Prefeitura de Feira vai injetar mais de R$ 1 milhão na merenda escolar através da secretaria de educação. Confira a entrevista com José Raimundo

Carlos Augusto entrevista José Raimundo, que declara: as licitações tiram um pouco a qualidade dessas obras porque quem ganha é o menor preço e não quem tem melhor qualidade.
Carlos Augusto entrevista José Raimundo, que declara: as licitações tiram um pouco a qualidade dessas obras porque quem ganha é o menor preço e não quem tem melhor qualidade.
Carlos Augusto entrevista José Raimundo, que declara: as licitações tiram um pouco a qualidade dessas obras porque quem ganha é o menor preço e não quem tem melhor qualidade.
Carlos Augusto entrevista José Raimundo, que declara: as licitações tiram um pouco a qualidade dessas obras porque quem ganha é o menor preço e não quem tem melhor qualidade.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Grande Bahia (JGB) o secretário de educação do município de Feira de Santana, José Raimundo Pereira de Azevedo (prefeito em 1982-1983 e em 1994-1996), comenta os investimentos que a pasta vem realizando. Destaca a aquisição de parte da merenda escolar no próprio municipal, através do programa de agricultura familiar. “Injetamos mais de R$ 1 milhão na economia local e o que é mais importante, nas classes mais necessitadas socialmente”, explica.

José Raimundo também aborda as principais ações da secretaria e destaca que: “para melhorar a qualidade do ensino eu acredito que temos que passar por esses três fatores: primeiro a melhoria da remuneração dos professores, segundo a formação continuada desse pessoal e terceiro a melhoria da rede física das escolas.”.

JGB – Desde que o senhor assumiu o que se pode avançar na questão da educação em Feira de Santana, principalmente, educação fundamental considerando-se que o município não tinha bons índices de avaliação de acordo com o governo federal?

José Raimundo – A primeira ação foi melhorar a estrutura física de nossas escolas. Nós já recuperamos mais de 140 escolas, sendo que ainda há um grande número de escolas a serem recuperadas. Nós preocupamos também com a formação continuada dos professores porque entendemos que não podemos melhorar a qualidade do ensino sem resolver o problema da infraestrutura da escola e sem ter uma formação continuada dos professores para melhorar a qualidade do ensino e, sobretudo, também, melhorando também a remuneração dos professores.

No atual governo, o prefeito tem se preocupado muito com a remuneração dos professores, tem dado sempre um aumento acima da inflação. Por outro lado, temos mudado a referência dos professores. A referência significa dizer que quando ele estudar, se qualificar ele muda de referência.

Na Secretaria de Educação temos a referência A que é para professores magistério, a referência B – magistério mais curso de adicionais, referência C para o professor de licenciatura curta, referência D para licenciatura curta mais curso de adicionais, referência E para graduação e a referência F para pós-graduação.

Nos dois anos do governo Tarcízio Pimenta se viu os professores, na grande maioria, mudando de A para F, sendo que isso aumenta em 80% o seu salário. É uma ajuda muito grande esse plano de cargo de salário implantado pela Lei 01/94 que tive o prazer em fazê-la quando prefeito do município e está até hoje em vigor.

O professor no município tem duas progressões: a progressão vertical por conhecimento e a progressão horizontal por tempo de serviço. Assim, têm professores que iniciam com um salário e terminam com um salário muito melhor ao se aposentarem com todas as vantagens que o plano proporciona.

Para melhorar a qualidade do ensino eu acredito que temos que passar por esses três fatores: primeiro a melhoria da remuneração dos professores, segundo a formação continuada desse pessoal e terceiro a melhoria da rede física das escolas.

A prefeitura tem investido muito na área de educação, principalmente, na área tecnológica com a implantação de lousas digitais. Nós já temos 50 escolas que já possuem lousas digitais, que realmente é um avanço muito grande. São poucos municípios no Brasil que têm condições de implantar essa ferramenta para que o professor possa melhorar, cada vez mais, as suas aulas e a qualidade do ensino.

Nós temos a implantação de diversos programas, principalmente, dois programas na área da educação infantil, o programa cidade educadora que agora estamos ampliando, também, para o primeiro ano da educação fundamental sendo esse projeto em parceria com a Aymará e nós temos outro projeto em parceria com o Instituto C&A. Veja que temos buscado recursos na atividade privada, pois eu acho que as empresas têm que devolver um pouco do que ela arrecada no município, principalmente na área social.

