A festa junina também beneficia o município, com a geração de emprego e renda para centenas de famílias.

“O São João é a maior festa popular do município de Jaguaquara e manter viva essa tradição só é possível graças ao apoio da Petrobras que vem todos os anos contribuindo para a sustentação do festejo”. A afirmação é do prefeito Cledinaldo Ribeiro Cruvinel, que destaca as diversidades culturais que se manifestam nas atividades folclóricas, artesanais e artísticas desenvolvidas no município de Jaguaquara. “A Vila Junina, criada em 2008, se tornou um dos grandes atrativos do São João de Jaguaquara por conseguir resgatar manifestações culturais como: quadrilhas, brincadeiras, shows com trios nordestinos, concursos, exposição de artesanato e cordéis”, comemora.

Os Concursos de Casamento na Roça, Rei do Amendoim e Rainha do Milho, Quadrilhas Juninas Tradicionais e de Decoração de Ruas marcam a festa junina em São Francisco do Conde. A cidade conta ainda com o Caramanchão Cultural, um espaço com decoração típica junina, música tradicional, apresentação de grupos culturais, feira de artesanato e comidas típicas.

Os festejos juninos de Senhor do Bonfim preservam características tradicionais, como trios de sanfoneiros, quadrilhas, bandas de pífanos (calumbis) e alvoradas, que arrastam multidões pelas ruas durante as madrugadas, sem falar que na festa oficial, promovida pela prefeitura do município, que só toca forró. Na véspera do São João, outro espetáculo que atrai os visitantes é a guerra de espadas. O evento acontece apenas em algumas ruas determinadas pela prefeitura e as luzes são apagadas em umas vias para destacar o efeito luminoso do espetáculo. Mais de três mil dúzias de espadas são utilizadas na ocasião.

As comemorações no município de Cipó são marcadas por elementos tipicamente tradicionais, como as bandas de forró pé de serra, concurso de quadrilhas juninas, concurso com premiação da rua mais enfeitada e melhor ornamentação, fogueiras e cavalgadas com mais de 3.000 participantes, além de comidas e bebidas típicas.

Em Santo Antônio de Jesus o que não falta é “Arrasta pé”, comidas típicas e muita animação, ingredientes que garantem o sucesso da festa. A cidade mantém vivos velhos costumes que caracterizam os festejos juninos, como ornamentação de barracas, pular a fogueira com o pau de fita, dançar o tradicional pé-de-serra, subir no pau de sebo, tudo isso regado a muitos quentões, licores e pratos típicos. No dia 13, a cidade homenageia seu padroeiro, Santo Antônio, com um grande ato de fé e uma animada festa de largo. O evento conta com estrutura de 50 barracas com comidas típicas da região, novenas, missas, procissão e shows, em várias ruas da cidade.

A dança folclórica do bumba-meu-boi é um dos traços culturais marcantes na cultura brasileira, principalmente na região Nordeste. No município de Ouriçangas, o patrocínio da Petrobras contribui para a revitalização dessa espécie de ópera popular nordestina. O bumba-meu-boi combina elementos de comédia, drama, sátira e tragédia, tentando demonstrar a fragilidade do homem e a força bruta de um boi. A dança conta a história de um rico fazendeiro possui um boi muito bonito e que sabe dançar. Pai Chico, um trabalhador da fazenda, rouba o boi para satisfazer sua mulher Catarina, que está grávida e deseja comer a língua do boi. O fazendeiro manda os empregados procurarem o boi. Eles encontram o animal doente. Os pajés curam o boi e descobrem a intenção de Pai Chico. O fazendeiro perdoa o trabalhador e celebra a saúde do boi com uma grande festa.

Cruz das Almas é conhecida como uma das cidades baianas que tem entre os atrativos juninos e folclóricos a guerra de espadas. Uma verdadeira legião de guerreiros com roupas e proteções especiais – como uma espécie de armadura – protagoniza o espetáculo de luzes e coragem realizado em ruas reservadas da cidade. A festa também resgata costumes da cultura popular como quadrilhas juninas, casamento na roça, comidas e bebidas típicas, além de shows de forró de grandes bandas e artistas nordestinos.

AS FESTAS

A temporada das festas juninas começa com as homenagens a Santo Antonio, até o dia 13. Conhecido como santo casamenteiro, as comemorações incluem várias simpatias para mulheres solteiras que sonham com o matrimônio. No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Segundo a tradição, para garantir que nunca falte alimento, o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa. No caso das mulheres que querem se casar, o que se recomenda é comer este pão.

No dia 24 é a vez de render homenagens a São João, considerado o santo mais festeiro. O costume de acender a fogueira é característico da Festa de São João. Diz a lenda que a fogueira foi usada para anunciar o nascimento do santo. Na imagem da fogueira, a luz simboliza a sabedoria, a luz interior e o calor do amor. No Nordeste do país, existe uma tradição de grupos festeiros visitarem todas as casas onde sejam bem-vindos levando alegria. Os donos das casas mantêm uma mesa farta de bebidas e comidas típicas para servir aos visitantes. O costume é uma maneira de integrar as pessoas da cidade. Em muitas cidades, o costume tem sido substituído por festas que reúnem toda a comunidade em volta dos palcos onde prevalece o ritmo do forró.

