Tarcízio Pimenta em entrevista: a Micareta tem que se popularizar mais, sair das cordas. Estamos abrindo a Micareta, trazendo grandes bandas

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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O prefeito de Feira de Santana Tarcízio Pimenta concedeu entrevista ao diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto e ao editor, Sérgio Jones. A entrevista foi realizada na quarta-feira (13/04/2011), no Museu Parque do Saber.

Ela foi dividida em dois blocos. Na primeira parte, Pimenta aborda: a importância da viagem aos Estados Unidos; descreve encontro com o ex-presidente Lula; fala sobre as visitas que tem feito às agências de fomento financeiro. O prefeito também comenta sobre as atrações para a Micareta 2011, além dos projetos que vem executando, e declara: “O governo não está pensando em obras faraônicas, ele está pensando com o pé no chão. Ele está pensando no cidadão que precisa ter a sua vida melhorada. A gente tem que trabalhar, muitas vezes, no essencial, no básico”.

JGB – O senhor acaba de regressar dos Estados Unidos o que o cidadão feirense pode abstrair de sua viagem aos EUA?

Tarcízio Pimenta – Primeiro gostaria de dizer que a viagem não foi de turismo, nem foi a passeio, muito menos de férias. Eu devo ter 30 anos de trabalho sem nunca ter tirado um mês de férias. Na minha labuta de médico e no meu dia-a-dia não me foi permitido tirar sequer uma semana de férias. Então, essa foi uma viagem de trabalho.

Não me ofereci para participar do evento. Fui convidado pela maior empresa do mundo a Microsoft para participar desse evento. Um fórum de cunho internacional em que mais de 40 representações de países estavam lá, por meio de presidente, vice-presidentes da república, ministros de estado, empresários, executivos de empresas importantes.

Nesse fórum assuntos de máxima importância foram tratados lá. Não só pensando agora, mas pensando a médio e longo prazo. Então, Feira de Santana se destacou nesses programas digitais na área de educação e saúde principalmente, sendo que lá o tema era pertinente porque o fórum estava muito voltado para área de educação. Investimentos em Tecnologia da Informação (TI) voltados para educação.

Facilitar o acesso aos computadores para alunos e professores de escola pública, banda larga socializada para todos, a questão da internet nas nuvens que diz respeito ao poder condensação de dados em provedores associados, sendo isso um facilitador da vida dos estados e países pobres, que não tem capacidade de investir em tecnologia com equipamentos próprios, sendo que essa tecnologia vai franquear a internet banda larga com mais facilidade.

Então, isso são coisas importantes que podemos ter aqui. Além disso, apresentamos ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) projetos de saneamento, educação, medicina preventiva que já estão sendo avaliados pelo próprio BID. O facilitador disto foi justamente o fórum. Imagine a dificuldade que teríamos para marcar uma audiência com o presidente e os técnicos do BID.

Agora mesmo por meio do fórum vamos à São Paulo trocar experiências com instituições paulistas nessa área que é um estado importante da América do Sul e que sempre tem o pioneirismo nessas ações. Nesse sentido, vamos integrando e avançando nessas questões. Eu acho tudo isso nos traz a seguinte expectativa: Feira existe, ela pode crescer, pode se projetar e é um grande munícipio e está sendo visualizada hoje!

JGB – Relatórios da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que populações que não tiverem internet terão dificuldades em ter pessoas bem educadas. O senhor acredita que houve avanço nesse quesito no seu governo?

Tarcízio Pimenta – Eu acredito que sim. Quantas crianças, em fase escolar, jamais pensaram em ter acesso, ver, ou tocar num computador? Essas crianças hoje podem e vão ter condições de acessar mais e de ter um curso inicial de TI porque vamos facultar a maioria, cursos básicos de informática com a chancela da Microsoft, inclusive.

O aluno tanto da rede pública, como da rede estadual vai poder se inscrever em cursos básicos e ter no período de 30 dias o seu certificado. Isso vai dar para esse aluno a certeza de que ele está começando. Nesse momento já temos, nesse primeiro momento, 400 alunos da rede pública de ensino inscritos, que farão esses cursos no Centro Municipal de Informática que nós vamos inaugurar nos próximos dias.

JGB – Ainda falando da sua visita aos EUA o senhor esteve com o ex-presidente Lula. Como foi esse encontro?

Tarcízio Pimenta – O encontro foi muito bom, muito agradável. Tivemos com o ex-presidente Lula em duas oportunidades no primeiro momento num jantar oferecido para os participantes e para a minha surpresa confesso que não esperava aquilo os executivos da Microsoft me convidaram para ir à mesa do presidente Lula. Ao chegar o presidente Lula estava sentado, sem o assédio de ninguém, na companhia do presidente da Microsoft no Brasil e com o presidente da Microsoft da América Latina.

As palavras dos executivos da Microsoft que me acompanharam a mesa do ex-presidente foram curtas e objetivas: Ex-presidente Lula o prefeito de Feira de Santana tem hoje um dos melhores programas digitais do Brasil. Nós queríamos que o senhor o conhecesse.

