A visão que nos falta | Por Rosildo Barcellos

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Para enfrentar as estradas à noite é preciso tomar alguns cuidados, calcula-se que a visão noturna fique reduzida a apenas um sexto da diurna. E, para evitar a indesejada e perigosa guerra dos faróis, convém que todos mantenham os faróis sempre regulados, verifique se ambos funcionam e, é claro, utilize a luz baixa para não ofuscar a visão do condutor que trafega em sentido contrário; principalmente nas ultrapassagens.É de extrema importância que isso seja feito, antes de se programar uma viagem. Notadamente o problema da luz alta assim como dos faróis desregulados se agrava nos dias de chuva com a visibilidade extremamente prejudicada, com riscos de batidas frontais ou saídas da pista. Tenho sido rigoroso na cobrança da sistemática da iluminação e tenho obtido resultados extremamente satisfatórios.

Muitos motoristas inclusive gostam de viajar à noite, mas têm medo de se aventurar e acabar se envolvendo em acidentes ou ainda, atropelamento de animais silvestres por causa da escuridão. Uma solução para isso seriam os faróis à base de gás xênon, já que produzem uma luminosidade até cinco vezes maior do que a luz amarela.Entrementes o assunto já se arrastava há um bom tempo, mas enfim o Contran chegou a uma decisão final: os faróis de xenon – ou xenônio – terão proibidas a instalação de xenon ao invés de faróis comuns. Já havíamos concebido esta questão para as motocicletas pois, segundo a resolução 294 do CONTRAN, o uso de kits Xenon em motos já se tornara proibido desde 01/01/2009. Acredito que a partir de agora,realmente conseguiremos limitar o uso indiscriminado de lâmpadas de xenon em veículos, pois tal prática, pela alta luminosidade gerada por este tipo de dispositivo, via de regra, causava ofuscamento do condutor que vinha em sentido contrário e atrapalhava a dirigibilidade do condutor que estivesse à frente, pelo reflexo gerado nos retrovisores e dentro do veículo.

Com efeito, o uso de lâmpadas de xenon constatado pela nossa experiência em rodovias, realmente causa dispersão do facho luminoso, quando o farol não for especialmente construído para o seu uso. O risco deste tipo de lâmpada, instalada como vinha sendo instalada, sem critérios técnicos apropriados, de causar acidentes graves era grande. Além do risco de ofuscamento, a instalação dos kits de xenon representava riscos para o sistema elétrico,principalmente os das motos, incluindo até um possível incêndio.

Evidentemente não posso desconsiderar que era um equipamento cobiçado e polêmico desde a criação dos kits para adaptação em faróis comuns.Por esse motivo os faróis xenon (que não saíram de fábrica) estão sendo alvo de proibição pela segunda vez no Brasil (na primeira, no final de 2008, criou-se uma confusão até que foram liberados, mediante vistoria prévia que liberava o Certificado de Segurança Veicular, o CSV).

Instalações mal feitas em carros sem condições de receber as lâmpadas mais fortes e a falta de interesse na legalização via CSV auxiliaram na idéia de voltar atrás em sua decisão. O problema é, como sempre, a falta de comunicação da nova legislação para o principal interessado: os consumidores.

No caso de seu automotor ter saído de fábrica com faróis adaptados para o uso de lâmpadas de xenônio, não se preocupe: sendo equipamento original de fábrica do automóvel, seu uso está liberado. Para quem fez a legalização previamente também não há restrições (a partir da data da publicação, a emissão do CSV para esta alteração foi proibida).E bom lembrar também que o uso de Xenon não regulamentado acarreta em multa grave, com contagem de 5 pontos na carteira de habilitação e pagamento do valor de R$127,69, além do veículo ficar retido até a regularização,o que se constitui obviamente num grande transtorno.

*Rosildo Barcellos | [email protected]

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