Varandear

Juarez Duarte Bomfim.
Juarez Duarte Bomfim.

Luciano Ferreira é um daqueles bons amigos que nos cumprimentam com largo e gentil sorriso nos lábios, aprendidos num tempo da delicadeza. E tem sempre uma novidade, um sonho, um projeto para compartilhar

Poetas, seresteiros, namorados correi… nós que andávamos como que deserdados, quiçá órfãos, de memoráveis noites de luar das “Quartas Culturais” na outrora Barraca de Luciano, já temos novamente um pouso da palavra aqui em Salvador.
É a Varanda de Luciano. Ele mesmo, Luciano Serva Ferreira, almirante das areias do mar da Bahia, economista de profissão e barraqueiro de vocação, agora em exitosa versão varandal.

Na última sexta-feira (15/04/2011), deixei a lua acesa e fomos visitar o amigo no happy-hour de sua Varanda, no praieiro bairro de Stela Maris.

Atendíamos à convocatória que alguns poucos privilegiados recebem, por e-mail, dos eventos varandais. Esta mensagem, por si só, é uma interessantíssima peça literária, escrita a quatro mãos, pois além das coordenadas lucianísticas, nota-se a criativa verve de célebre apocalíptico best seller, a grande ameaça branca.
É um texto barroco-rococó, uma espécie de bula ou etiqueta de como o cliente amigo deve se comportar ao frequentar a Varanda. Interessantíssimo, repito.

Logo à entrada fomos envolvidos por prazerosa música executada por um virtuoso e eclético trio, formado pela voz de Tereza Tandroff , Washington ao violão e Oliveira na gaita. Para gáudio dos artistas, o seleto público olvidou da recomendação de só aplaudir ao final da noite — zelo lucianístico para com a sua vizinhança — e efusivamente ovacionava cada bolero, bossa nova ou fado português executado.
A seguir, fomos muito bem recebidos pelo simpático anfitrião. Ah e como não registrar a candura da anfitriã, a Sentelha que acendeu o sexagenário coração de Luciano, já no segundo ano de idílio, que mais parece a eternidade — assim como o verdadeiro amor.

Luciano Ferreira é um daqueles bons amigos que nos cumprimentam com largo e gentil sorriso nos lábios, aprendidos num tempo da delicadeza. E tem sempre uma novidade, um sonho, um projeto para compartilhar.
E na sua voz mansinha, de repente nos envolvia em um incerto e ambicioso projeto literário baseado em importantes e raras cartas garimpadas por ele em inusitados e imprevisíveis logradouros, que lhe fez sonhar com a idealização comemorativa dos “10 anos Sem o Professor Milton Santos”. Assim é Luciano.

Corria a noite e nos deliciávamos com o luau musical regado a pititinga e agulhinha frita. Abstêmio, molhava a garganta com abacaxirosca sem álcool, enquanto os convivas das mesas ao lado sorviam grandes goles de cerveja e destilados.
Agradáveis bate-papos com velhos e novos amigos nos entretinham. Velhos amigos é apenas uma forma de dizer, pois as senhoras amigas presentes estavam muito bem apresentáveis e sempre bonitas e joviais.
Ao nos despedir da prazerosa noitada fui novamente lembrado por Luciano das célebres cartas do incerto e improvável projeto… improvável, mas vale a pena sonhar.

Deixarei
a lua acesa
na varanda.
(Damário Dacruz)

*Com informações: Juarez Duarte.

Sobre Juarez Duarte Bomfim 741 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]