O mês termina com a Festa de São Pedro, dia 29, considerado o guardião das chaves das portas do céu, protetor das viúvas e dos pescadores. A fogueira de São Pedro tem forma triangular e costuma ser feita apenas na porta das casas das viúvas. Há também o costume de que os homens que tenham Pedro no nome acendam fogueiras na porta de suas casas. Os pescadores também costumam homenagear o santo com procissões marítimas nessa ocasião.

SÍMBOLOS JUNINOS

Nos arraiais juninos podemos encontrar vários elementos da cultura popular, que traduzem a crendice da população de cada região. Cada um desses símbolos tem um significado para a festa. As festas juninas vieram para o Brasil na época da colonização, trazidas pelos portugueses. São de origem francesa, por isso nas danças aparecem várias palavras nessa língua.

Quadrilha

A quadrilha surgiu nos salões da corte francesa, recebendo o nome de “quadrille”, mas é de origem inglesa, uma dança de camponeses chamada “campesine”. Na época da colonização do Brasil, os portugueses trouxeram essa dança, bem como seus principais elementos: os vestidos lindos e rodados (que representavam as riquezas da corte), os passos puxados na língua francesa (anarriê, avancê, tour, etc.) e os agradecimentos aos santos pelas boas safras nas plantações.

No Brasil, a quadrilha é feita através de um animador que vai pronunciando frases enquanto os demais participantes se movimentam seguindo os comandos.

Fogueira

A fogueira simboliza a proteção dos maus espíritos, que atrapalhavam a prosperidade das plantações. A festa realizada em volta da fogueira é para agradecer pelas fartas colheitas. Além disso, como a festa é realizada num mês frio, serve para aquecer e unir as pessoas em seu redor. Cada santo tem uma fogueira, sendo a quadrada de Santo Antonio, a redonda de São João e a triangular de São Pedro.

Balões

Significam uma oferenda aos céus para realização ou agradecimento por pedidos realizados. Os balões juninos indicam o início da festa, mas foram criados para reverenciar os santos da festa, agradecendo pela realização dos pedidos, normalmente relacionados ao namoro e ao casamento, onde as pessoas encontram seus pares românticos. Os balões não são mais usados, podem ocasionar vários incêndios, caindo em locais perigosos e destruindo a natureza.

Pau-de-sebo

O pau-de-sebo é uma brincadeira com o objetivo de se ganhar uma quantia em dinheiro ou um prêmio, que está afixada no alto do mastro. Com essa diversão a festa fica mais animada, pois o mastro fica lambuzado de gordura (sebo). Muitas vezes, os participantes vão subindo nos ombros uns dos outros, até conseguirem pegar o prêmio, que acaba servindo para pagar parte de suas despesas na festa.

Fogos de artifício

Os fogos se originaram na China, também como forma de agradecer aos deuses pelas boas colheitas. São elementos de proteção, pois espantam os maus espíritos, além de servir para acordar São João com o barulho para a festa.

Casamento caipira

O casamento caipira faz uma sátira aos casamentos tradicionais. A noiva está grávida e o pai da mesma obriga o rapaz a se casar. A apresentação do casamento na roça é muito engraçada, pois o noivo aparece bêbado, tentando fugir do altar por várias vezes, sendo capturado pelo pai da noiva que lhe aponta uma espingarda. Este conta com o apoio do delegado da cidade e do padre para que o casamento seja realizado. Após a cerimônia, os noivos puxam a quadrilha.

Pratos típicos

As comidas típicas também são símbolos juninos, como forma de agradecimento pela fartura nas colheitas, principalmente do milho e amendoim, a festa se tornou farta em pratos como: canjica, pamonha, bolo de milho, cuscuz, milho cozido, milho assado, amendoim cozido, paçoca, broa de fubá, curau e pipoca, dentre outras delícias que predominam nas festas. Além das receitas à base de milho e amendoim, também fazem parte do cardápio junino: arroz doce, bolo de aipim, cocada, pé-de-moleque, licor, quentão e muito mais.

ALGUMAS SIMPATIAS JUNINAS

As simpatias proporcionam aos convidados maior sorte no amor. Os santos juninos são conhecidos como santos casamenteiros, mas santo Antônio é o mais influente deles. Nessas práticas, a imagem do santo é castigada, até que a pessoa consiga encontrar um amor.

1- Bananeira

Na noite de São João, de 23 para 24, a pessoa enfia uma faca virgem (nova) no tronco de uma bananeira. Depois disso, tem que voltar pra casa sem olhar para trás. No dia seguinte, de manhã bem cedo, retira a faca que nela aparecerá o nome do(a) futuro(a) noivo(a). Se não tiver nada, paciência: não vai ter casamento.

2- Papéis mágicos

Na noite de São João, escreva em pequenos papéis o nome de vários (as) pretendentes. Enrole-os e jogue-os em uma bacia ou copo d’água. O papel que se desenrolar primeiro indicará o nome do(a) futuro(a) companheiro(a).

3- Agulhas

Para ter certeza de que você vai se casar, coloque duas agulhas em um prato com água, à meia-noite do dia 12 para o dia 13 de junho. Se elas amanhecerem juntas, é garantia de casamento.

4- Fumaça

Você deve colocar um papel branco por cima da fogueira de São João, sem queimar.

Redação do Jornal Grande Bahia
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