Especialista baiano adverte para os riscos do narguilé, modalidade de fumo que vem ganhando adeptos no Brasil, e para a necessidade de prevenção

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Além do dano à saúde, o dano ambiental também é considerável. Para cada 300 cigarros produzidos derruba-se uma árvore. Estima-se que 25 % dos incêndios são relacionados à baga de cigarro. Sete pessoas morrem diariamente vítimas do tabagismo passivo, que se constitui na terceira causa de morte evitável.

No próximo dia 31 de maio, comemora-se o Dia Mundial Sem Tabaco. O tabagismo mata atualmente cinco milhões de pessoas no mundo e 200 mil no Brasil, com previsão de aumento da mortandade para dez milhões em 2020. Por conta dessas estatísticas, a OMS considera o tabagismo a principal causa de morte evitável em todo mundo, representando um dos mais graves problemas de saúde pública dos tempos atuais. “O dia 31 de maio é uma data importante na divulgação e esclarecimento das doenças tabaco dependentes e uma grande oportunidade de divulgar a importância da abstenção do fumo, tanto para o paciente seus familiares e para o meio ambiente”, declara o pneumologista Guilhardo Fontes Ribeiro, doutor em Medicina Interna e professor adjunto da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

No dia 31 de maio, a convite da Secretária Municipal de Saúde, o pneumologista estará orientando a população e tirando dúvidas sobre tabagismo em evento realizado pelo órgão municipal, na Praça da Piedade, das 8 às 12 horas. No local, haverá gratuitamente realização de espirometria (exame de função pulmonar / capacidade respiratória) para fumantes com mais de 40 anos. Nos casos que forem identificados alteração do exame, os pacientes serão encaminhados aos centros de referência para tratamento gratuito. No dia 30, o médico Guilhardo Fontes Ribeiro também fará palestra aberta para a comunidade do Bairro da Paz para orientar sobre prevenção.

Uma modalidade de fumo aparentemente inocente, de origem oriental e que vem ganhando adeptos no Brasil principalmente entre os jovens, é o Narguilé, também conhecido com cachimbo d´água. De uso habitualmente coletivo, o narguilé contem concentrações variáveis de nicotina 2% a 4%, em comparação com 1 a 3% do cigarro. Uma sessão de narguilé dura em média 20 a 80 minutos e cada fumante inala 50 a 200 baforadas. No cigarro habitualmente inalam 8 a 12 baforadas. Resumindo, numa sessão de narguilé se inalaria a mesma quantidade de fumaça, que uma fumante inalaria se fumasse 100 ou mais cigarros. Isto faz com que os fumantes de narguilé e os fumantes passivos do grupo estejam em risco para as mesmas doenças dos fumantes, que todos já conhecem. Conclusão: narguilé não é uma brincadeira, pode induzir dependência e afetar seriamente a saúde, particularmente de quem tem rinite ou asma. Além de poder transmitir gripe, herpes, tuberculose e outra doenças infecciosas, já que a piteira é utilizada por várias pessoas simultaneamente.

Consequências do tabagismo

A constatação de que a nicotina é uma droga fez com que a OMS incluísse o tabagismo no grupo dos transtornos mentais e de comportamento decorrente do uso de substâncias psicoativos na Décima Revisão da Classificação Internacional das Doenças (CID – 10). A dependência à nicotina obriga os fumantes a se exporem cronicamente à cerca de 4.720 substâncias tóxicas, fazendo com que o tabagismo seja um fator causal de aproximadamente 50 doenças, entre elas, vários tipos de câncer (pulmão, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero), doenças do aparelho respiratório DPOC (enfisema e bronquite crônica), asma, infecções respiratórias, doenças cardiovasculares (angina, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, aneurismas, acidente vascular cerebral, tromboses).

O tabagismo influencia negativamente na saúde sexual e reprodutiva dos adultos nos seus vários aspectos, desde a impotência masculina, assim como reduz em 40% as chances da mulher engravidar.O vício tem se concentrado nas populações de baixa renda e nível de escolaridade inferior, que tem menor acesso à informação, educação e saúde. Segundo o Banco Mundial, o tabagismo agrava a fome e a pobreza, pois muitos pais de família deixam de alimentar seus filhos para comprar cigarros, devido à dependência da nicotina, sendo que em alguns países pobres é mais barato comprar cigarro que alimentos.

Além dos danosos efeitos para os fumantes, o tabagismo atinge também os não fumantes, os denominados fumantes passivos, com grande repercussão principalmente na saúde das crianças e idosos.

“O fumante é um dependente de nicotina que necessita de apoio e de respeito para superar a dependência química”, destaca o pneumologista. Para isso deverá receber tratamento médico especializado. O fumante deve procurar seu pneumologista, pois ele saberá como ajudá-lo a vencer esse desafio e esclarecer os enormes benefícios da abstenção do fumo.

O que fazer para amenizar e combater o tabagismo ?

Apesar de todas as campanhas e restrições ao fumo em locais públicos, o número de vítimas ainda é grande. O fumo mata mais que a soma das mortes causadas por AIDS, acidentes de automóveis, cocaína, heroína, álcool, suicídios e incêndios. Cerca de 100 mil jovens começam a fumar a cada dia no mundo, a grande maioria (90%) antes dos 19 anos de idade, sendo a idade média de iniciação aos 15 anos, numa fase de construção de personalidade em que estão susceptíveis as mensagens e exemplos ao seu redor.

O tabagismo tem prevenção com orientação sobre vida saudável ainda na primeira infância. O especialista também destaca a importância dos veículos de comunicação na conscientização contra o cigarro. “É preciso apagar da memória das pessoas a imagem que era muito difundida no passado das lindas e quase inesquecíveis propagandas de cigarro, sempre vinculada à imagem de homens e mulheres lindas e saudáveis em carros e lanchas dos sonhos. Ainda hoje, atores e atrizes famosos fumam no cinema e televisão constituindo-se num grande estímulo para os jovens.”, declara o médico.

A lei antifumo adotada em algumas cidades brasileiras completa dois ano de sucesso. Em Salvador, foi um grande avanço para preservação da saúde pública, com impacto social e econômico incalculável a curto e principalmente em longo prazo. Benefícios já tem sido observado nos funcionários de bares e restaurantes onde prevalece a lei anti-fumo.

Segundo o especialista, algumas medidas poderiam ajudar na prevenção ao tabagismo: proibir e fiscalizar a venda de cigarros até 100 metros próximos das escolas e faculdades; aumentar o preço do cigarro (cada 10% de aumento reduz o número de fumante jovens em 4%); atuar rigorosamente no contrabando do cigarro e não apenas da cocaína e maconha (afinal o cigarro mata mais do que maconha e cocaína juntas) para preservar a saúde da população.

“Todos profissionais da área da saúde e mesmo os professores e pessoas que exerçam cargo de liderança devem enfatizar as vantagens de deixar de fumar,” defende Guilhardo Fontes Ribeiro. É importante também esclarecer que existe tratamento especializado para esta grave doença, inclusive gratuito.

*Com informações: Carolina Campos | Jornalista

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