Seagri e SICM mostram à missão chinesa as oportunidades de investimentos na Bahia

Seagri e SICM mostram à missão chinesa as oportunidades de investimentos na Bahia
Seagri e SICM mostram à missão chinesa as oportunidades de investimentos na Bahia
Seagri e SICM mostram à missão chinesa as oportunidades de investimentos na Bahia
Seagri e SICM mostram à missão chinesa as oportunidades de investimentos na Bahia

Uma missão de técnicos do Ministério da Agricultura da China está desde segunda-feira (09/05/2011) na Bahia percorrendo plantações e indústrias do tabaco instaladas no Recôncavo para certificar a qualidade do fumo no estado. Para aprovar a importação do produto, a missão quer assegurar que a Bahia seja zona livre do mofo-azul, praga que causa a morte da planta cultivada também na Ásia. A vinda dos chineses é o resultado imediato da última visita do governador Jaques Wagner à China, realizada em abril.

“Foi feito um trabalho exemplar de equipe – governo federal, governador, secretário da Agricultura, Eduardo Salles, e nós do Sinditabaco, que representamos o setor empresarial. Depois de quase um ano e meio de tentativas e de uma visita do governador à China, conseguimos trazer esta equipe de técnicos para vistoriar o nosso setor produtivo”, afirmou o presidente do Sindicato das Indústrias de Tabaco do Estado da Bahia, Ricardo Becker.

Em um primeiro momento, os chineses estão interessados em comprar a produção das folhas de tabaco, matéria-prima para a fabricação dos charutos, mas o Estado está trabalhando para que o fumo beneficiado e com valor agregado produzido na Bahia seja destinado também para a China.

Com a liberação da exportação para a China, a expectativa da Secretaria da Agricultura (Seagri) é de que a produção aumente 100%, consolidando a cultura do fumo para charutos, criando empregos e recuperando a economia do Recôncavo.

Pode levar até dois anos para a folha do fumo ser transformada em charuto. Quatro meses após o plantio, o tabaco é colhido e passa pelos processos de secagem, fermentação, seleção, enfardamento e segue para a exportação ou para as fábricas da região. Todo o processo é monitorado e a umidade e a temperatura dos ambientes de armazenamento são rigorosamente controladas.

A cadeia produtiva do charuto emprega 14 mil pessoas no Recôncavo, a maioria agricultores familiares, sendo 90% de mulheres. Rita de Jesus trabalha há 32 anos na produção e fala da importância da cultura do tabaco na sua vida. “Consegui criar meus três filhos, que puderam estudar. Já me aposentei e continuo trabalhando aqui na fábrica de São Félix”.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Fumo, Josenita Souza Salomão, 70 anos, há 50 sobrevive da atividade. “Todo mundo tem carteira assinada, recebe lanche, a carga é de oito horas, de segunda a sexta-feira, e se tiver que trabalhar no fim de semana, recebe hora extra. As indústrias fornecem ainda adubo e assistência técnica”.

Segundo Josenita, a cultura é rentável e o retorno é imediato, sendo mais vantajosa do que o aipim, o milho e a mandioca, que também são beneficiados após a colheita do fumo pelo adubo fornecido pelas indústrias do tabaco.

Adab como referência

Para o diretor do Departamento de Saúde Vegetal do Ministério da Agricultura, Cósam Coutinho, a ação da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) também foi fundamental para a atração dos chineses. “A Adab é referência para nós, não somente nesta questão do tabaco, mas também com o trabalho que se faz com o algodão, que nos auxilia no programa da mosca-da-fruta. A agência tem uma participação fantástica neste trabalho conjunto com o Ministério da Agricultura, no que diz respeito à natureza fitossanitária”.

O superintendente da Seagri, Raimundo Sampaio, disse que cabe agora à Bahia monitorar o processo e manter os produtores estimulados, sobretudo os pequenos agricultores familiares.

