Ministério Público da Bahia denuncia 12 PMs envolvidos na morte de quatro pessoas no Nordeste de Amaralina

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.

Foi recebida pela Vara do Júri, em Salvador, denúncia feita pelo Ministério Público estadual contra 12 policiais militares, entre eles dois tenentes, um sargento e nove soldados, acusados de terem promovido uma ação considerada desastrosa no Nordeste de Amaralina em agosto do ano passado, “causando repulsa na sociedade” e resultando no ferimento de uma pessoa e morte de quatro, incluindo um adolescente.

A denúncia por quádruplo homicídio qualificado, homicídio na forma tentada por motivo torpe, perigo comum e impossibilidade de defesa e crime de fraude processual foi assinada pela promotora de justiça Kárita Cardim de Lima, que atua no Grupo de Atuação Especial para o Controle Externo da Atividade Policial (Gacep).

Os denunciados são os tenentes PM Charles Edgard Silva Freitas e Marcus Paulo da Silva Fraga; sargento PM Pedro Simões de Jesus e soldados PM Cláudio de Jesus Santana, José Eduardo Santos de Almeida, Walter dos Reis Borges, Paulo Ricardo Barbosa Santos, Juarez Batista de Carvalho, Eraldo Menezes de Souza, Leonardo Linhares Pereira Tosta, Fábio do Nascimento e Leonardo Passos Cerqueira. De acordo com a denúncia, em 28 de agosto do ano passado, pouco depois da meia noite, os policiais chegaram à Rua Rodolfo Queiroz, no Nordeste de Amaralina, em uma viatura da Rondesp Central e duas da 49ª CIPM e, utilizando pistolas e metralhadoras, dispararam tiros, causando correria e pânico entre os moradores.

Foram atingidos com vários tiros e mortos João dos Santos Piedade Filho, Márcio Nunes Moreira, Anderson Costa dos Santos (de 15 anos) e Danilo Meireles dos Santos. Ferido, Marcos dos Santos só não morreu porque um senhor o arrastou para dentro de sua casa e o levou para o 5º Centro de Saúde. De lá, um médico solicitou que uma viatura policial conduzisse o paciente para o Hospital Roberto Santos.

Como Marcos mostrou temor em seguir com os policiais, estes ainda o agrediram com cassetetes, causando ferimentos em sua cabeça e perna, além de esfaquearem sua mão esquerda, mesmo a vítima apresentando uma fratura exposta na perna devido ao tiro recebido na ação policial, fato atestado por laudo do Instituto Médico Legal.

A promotora de Justiça diz que mesmo o fato tendo ocorrido no Nordeste de Amaralina, foi registrada pelos denunciados na Delegacia da 11ª Delegacia, em Tancredo Neves, como resistência. “Porém, nos autos, não existe prova de confronto, mas a ocorrência de um verdadeiro massacre das vítimas”.

Após a ação, explica na ação, os policiais usaram luvas pretas e puseram armas de fogo nas mãos dos mortos e fizeram disparos, voltando ao local no dia seguinte para recolher as cápsulas deflagradas na tentativa de apagar vestígios que pudessem incriminá-los. Explica ainda Kárita de Lima que ficaram marcas de balas nas paredes das casas onde as vítimas estavam, “não se verificando vestígios de danos em veículos ou nos imóveis situados frontalmente, assim como nenhum policial saiu lesionado e nenhuma viatura foi atingida por disparos de arma de fogo, inferindo-se a inocorrência de troca de tiros”.

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Faça uma doação ao JGB

About the Author

Redação do Jornal Grande Bahia
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]