Com o Instituto C&A temos o projeto Para lá e para cá também para a educação infantil e temos outros projetos em andamento.

Há pouco tempo, conseguimos em convênio com o MEC (Ministério da Educação) dez ônibus novos para os estudantes da zona rural. Eles já chegaram e estão sendo emplacados e vão ser utilizados no transporte dos alunos da zona rural, principalmente, pelos alunos que cursam o ensino fundamental final, ou seja, o antigo ginásio e cursa também o segundo grau, já que na zona rural não temos condições de oferecer os cursos. Esse é um programa muito importante.

Hoje, temos a construção de novas escolas para atender a demanda existente. Por exemplo, estamos construindo uma escola no Alto do Papagaio que é um bairro que tem crescido assustadoramente com o programa Minha Casa, Minha Vida. Estamos construindo no bairro Campo Limpo, a escola Chico Mendes que atualmente funciona numa casa alugada que não oferece boas condições aos estudantes. Agora, ela terá um prédio lindíssimo, com 12 salas de aula.

Em parceria com o MEC estamos construindo a escola Professor Eduardo Miranda, Pró-Infância, que fica no bairro Jardim Acácia, uma escola modelo. Também, estamos construindo uma escola muito grande no povoado de Candeal II, na Matinha e, além disso, ampliamos um grande número de escolas.

Acredito que temos caminhado para a melhoria da qualidade do ensino, pois não se justifica uma cidade como Feira de Santana ter o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) baixo, perdendo para cidades menores do interior. Então, eu acredito que com esses programas nós vamos ter um resultado muito bom no IDEB.

JGB – Professor, existe uma distância da qualidade do ensino privado para o ensino público. A administração em que o senhor está à frente firmou um contrato com a Aymará, empresa que está capacitando os professores. O senhor acredita que esse é o caminho para a melhor formação técnica dos professores?

José Raimundo – Sim, pois esse programa além de distribuir livros didáticos para as crianças do curso da educação infantil, já que o governo federal nessa área não manda livros, manda somente para o ensino médio e fundamental, também capacita os professores para que eles possam atuar melhor na aplicação deste programa.

O aluno entrava na escola pública aos sete anos de idade. Na escola particular a criança entra aos três anos de idade. Essa é a grande diferença. Então, tinha-se aí uma defasagem de quatro anos. Hoje em dia isso não acontece. Estamos ampliando todas as nossas escolas de educação infantil e não está ficando uma criança da faixa etária de 04 a 05 anos que procure a rede municipal de ensino sem ficar matriculada. Assim, acredito que no próximo IDEB teremos um bom resultado.

JGB – O senhor distribuiu fardamento completo. É a primeira vez que isso acontece?

José Raimundo – Fardamento sempre foi distribuído somente à camisa. Isso acontecia em vários municípios e também em Feira de Santana tanto no governo anterior como no primeiro ano do governo de Tarcízio Pimenta. No ano passado, o prefeito Tarcízio resolveu que deveríamos distribuir o fardamento completo 02 camisas, 01 short, 02 pares de meia, 01 par de tênis e 01 mochila de maneira que o aluno está recebendo o fardamento completo.

Eu não tenho conhecimento de que outro município no Brasil também proporcione essa distribuição de fardamento completo para todos os estudantes que estão matriculados na rede municipal de ensino.

JGB – Foi avaliada se a população está tendo o devido cuidado com o fardamento?

José Raimundo – Sim. Hoje, passamos no centro da cidade e encontramos as crianças fardadas, todas bonitinhas e, sobretudo, na periferia onde as crianças não tinham nenhuma sandália para calçar e ir à escola, sendo que muitas delas iam descalças. Isso uniformiza e dá uma qualidade de vida melhor para os estudantes e levanta a autoestima, pois era muito ruim crianças descalças sem ter condições de fardamento verem crianças calçadas. Isso num certo grau aumentava a violência.

Então, hoje em dia, também estamos melhorando os índices de violência porque a criança não precisa mais assaltar ninguém para ter um tênis bonito, pois o tênis da prefeitura, assim como o fardamento são de qualidade muito boa e não devem em nada aos tênis e fardas usados por crianças de escolas particulares.