Ele declarou que o tabaco é uma cultura que gera em torno de dois a três empregos por hectare e explicou que é necessário aproveitar esta característica quase que de manufatura para poder atender este grande mercado, que é o chinês. “Buscamos cada vez mais a redução de custos na produção, a melhoria na qualidade do produto e obviamente a fixação do homem do campo, sobretudo aqui nesta região do Recôncavo”.

Para isso, afirmou Sampaio, o Estado tem trabalhado na instalação de fóruns consultivos. No ano passado foi implementada a câmara setorial do charuto no estado, com a participação do empresariado, dos pequenos produtores, dos movimentos sociais, interagindo com bancos e com o suporte científico da Embrapa.

Números

A produção de tabaco na Bahia se concentra na região do Recôncavo, principalmente em Cruz das Almas. Cerca de três mil empregos diretos são gerados só neste município, mobilizando 5% da população em função da cultura do tabaco, cuja qualidade já é conhecida pelo mercado europeu e tão boa ou superior aos charutos cubanos.

A Bahia exporta 97% da produção de folhas de fumo, principalmente para a Holanda e a Alemanha. No ano passado, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado produziu 6,15 mil toneladas numa área de 5,8 mil hectares, ocupando a quinta posição no ranking do país, atrás de Alagoas, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Com relação aos charutos, a Bahia produz hoje cinco milhões de unidades por ano em oito municípios: Cruz das Almas, Muritiba, São Félix, Cachoeira, Paraguaçu, Conceição do Almeida, Simões Filho e Salvador.

Seagri e SICM mostram à missão chinesa as oportunidades de investimentos na Bahia

“A Bahia é um bom lugar para investir, tem muitas opções. O governo de Chongqing vai apoiar empresas para fazer investimentos aqui”, disse o diretor chefe do Departamento de Indústria e Comércio da província de Chongqing, República Popular da China, (AIC), Huang Bo, na manhã desta quarta-feira, (11), depois de assistir no auditório da Desenbahia uma apresentação sobre as oportunidades de investimentos na Bahia, apresentado pela economista Ana Paula Alcântara, da Superintendência de Política do Agronegócio da Seagri, SPA.

A missão chinesa chefiada por Huang Bo, composta cinco técnicos e executivos do AIC, reuniu-se com o secretário em exercício da Seagri, Jairo Carneiro, com o superintendente da SPA, Jairo Vaz, com o presidente da Desenbanhia, Luiz Petitinga, e com representantes da Secretaria da Indústria e Comércio, para prospectar as oportunidades de investimentos na Bahia nas áreas de agronegócios, indústria e comércio e infraestrutura. O secretário em exercício Jairo Carneiro declarou que o governo baiano está de braços abertos para receber os chineses, oferecendo ambiente favorável para os investimentos. “Essa parceria entre nossos estados trará bons frutos para todos”, disse ele.

A visita é resultado da missão empresarial Brasil – China, realizada em abril deste ano, pela presidente Dilma Rousseff, com a presença do governador Jaques Wagner e do secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, quando foi assinado um protocolo de intenções com a empresa Chongqing Red Dragonfly Oil Co. para investimento inicial de R$ 300 milhões na implantação de uma indústria para processar soja e produzir derivados, no município de Barreiras, no oeste baiano.

De acordo com Jairo Vaz, os investimentos dos empresários e do governo de Chongqing na Bahia devem chegar a R$ 4 bilhões, e as áreas que mais interessam ao grupo são agronegócios, portos, ferrovias, alimentos, mineração e comércio.

“Eles vieram á Bahia para sacramentar o protocolo que foi feito durante a visita do governador à China no segmento da soja. E, agora, demonstram interesse no porto sul, na Ferrovia Oeste-Leste e na área de mineração, além de outros projetos agropecuários, entre eles, a avicultura para exportação direta à China”, explicou o superintendente.

Luiz Petitinga, presidente da Desenbahia, disse que a expectativa é de as negociações gerem bons negócios, explicando que o encontro foi mais uma etapa no processo de estreitamento das relações comerciais da Bahia com a China. “A Desenbahia apóia a iniciativa e fará o que estiver ao seu alcance para que os negócios se concretizem”, disse ele.

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