Orgulho de ser militar: Da Alvorada ao Toque de Recolher | Por Reginaldo de Souza Silva

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Diuturnamente, militares das forças armadas, policiais e bombeiros garantem a segurança do país e de suas autoridades (desde a presidente da republica até os governadores e prefeitos). Estranhamente, porém, os beneficiários primeiros da ação desses trabalhadores militares não os têm demonstrado valorização e respeito, ferindo diariamente a sua dignidade.

Os militares não estão aqui por acaso. Sua história começa com a chegada da Família Real portuguesa ao Brasil em 1808, que fugia das ameaças da França e, acompanhada por cerca de dez mil pessoas, necessitava da criação de um órgão que a protegesse e a seu patrimônio.
Assim, em maio de 1809, foi criada a Divisão Militar da Guarda Real de Polícia, embrião da atual Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, subordinado à Intendência Geral de Polícia, uma espécie de administradora da cidade.

Cabia à polícia reprimir o crime, realizar obras, combater incêndios e zelar pela ordem pública. A palavra polícia vem do latim polis que significa cidade. Então, polícia era a “guarda da cidade”. Inicialmente, a segurança pública no Brasil Colônia era de responsabilidade dos “quadrilheiros” (pessoas sem status social, mas “da confiança” das elites). Os quadrilheiros eram os responsáveis pela segurança na quadra (quarteirão) onde moravam. Depois disso, em muitos momentos da historia do Brasil, os militares foram chamados, ordenados e enviados, inclusive para o exterior, para defender a nação. Hoje temos os militares das forças armadas (marinha, exercito e aeronáutica) e os militares denominados “forças auxiliares” (as policias militares e corpo de bombeiros).

Militares, todos eles e elas, como até hoje em dia, não tinham dia nem noite; não tinham horário nem desculpas; não tinham valorização nem soldo (salário) digno. Mas, mesmo assim, a maioria se orgulhava de sua carreira ao ingressar na mesma. Orgulho tão grande que muitos seguiam a tradição da família ou o desejo de criança. Quantos de nós não presenciamos, ou mesmo vivenciamos, brincadeiras e brinquedos envolvendo os soldados e a policia? Há sempre alguém do bem (o policial, as forças armadas) e o do mal (os bandidos, os invasores).

Entretanto, por conta de vários erros cometidos no desenvolvimento das ações atribuídas, podemos perceber que está se cultivando no imaginário popular a figura do militar como a pessoa do mal. A eles são atribuídas às torturas, mortes, assassinatos, roubos, seqüestros, golpes e abuso de poder.

Ouvi de um oficial militar: “Qual pai ou mãe permitiria hoje seu “amado filho” servir outras pessoas com o sacrifício da própria vida? Quantos morreram? Quantos vão morrer? Quantos quase morreram?”. O militar que inicialmente corria o risco de vida em condições de batalha as guerras, hoje enfrenta a insegurança da profissão tendo que se esconder para garantir a sua segurança e de sua família. Vivem seguindo o regime de plantões, da “disciplina”, do quartel, das ruas, das viaturas e sempre com um superior ou regulamento a dizer-lhe o que deve ou não fazer.

É certo que na vida militar a segurança do coletivo depende de cada membro da tropa, da corporação, da unidade etc. Vencem o medo, a insegurança, o abandono da família, a falta de condições físicas, materiais e psicológicas com o apoio de cada membro. São uma família e, assim, em cada dia, cada noite, em cada plantão, em cada missão confiam suas vidas à responsabilidade do grupo. O militar bombeiro vive no ostracismo os governos e políticos de plantão não conseguem e não querem reconhecer as suas especificidades.

Mas, em pleno século XXI na mesma capital de sua origem, ao vivo pela televisão presenciamos atos de barbárie, de selvageria e de desrespeito ao cidadão trabalhador militar. Uma corporação centenária, que ocupa o imaginário da população como “heróis” porque muitos deles, em situações extremas, entregaram suas vidas e salvaram vidas (na água, na terra ou no mar), se tornando uma das poucas instituições que se mantém 24h no ar, vai às ruas e tenta ocupar uma unidade de comando para demonstrar a um governo que, para colocar a sua vida em risco, os soldos (salários) e as condições de trabalho não são dignas.

