Mladic diz em Haia que acusações são monstruosas e repugnantes

Três dias após sua extradição pela Sérvia, o antigo chefe militar dos sérvios na Bósnia, Ratko Mladic, compareceu nesta sexta-feira (03/06/2011) pela primeira vez diante do tribunal da ONU, em Haia. O ex-general, de 69 anos, afirmou que é “um homem gravemente doente” e disse que “estava apenas defendendo seu país”.

Quando foi questionado se se declarava culpado ou inocente, Ratko Mladic se recusou a se pronunciar sobre as acusações, que chamou de “repugnantes” e “monstruosas”. Ele disse ao juiz que não queria ouvir “uma única letra ou frase” do documento contendo as denúncias. O juiz, entretanto, iniciou a leitura das acusações. Mladic é acusado de ter comandado as piores atrocidades da guerra da Bósnia, onde morreram 100 mil pessoas.

Questionado pelo holandês Alphons Orie, presidente do corpo de juízes, sobre se compreendia os seus direitos como réu do Tribunal Penal Internacional (TPI) para a antiga Jugoslávia, o ex-comandante militar dos sérvios na Bósnia disse que está gravemente doente e que precisa de mais tempo para conhecer as acusações. O juiz marcou a próxima audiência para o dia 4 de julho, em cumprimento ao prazo de 30 dias a que Mladic tem direito para se pronunciar sobre as acusações de que é alvo.

Mladic responde por 11 acusações

O ex-militar foi detido em 26 de maio no norte da Sérvia, depois de ter passado 16 anos como fugitivo, tendo sido transferido na terça-feira para Haia, sede do TPI para a antiga Iugoslávia. Mladic é alvo de um total de 11 acusações, duas de genocídio, quatro de crimes de guerra e cinco de crimes contra a humanidade, todos cometidos durante a guerra da Bósnia, ocorrida entre 1992 e 1995.

“Sou o general Mladic e todo o mundo sabe quem eu sou”, disse o acusado no final da audiência, que durou uma hora e 40 minutos. Mladic foi acompanhado pelo advogado Aleksandar Aleksic, diferentemente do que fez o ex-líder político sérvio bósnio, Radovan Karadzic, que decidiu se defender a si próprio.

“Defendi meu país”

“Defendi meu povo e meu país”, disse o ex-general, acusado das maiores atrocidades cometidas na Europa depois da Segunda Guerra Mundial. “Não matei croatas por serem croatas, estava apenas defendendo meu povo e país”, insistiu.

A sessão foi assistida por sobreviventes da guerra na Bósnia, diplomatas e jornalistas. Mladic parecia não poder mover sua mão direita e precisou de ajuda para conseguir colocar o fone para ouvir a tradução sérvia da audiência. Entretanto, ele recusou ajuda para andar. “Não quero que me levem no braço como um cego, posso andar sozinho”, reclamou.

Ele falava lentamente e, por vezes, de forma pouco clara. Sua família disse que Mladic tinha sofrido dois derrames no período em que estava foragido. Na quinta-feira, Milos Saljic, outro advogado de Mladic, havia dito que seu cliente fizera tratamento contra câncer dois anos atrás, quando era fugitivo da Justiça.

O ex-general também teria sofrido três derrames cerebrais e dois ataques cardíacos. Se Mladic não emitir uma posição até 4 de julho, o tribunal interpretará que ele se considera inocente. Caso ele reconheça a culpa, será marcada apenas uma data para o pronunciamento da sentença. Espera-se, no entanto, que aconteça o julgamento, que deverá levar meses para começar e que deverá durar vários anos.

O presidente sérvio Slobodan Milosevic, mentor de Mladic, morreu em Haia em 2006, de um ataque cardíaco, quando já enfrentava o quarto ano de julgamento por genocídio. O ex-chefe político de Milosevic, Radovan Karadzic, vem conduzindo sua própria defesa num julgamento por crimes de guerra que começou em outubro de 2009. Como seu antigo aliado, Mladic está sujeito a pegar prisão perpétua, que é a pena máxima prevista.

Entre as muitas pessoas presentes no tribunal estavam mães e viúvas de Srebrenica. A presidente da Associação de Mães de Srebrenica, Munira Subasic, disse que, por um lado, estava feliz por finalmente ver Mladic diante da Justiça.

Por outro lado, se disse triste porque muitas mães não conseguiram viver o suficiente para ver esse momento. “Mães que acharam os ossos de seus filhos e os enterraram, sem cabeça e mãos, e a única coisa que queriam era a sua detenção. Mas elas não viveram para ver”, disse. Diante do tribunal, um homem empunhava um cartaz onde se lia, em letras vermelhas “Mladic, o carniceiro de Srebrenica”.

*Com informação: Deutsche Welle

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