Organizações internacionais denunciam assassinato de segundo jornalista brasileiro em menos de um mês

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas(CPJ) denunciaram ontem, 4 de maio de 2011, o assassinato do jornalista brasileiro Valério Nascimento, dono e diretor do jornal “Panorama Geral”.

Em nota, as entidades internacionais pediram às autoridades brasileiras uma investigação exaustiva, inclusive para verificar se Nascimento não foi morto em razão de sua atividade profissional. A polícia ainda busca informações sobre o caso, mas aponta a possibilidade de crime político ou de vingança, segundo o Estadão.

“As autoridades brasileiras devem investigar completamente o assassinato de Valério Nascimento, determinar se ele foi relacionado com o trabalho, e trazer os responsáveis à justiça”, disse Carlos Lauria, coordenador sênior do CPJ para as Américas.

Nascimento foi morto no quintal de sua casa no dia internacional da liberdade de imprensa, 3 de maio, por dois tiros, um na cabeça e outro nas costas. O Globo frisou que a última edição do Panorama Geral havia descoberto irregularidades na administração do prefeito de Bananal.

As entidades destacaram que este já é o segundo assassinato de um jornalista no Brasil em menos de um mês, após o ataque contra o repórter Luciano Leitão Pedrosa no dia 10 de abril em Pernambuco.

“Este assassinato nos lembra que o Brasil, apesar dos recentes avanços legislativos e esforços na luta contra a impunidade, continua sendo um país de risco para a profissão”, lamentou a RSF.

O jornalista Valério Nascimento foi encontrado morto na manhã desta terça-feira, 3 de maio, após ser baleado nas costas no distrito de Lídice, em Rio Claro, interior do Rio de Janeiro, informou o iG.

Valério era dono do Jornal Panorama Geral, presidente da associação dos moradores na região onde morava e já foi candidato a vereador por Angra dos Reis, de acordo com informações do Globo. Ele também passou pela Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro, entre 2003 e 2004, onde foi secretário do então presidente Fernando Avelino, acrescentou o R7.

Segundo a Polícia Civil, a causa da morte e o autor dos disparos ainda são desconhecidos. O corpo já foi liberado para o IML de Angra dos Reis e o enterro só deve acontecer amanhã, noticiou o Rio Sul Net.

Enquanto jornalistas latino-americanos denunciam novos ataques, levantamento ressalta riscos na região

Jornalistas de toda a América Latina aproveitaram o Dia Mundial da Liberdade de Imprensapara denunciar ataques contra repórteres e veículos de comunicação e pedir mais proteção. Enquanto isso, um novo levantamento mostrou que a região poderá se tornar a mais perigosa do mundo para o exercício da função.

Segundo a Instituto Internacional de Imprensa (IPI) e seu “Relatório Mundial da Liberdade de Imprensa 2010: Foco nas Américas”, 32 dos 102 assassinatos de jornalistas registrados em 2011 ocorreram na América Latina. A região está atrás apenas da Ásia – onde 40 profissionais perderam a vida no ano passado.

“Ameaças e ataques contra jornalistas, especialmente na América Latina, assim como pressões do governo e censura, foram problemas persistentes em 2010 e continuam preocupantes em 2011”, disse o estudo.

Na Colômbia, dezenas de repórteres, muitos deles em manifestações pelas ruas da principais cidades do país, pediram ao governo mais garantias para o exercício da função, em meio a crescentes ameaças de grupos paramilitares.

Segundo a Federação Colombiana de Jornalistas (FECOLPER), que convocou a chamada “marcha do silêncio”, em 2011 já foram registradas 56 agressões a jornalistas no país, entre elas duas tentativas de homicídio, informou a EFE.

No Peru, a Associação Nacional de Jornalistas informou que, em 2011, já foram cometidos 82 atentados contra jornalistas.

No México, um levantamento da Artigo 19 e do Centro Nacional de Comunicação Social (CENCOS) mostrou uma queda número de agressões contra jornalistas entre 2009 e 2010 (155, contra 244). No entanto, o documento enfatizou que não há motivo para comemoração. Enquanto a violência em alguns estados aumenta, diminuem as denúncias, em consequência da falta de investigação.

Em 2010, oito jornalistas foram assassinados no México e um permanece desaparecido. Em 2009, foram 11 mortos. Além disso, no ano passado, 6 profissionais foram sequestrados e outros 9 se exilaram.

O presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Gonzalo Marroquín, disse que o crime organizado e os governos autoritários são as principais ameaças à liberdade de imprensa, noticiou a ANSA. “Ambos pretendem limitar, restringir ou acabar completamente com o livre tráfego de informação que tanto os incomoda”.

Num passo importante, o presidente chileno, Sebastián Piñera, assinou a Declaração de Chapultepec, documento regional que lista 10 princípios fundamentais para ajudar a imprensa a cumprir seu papel na democracia. Piñera se comprometeu a continuar aumentando os níveis de transparência no país, acrescentou a SIP.

No dia mundial da liberdade de imprensa, Senado discute violência contra jornalistas brasileiros

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado promoveu hoje, 3 de maio, audiência pública para discutir a violência contra jornalistas, em comemoração ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, segundo a Agência Brasil.

O episódio protagonizado pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), que tomou o gravador de um jornalista e apagou o registro, foi apontado pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, Lincoln Macário, como um exemplo de violência contra os profissionais da imprensa, informou a Agência Senado.

Apesar das cobranças por punição, o presidente do Comitê de Imprensa do Senado, Fábio Marçal, disse não acreditar que a Casa tome alguma atitude contra Requião. “A nossa democracia é jovem e ainda há muito a fazer para se alcançar a liberdade de imprensa. Tenho certeza de que nenhuma providência irá ocorrer nesse episódio”, frisou.

O secretário de imprensa da Presidência da República, José Ramos, destacou que o país precisa estar atento aos casos em que a violência contra os jornalistas visa a dificultar ou impedir a divulgação de matérias com denúncias sobre atividades criminosas. “Nessa situação, o que se quer com a violência é manter uma conduta criminosa. Se isso não for combatido com rigor, levará a dano profundo e prolongado à sociedade”, disse, citado pela Agência Senado.

Entre os convidados estavam também o repórter fotográfico Victor Antônio Soares Filho, agredido enquanto realizava cobertura de operação da Polícia Federal, e o jornalista da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) Corban Costa, preso em fevereiro pela forças do então ditador egípcio, Hosni Mubarak.

Atualmente, encontra-se em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) o Projeto de Lei do Senado (PLS) 167/2010, que assegura prioridade no julgamento de crimes de homicídio praticados contra jornalistas em razão de sua profissão.

*Com informações do Knight Center

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