Chineses analisam sistema de produção de mudas do tabaco no Recôncavo baiano. SEAGRI dá amplo suporte técnico a missão internacional

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Chineses analisam sistema de produção de mudas do tabaco no Recôncavo baiano.
Chineses analisam sistema de produção de mudas do tabaco no Recôncavo baiano.
Chineses analisam sistema de produção de mudas do tabaco no Recôncavo baiano.
Chineses analisam sistema de produção de mudas do tabaco no Recôncavo baiano.

(Cruz das Almas – BA) – Depois de ter sido certificada pelo Ministério da Agricultura como área livre do Mofo Azul, praga que afeta a cultura do fumo, a produção de tabaco na Bahia vem despertando o interesse de chineses de diferentes províncias. Desde segunda-feira, (09/05/2011), até esta quinta-feira, (12/05), pesquisadores do país asiático estiveram no Recôncavo baiano para realizar visitas técnicas em municípios produtores do tabaco.

A comitiva apreciou a semeadura Brasil Bahia, uma variedade da folha que é própria para o inverno, observou as mudas em diferentes estágios e visitou fábricas e exportadoras nos municípios baianos de Cruz das Almas, São Félix e Governador Mangabeira.

“O estado baiano possui a maior população rural de todo o País e a agricultura familiar tem imensa participação nesse processo”, enfatizou o diretor da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Paulo Emílio Torres, que recepcionou os técnicos e pesquisadores chineses Luo Feng, Wu Pinshan e Zhao Wehjun.

Representando o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, que recepcionou a comitiva no domingo, (08/05/2011), e seguiu em missão de negócios para a Itália, o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, Raimundo Sampaio, destacou a importância de “se atingir cada vez mais a redução de custos na produção, melhorando a qualidade do produto e fixando o homem ao campo”. Ele mencionou o trabalho desempenhado pelo Estado em instalar fóruns consultivos para o fortalecimento da cultura do tabaco no Recôncavo. A Bahia ocupa a 2ª colocação no ranking de produção do tabaco do Nordeste.

“A partir dessas visitas, os chineses poderão se impressionar com o nível de produção e a segurança que oferecemos ao produto que produzimos. O Brasil é um grande jogador do comércio internacional de produtos agrícolas e o nosso papel é apresentar a eles as condições de ofertar o produto com a garantia fitossanitária”, salientou o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura, Cósam Coutinho, ao justificar a vinda da Missão chinesa à Bahia. Ele também destacou a Adab como uma das mais importantes empresas de defesa sanitária do País. “O Ministério coordenou a missão, mas a Adab, vinculada à Secretaria da Agricultura, gerou os relatórios que foram encaminhados ao governo chinês”, concluiu, dizendo que é um trabalho de várias mãos.

Mofo Azul – O agente causador do Mofo Azul do Tabaco é a Peronospora tabacina. A doença causa o aparecimento de manchas amareladas de tamanho variável, podendo atingir uma região de até 3 centímetros de diâmetro na parte superior das folhas jovens. Na parte inferior da folha existe uma leve pubescência branco – acinzentada com reflexos azulados, o que denomina a doença. Também podem aparecer sintomas sistêmicos, que causam deformações nas folhas e no broto terminal.

“De 10% das lavouras visitadas, 10% de amostras precisam ser avaliadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A partir desta coleta, o material é encaminhado para análise no laboratório de fitopatologia da própria Embrapa, em Cruz das Almas”, explicou o fitopatologista da Embrapa, Fernando Haddad, lembrando que esse é o único laboratório na Bahia credenciado pelo Ministério da Agricultura para a análise da praga. Os chineses conheceram na tarde desta quarta-feira, (11/05), o plano de trabalho da Embrapa, os 12 laboratórios da Empresa e realizaram análises visuais do material coletado.

Segundo informações do coordenador do mercado de charutos e cigarrilhas da fábrica Dannemann, Geraldo Menezes, o tabaco é uma cultura agrícola não alimentícia que contribui para a economia de mais de 100 países. A fábrica, localizada em São Félix, pertence ao grupo Danco, que possui uma plantação anual de seis milhões de mudas.

As 20 mulheres que trabalham 40 horas semanais na Dannemann, conhecidas como charuteiras, conseguem produzir 100 charutos ao dia. A charuteira Jucélia de Jesus, 51 anos, trabalha na fábrica há 25 e garante não ser um trabalho escravo. “Mesmo sendo viúva, pude sustentar meus cinco filhos. Meu esposo faleceu e não deixou nada, mas encontrei na atividade do charuto um meio de viver bem. Antes de começarmos a trabalhar, temos aula de ginástica laboral e eu consigo produzir mais no decorrer do dia”.

O prefeito de Cruz das Almas, Orlando Peixoto, destacou o tabaco como a cultura agrícola que mais gera emprego na região e considerou importante estabelecer boas relações com a China para empregar mais pessoas. Engajada na atividade do tabaco há 50 anos, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Fumo, Josenita Salomão, acredita que “vindo a exportar o tabaco em quantidade para a China, as portas serão abertas para outros países importarem a matéria-prima, bem como o produto final, neste caso, o charuto. São 14 mil agricultores familiares envolvidos desde o plantio até o beneficiamento da produção do fumo na região, sendo 90% mulheres”, pontuou, com a ressalva de que o fumo oferece retorno financeiro imediato.

Representando os empresários do segmento, o presidente do Sinditabaco, Carlos Becker, comparou a economia da China a um gigante, e destacou o Brasil como rico e grandioso. “A nossa expectativa é a inclusão da Bahia no acordo bilateral para que o povo chinês tenha a oportunidade de experimentar os charutos que produzimos”.

A produção de tabaco na Bahia é predominante na região do Recôncavo, principalmente na cidade de Cruz das Almas. A Bahia produz três tipos de tabaco (Brasil, Sumatra e Cuba), voltados para a fabricação do charuto. O plantio de pequenos produtores ocorre no mês de junho e a primeira colheita em agosto. Acabada a colheita seguem as etapas da secagem, pré-fermentação, estoque, fermentação e comercialização. O secretário executivo da Câmara Setorial do Charuto, Osvaldo da Paz, acredita na revitalização da cultura do tabaco como o grande trunfo da Bahia nesse acordo bilateral entre a Bahia e China. “A Bahia sendo incluída, haverá abertura do mercado, com geração de trabalho e renda para agricultores”.

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