Por mais incrível que pareça, soldados (militares) foram recebidos, rechaçados, humilhados e violados por ninguém mais do que seus próprios colegas, cortando a própria pele. O caos da formação e a concepção de repressão foram fartamente demonstrados sob a alegação de que, para garantir a disciplina, a violência se justifica. “Homens” armados com bombas armas de guerra, tanques e helicópteros foram mobilizados para reprimir os Bombeiros. Enquanto a população estarrecida se perguntava: “não são eles os heróis? Por que, então, se tratam como bandidos”?

Senhores Governador do Estado do Rio de Janeiro, comandante do BOPE e cúpula da Polícia Militar, Bombeiros não são vândalos, não são marginais não merecem serem tratados com selvageria e desrespeito. Para o Estado e também para os próprios componentes de armas, de insígnia e de profissão os bombeiros do Rio de Janeiro são BANDIDOS, pois assim foram e são tratados pelos colegas e pelo Estado.

Onde está o Orgulho de ser Militar? Onde está a profissão digna, na qual muitos deram a sua própria vida e continuam a fazê-lo para garantir a tranqüilidade e a segurança de todos?

Muitos comandantes se distanciaram das tropas, vivem nos gabinetes e já não servem de exemplo para a sua tropa. Não conseguem manter vivas as tradições representadas nas insígnias, nos brasões e nos hinos. O que deveria ser a tradição retratada no hino de 1831 (“Nós somos da Pátria a guarda, fiéis soldados, por ela amados. Nas cores de nossa farda rebrilha a glória, fulge a vitória. Em nosso valor se encerra toda a esperança que um povo alcança…”) esvaiu-se na fumaça das bombas lacrimogêneas disparadas.

O povo brasileiro realmente ama seus militares, os respeita e os estará apoiando na luta de servir ao bem comum. E como “não tem coração mesquinho, não há de lançar-lhes no rosto o pão que comem como se os cobres pudessem pagar a Liberdade e a Vida”.

Senhores oficiais do CBERJ não se escondam atrás de suas patentes e funções liderem a tropa ela precisa de vocês, sejam solidários e manifestem o apoio da classe dos oficiais, principalmente de forma a fortalecer a corporação. Aos Coronéis do CBMRJ, que não aceitem assumir o comando caso o novo comandante venha cair. Criem um fato político e derrubem esta figura perniciosa que ocupa a função de governador. Afinal ele vai e voces ficarão e a PMRJ o mínimo que se espera é a solidariedade com a situação, afinal o salário de vocês também é uma ofensa.

Considerando a Constituição Federal do Brasil de 1988 – Greve é crime, porém se manifestar e expressar opiniões não! Os BOMBEIROS do Estado do Rio de Janeiro como sempre de forma ordeira e pacífica devem continuar a tirar os serviços normalmente e prestar o brilhante serviço que sempre prestaram à sociedade carioca, porém, aqueles que estejam de folga, se reúnam em locais pré-determinados para expressar o sentimento de indignação e luta. Nas passeatas lembro aos PMRJ que seus familiares e a sociedade os estão acompanhando. Conclamo a todas as lideranças em todos os municípios cariocas e brasileiros que se manifestem publicamente favoráveis a causa dos Bombeiros.

Assim, bravos soldados, sabemos que as autoridades de “vista curta” acham-os caros demais (como se alguma coisa houvesse mais cara que a servidão). Chega, portanto, de ficarem calados, guardando a Nação do estrangeiro e de si mesma. Sabemos do preço de sua sujeição para garantir a liberdade para todos e defender da invasão estranha e do risco dos que não conseguem viver em sociedade, dos que sucumbiram ao jugo das paixões. Por definição vocês são homens e mulheres da paz e por isto são nobres. E quando se põem em marcha, à sua esquerda vai a coragem, e à sua direita a disciplina.

*Com informações: [email protected]

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