O fardamento é uma coisa importante. Os alunos que têm condições todos os dias poderia ir com uma roupa, já o que não tem não poderia ir todos os dias com um tipo de roupa. O professor quando olha uma sala de aula sem fardamento nota as diferenças dessa sala de aula. Mas, quando se olha uma sala uniformizada parece que todos são iguais e são mesmos. Vemos isso no exército, na polícia, parece que estamos vendo uma única pessoa.

Eu acredito que foi um passo muito bom à distribuição deste fardamento para os alunos da rede municipal e eu agradeço ao prefeito Tarcízio Pimenta porque sem o apoio dele evidentemente não faríamos todo esse trabalho na educação de Feira de Santana.

JGB – Secretário quanto à questão da alimentação. Historicamente é um programa que começou no governo federal e foi implantado nos municípios. O senhor fez alguma melhoria?

José Raimundo – Sim. Na merenda escolar estamos incluindo produtos novos. Por exemplo, iogurte. Estamos incluindo também a agricultura familiar que é outro assunto muito importante. No ano passado, adquirimos R$ 1 milhão de reais em alimentos e isso melhora muito a vida dos pequenos agricultores.

Este ano vamos investir mais de R$ 1 milhão de reais o comprar alimentos deles que serão levados para a merenda escolar. Com isso damos mais condições de trabalho ao pequeno agricultor e o dinheiro fica aqui mesmo na zona rural da cidade, pois quando se faz grandes licitações geralmente quem ganha são empresas de outras cidades ou estados, não gerando emprego aqui.

Então, a merenda escolar melhor essa qualidade e vai melhorar muito mais, pois vamos distribuir o frango e a carne in natura, já que até pouco tempo eram enlatados. Isso ajuda os vendedores de carne e frango in natura local e, consequentemente, desenvolve a economia do município.

JGB – O senhor saberia estimar por mês, quanto está sendo investido na agricultura familiar por meio da Secretaria de Educação?

José Raimundo – Uma faixa de R$ 110 mil reais por mês durante 10 meses, pois no período de férias não compramos nenhuma mercadoria.

JGB – O senhor antes de ser prefeito foi professor. O JGB fez várias matérias denunciando a baixa qualidade da obra pública. Com as escolas que o senhor disse está construindo, existe uma preocupação arquitetônica?

José Raimundo – Em todas as escolas que eu citei anteriormente existe uma preocupação arquitetônica. São prédios com toda infraestrutura necessária biblioteca, sala de informática, sala dos professores, refeitório, dentre outros elementos que compõem toda a estrutura necessária de uma escola.

No entanto, as licitações tiram um pouco a qualidade dessas obras porque quem ganha é o menor preço e não quem tem melhor qualidade. Muitas vezes, você pede uma licitação para comprar determinadas canetas e você não pode falar a marca. Apenas diz: caneta esferográfica. Quem ganha é aquele que apresenta o menor preço e muitas vezes a qualidade não é boa.

Antigamente, quando não se tinha a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei das Licitações tinha-se a qualidade das empresas contratadas. Hoje, infelizmente, essas leis não dão tanta oportunidade de escolha do quesito qualidade. Não sendo a mesma coisa que contratar uma empresa e dizer quero azulejo de primeira, piso de primeira, sendo que pela qualidade pagávamos um preço um pouco maior.

JGB – Os projetos desenvolvidos para essas escolas são modernos e adequados a escola pública da atualidade?

José Raimundo – Sim. Todos os projetos que estamos desenvolvendo atendem, hoje, a educação moderna, ou seja, devem ter não somente salas de aula amplas e ventiladas, mas também a outra estrutura salas de informática, biblioteca, refeitório, sala dos professores, secretaria, sala da direção, sendo que o conjunto das obras que estamos realizando atende a todas essas necessidades.

JGB – O JGB agradece a sua entrevista e deixa com o senhor as últimas palavras.

José Raimundo – Agradeço pela oportunidade e parabenizo o trabalho que o Jornal Grande Bahia vem fazendo em Feira de Santana. Acima de interesses pessoais e sempre buscando o melhor para Feira. É a imprensa que faz por meio das críticas construtivas e sugestões com que melhoremos, cada vez mais, a qualidade da educação. Assim, somente tenho a agradecer e aguardar as sugestões e críticas da imprensa e da sociedade.

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9305 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).