O ex-presidente levantou me abraçou e disse: Prefeito é muito importante investirmos em tecnologia. Lembrou-se de Feira de Santana porque já esteve aqui em várias oportunidades e disse: fico muito satisfeito de saber que o nordestino está aqui, que a Bahia está representada e que Feira de Santana se destaca nessa área.

Abraçou-me, tiramos uma foto juntos, ele continuou no jantar e eu disse: presidente amanhã eu gostaria que o senhor me facultasse a possibilidade de lhe entregar esse projeto. Ele disse pode me entregar amanhã durante a palestra. E dessa forma foi feito.

No outro dia, quando ele veio fazer a palestra dele eu peguei o material que levei, o material preparado pela fundação Egberto Costa, e entreguei nas mãos dele todo o projeto digital de Feira de Santana.

JGB – O senhor tem visitado algumas agencias de fomento financeiro como o DESENBAHIA (Agência de Fomento do Estado da Bahia). Ao mesmo tempo o senhor encomendou um estudo sobre a infraestrutura de Feira de Santana. O que as suas visitas a essas agências podem resultar de prático?

Tarcízio Pimenta – As visitas são sempre acompanhadas de projetos. A gente não pode apenas chegar para conversar ou gastar tempo em vão. Temos que ter praticidade. O que tem de projeto leva projeto e o que não tem qual é a direção. É isso que tem sido feito no DESENBAHIA, como em outras instituições financeiras.

JGB – O senhor tem expectativa de em quanto tempo ter o resultado de aprovação ou reprovação dessas agências?

Tarcízio Pimenta – Estão andando, alguns já estão em execução. Por exemplo, com a CAF (Corporação Andina de Fomento) nós temos projetos desenvolvidos para viadutos, passarelas e eles estão sendo gestados e nos próximos 60 dias, vamos ter muitos projetos prontos para serem encaminhados. Agora mesmo, definimos um projeto de ampliação da rede de água do distrito de Ipuaçu, sendo quase duas mil famílias beneficiadas com água da EMBASA (Empresa Baiana de Águas e Saneamento Básico).

Fizemos esse projeto e já pagamos o projeto e vamos fazer com que essa parceria com a EMBASA possa vingar em nível de conclusão desse projeto, pois ainda têm em Ipuaçu pessoas que bebem água suja, água da cacimba, água do poço.

Além disso, estamos avançando no projeto de saneamento de Bonfim de Feira. Não estamos somente preocupados com a sede. Já estamos com técnicos trabalhando para fazer o esgotamento sanitário de Bonfim de Feira, primeiro distrito de Feira de Santana a ter um projeto de esgotamento sanitário. Isso vai sair do meio governo.

O governo não está pensando em obras faraônicas, ele está pensando com o pé no chão. Ele está pensando no cidadão que precisa ter a sua vida melhorada. A gente tem que trabalhar, muitas vezes, no essencial, no básico.

JGB – A Micareta se aproxima. Quais novidades o feirense pode ter para essa Micareta de 2011?

Tarcízio Pimenta – A Micareta de Feira esse ano vai ser uma Micareta diferente. Eu acho que cada vez a Micareta tem que se popularizar mais, sair das cordas. Então, estamos abrindo mais a Micareta, levando grandes bandas, grandes músicos de renome nacional e internacional para a rua e abrindo mais o espaço público. Para se ter uma ideia esse ano no canteiro central não vai ter praticamente nada, o que vai abrir a avenida.

Vamos ter bandas grandes como Chiclete com Banana, Claudia Leite, Daniela Mercury, vamos ter uma serie de artistas de renome, que carregam um grande público. Ao carregar um grande público precisaremos de espaço.

JGB – E os artistas da terra prefeito, como ficam?

Tarcízio Pimenta – Serão valorizados como sempre tem sido. O que precisamos é ser prático, objetivo e ter acima de tudo a percepção de que numa festa como essa aqueles que se deliberam a ficar em Feira de Santana ou vir para Feira querem ver grandes artistas. Querem ver artistas que somente podem ver ali. Os artistas locais participam dos eventos quase que rotineiramente na cidade. Mas, também não se pode tirar o direito desses artistas se apresentarem para grandes públicos.

Nós estamos fazendo uma seleção em que as inscrições já foram feitas. Agora, temos que ter prudência, pois infelizmente tem pessoas que acham que reunir três ou quatro pessoas e formar uma banda, banda de última hora, faltando 10, 15 dias vai obter sucesso. No entanto, eles não vão obter sucesso. Então, é uma situação de conflito até. Assim, é melhor se prepararem mais, participarem de outros eventos e começarem a se lançar no mundo artístico com mais segurança e aí vão obter melhores resultados.

JGB – Onera muito o município essas contratações de artistas renomados?

Tarcízio Pimenta – Nós não queremos destoar das micaretas anteriores por isso mesmo vamos condensar mais. Eu trabalho na seguinte vertente: mais qualidade, menos quantidade. Essa é a visão que temos agora. Ao contrário de colocarmos 200 bandas, colocamos 70 com qualidade aí reduzimos os custos e compensamos. É dessa forma que trabalhamos.

Leia a segunda parte da entrevista:

Tarcízio Pimenta em entrevista declara sobre o Democratas: Eu não posso ficar em uma casa, onde a casa não me quer

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Sobre Carlos Augusto 9610 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).