Educação sanitária é uma das armas para combater o abate clandestino

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“Combater o abate clandestino é uma questão de segurança alimentar”, afirma o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, comparando a situação com a segurança pública. “O ideal seria termos um policial em cada esquina, mas isso o Estado não tem como fazer. Da mesma forma, não podemos ter um fiscal agropecuário em cada distrito ou município da Bahia, um Estado com 56 milhões de hectares, dos quais 30 milhões com atividades agrícolas e pecuárias”. As declarações do secretário foram feitas nesta sexta-feira, (17), na abertura do 1º Encontro Baiano sobre Abate e Comércio Ilegal de Carnes, no Fiesta Convention Center, em Salvador. O evento foi promovido pelo Ministério Público da Bahia, com apoio da Agência Baiana de Defesa Agropecuária, Adab.

Destacando a relevância do evento realizado para discutir o tema no Estado, o secretário disse que a educação sanitária é tão importante quanto a fiscalização. Em parceria com o Sindcarne e com a Federação da Agricultura do Estado da Bahia, Faeb, a Adab tem se empenhado em promover a edcução sanitária, realizando peças educativas nas escolas e nas comunidades, conscientizando crianças e adultos para a importância de consumir alimentos sadios. “Esse encontro fortalece o trabalho de inteligência realizado pelo governo, juntamente com as entidades parceiras. Somente assim, com essa união, conseguiremos levar carne com mais qualidade para a mesa dos baianos”.

O secretário lembrou ainda que a Seagri/Adab desenvolveu uma planta padrão para construção de frigoríficos, com capacidade para abate de 30 a 100 animais/dia, com preço reduzido. “Dizia-se que não se construía uma unidade frigorífica com menos de R$ 5 milhões. Nós conseguimos fazer um planta que viabiliza a construção com R$ 1,2 milhão”, afirmou. A planta padrão da Seagri foi validada pelo Ministério da Agricultura e tornou-se modelo para o Brasil, solicitada pelos secretários de agricultura de outros estados.

O procurador-geral de justiça do Estado em exercício, José Gomes Brito, também salientou a importância de as entidades fiscalizadoras se unirem para fortalecer as ações de combate ao abate informal, e afirmou que o Ministério Público estadual continuará coibindo com veemência as atividades ilegais. Segundo o MP, o abate clandestino é responsável pela procedência de mais de 45% da carne consumida no Estado.

Para o coordenador-geral da Adab, Paulo Emílio Torres, o abate não inspecionado vem diminuindo pouco a pouco na Bahia, graças, sobretudo, às inúmeras campanhas educativas feitas pelo órgão. “O nosso público-alvo são as crianças. Precisamos e estamos inserindo a educação sanitária nas escolas. Os estudantes de hoje serão os produtores e consumidores de amanhã”, pontuou.

Frigoríficos – Outra questão chave para combater o abate informal de animais é a construção de unidades frigoríficas no Estado, que faz parte do Projeto de Descentralização e Regionalização do abate. O secretário Eduardo Salles lembrou que a Seagri, através da Adab, assinou com 15 municípios baianos termo de compromisso para construção de unidades frigoríficas de abate. “Os novos abatedouros vão se somar aos 30 existentes, ampliando o combate ao abate clandestino”, disse.

Com planta padrão desenvolvida pela Seagri/Adab, os abatedouros são modulares, com capacidade para abater de 30 até 100 animais por dia. Dez deles serão instalados nos municípios de Itanhém, Barra, Santa Rita de Cássia, Medeiros Neto, Valente, Iguaí, Araci, Itaberaba, Jaguaquara e Paramirim. Os outros cinco vão ser implantados em Bom Jesus da Lapa, Valença, Remanso, Morro do Chapéu e Itabuna e terão capacidade de abater pelo menos 100 animais/dia. O projeto está sendo executado em parceria com os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário.

De acordo com o secretário, os 15 municípios onde as novas unidades serão instaladas foram definidos depois de um estudo das zonas do Estado que mais necessitavam do equipamento, em função das distâncias dos já existentes e do rebanho da região. “Dessa forma, preservamos as demandas locais. No município de Barra, por exemplo, onde estivemos essa semana realizando o Programa Seagri Itinerante e também iremos implantar um abatedouro, a carne transportada precisa percorrer 200 quilômetros para chegar ao destino de abate. Essa realidade será modificada”.

Os frigoríficos serão construídos com base nas exigências da Portaria 304 do Ministério da Agricultura, que regula o abate de bovinos, caprinos e ovinos, e impõe normas à construção dos equipamentos e a existência de câmaras de refrigeração. “Além de ser mais barata, tendo custo em torno de R$ 1,2 milhão, quando era voz corrente que não era possível construir uma unidade de abate com menos de R$ 5 milhões, a planta padrão contempla características peculiares, como o aproveitamento de carcaças e vísceras”, finalizou o secretário.

Promovido pelo Ministério Público da Bahia, o 1º Encontro Baiano sobre Abate e Comércio Ilegal de Carnes prossegue até o final do dia de hoje, com programação que inclui uma série de palestras e debates com grupos de trabalho. A abertura contou com a presença do coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias do Consumidor do Ministério Público, Roberto Gomes, do diretor da União dos Municípios da Bahia, José Ricardo Leal Requião, do presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia, José de Freitas Mascarenhas, do presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados da Bahia, Júlio Cesar Melo de Farias, do presidente da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), Reub Celestino, dentre outras.

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