PIB deve manter ritmo de crescimento de 2010 este ano e inflação pode passar do centro da meta, diz Ipea. Confira as notícias sobre economia

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) previu para 2011 um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4% e 5%. Já a inflação deve registrar crescimento de 5% a 6%. As projeções fazem parte da Carta de Conjuntura, divulgada hoje (13/04/2011) na sede do instituto, no Rio.

De acordo com o coordenador da pesquisa, Roberto Messenberg, do Grupo de Análise e Previsões (GAP), as medidas tomadas pelo governo para evitar um possível descompasso entre a oferta e a demanda e o menor impulso do setor fiscal vão contribuir para a redução do ritmo de crescimento do nível de gastos.

“O consumo das famílias deve continuar elevado por causa do aumento do emprego, da renda e da expansão do crédito, mas de forma mais moderada que no ano passado”, estimou. Messenberg acredita que o endurecimento da política monetária deve contribuir para que a trajetória do PIB, em 2011, se aproxime da que foi observada no segundo semestre de 2010.

Em relação à inflação, o resultado aparece acima do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (4,5%), porém abaixo do limite superior (6,5%). Essa previsão deve-se, sobretudo, segundo o IPEA, à pressão das commodities agrícolas ao longo do ano, ao recente aumento do petróleo no mercado internacional e à resistência da queda da inflação de serviços.

Messemberg, no entanto, descartou qualquer possibilidade de hiperinflação. “Não existe nenhuma possibilidade da taxa de inflação sair fora de controle. Essas especulações fazem parte de uma estratégia terrorista de instituições financeiras para abortar a agenda do governo que visa a atender aos anseios da sociedade como um todo e não de uma minoria”.

A inflação deve desacelerar no último trimestre do ano, segundo as projeções do Ipea, como resultado do desaquecimento da economia interna, motivada por políticas mais austeras, tanto monetárias quanto fiscais, além de reajustes menores dos salários e do nível da taxa de câmbio.

Ainda segundo o estudo, o saldo da balança comercial será menor que o de 2010. A previsão é de um avanço do déficit em conta-corrente entre US$ 73 bilhões e US$ 603 bilhões este ano. O alto nível de liquidez internacional, com juros mais favoráveis em relação à economia brasileira, vai possibilitar, de acordo com o estudo, um fluxo de capitais estrangeiros capaz de financiar este crescimento.

Em março de 2011, a balança comercial apresentou resultado de US$ 1,55 bilhão, montante 131% superior ao superávit do mesmo mês de 2010, porém 9,9% inferior ao resultado de fevereiro. Já a taxa de câmbio deve permanecer baixa.

A Carta de Conjuntura é uma publicação trimestral que acompanha a conjuntura econômica brasileira por meio de seus principais indicadores. A publicação traz dados, estimativas e análises sobre o nível de atividade econômica (demanda, oferta, produção industrial e comércio), emprego, inflação, setor externo (balança comercial, balanço de pagamentos), crédito e mercado financeiro (política monetária e taxas de juro, mercados de capitais e de crédito) e finanças públicas.

Rápido aumento de crédito deixa Brasil vulnerável, diz FMI

A aceleração do crescimento do crédito em países emergentes, como o Brasil, aumenta a vulnerabilidade e o risco de superaquecimento na economia, de acordo com um documento divulgado hoje (13) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo o Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global (Global Financial Stability Report), lançado em Washington, de 2007 a 2010 os empréstimos bancários em economias emergentes, sobretudo na América Latina e na Ásia, cresceram em um ritmo mais forte do que nos cinco anos anteriores à crise financeira mundial.

De acordo com o FMI, os principais bancos no Brasil e na China expandiram seus balanços patrimoniais em mais de 100% no período, atingindo tamanho comparável ao de grandes bancos nos Estados Unidos e na Europa.

O crescimento acelerado do crédito, diz o relatório, trouxe consigo um aumento da vulnerabilidade dos bancos e dos riscos de deterioração na qualidade do crédito.

Uma série de medidas foi adotada no Brasil desde o ano passado na tentativa de conter esse crescimento. Apesar dos esforços, dados do próprio Banco Central indicam que o crédito continua crescendo no país.

O FMI voltou a alertar para as pressões inflacionárias em países emergentes que, como o Brasil, registraram crescimento “vigoroso” após a crise mundial – ao contrário do ritmo lento apresentado pelas economias avançadas.

Segundo o documento, esse bom desempenho veio acompanhado de maiores entradas de investimentos em carteira que estão exercendo pressão sobre alguns mercados financeiros emergentes e podem contribuir para o surgimento de bolhas nos preços dos ativos e pressões inflacionárias.

Atividade econômica cresceu 0,32% em fevereiro, mostra BC

O nível de atividade econômica do país aumentou 0,32% em fevereiro, comparado ao mês anterior. Em relação a fevereiro do ano passado, o crescimento chegou a 3,77%, de acordo com números divulgados hoje (13) pelo Banco Central (BC).

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) ficou em 142,14 pontos, ante 141,69 pontos em janeiro deste ano e 136,97 pontos em fevereiro de 2010. Com isso, a expansão da produção acumula 6,83% nos 12 meses encerrados em fevereiro.

Criado pelo BC para antecipar os resultados aproximados do Produto Interno Bruto (PIB) – soma das riquezas e serviços produzidos no país –, o IBC-Br é mais um dos parâmetros considerados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na hora de definir os rumos da taxa básica de juros (Selic).

O IBC-Br incorpora e sintetiza informações sobre os diferentes setores da economia, como indústria, serviços e agropecuária, na tentativa de antecipar a evolução da atividade econômica. A projeção se assemelha ao número consolidado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o PIB, divulgado posteriormente e com edição trimestral. O IBC-Br é mensal e, de acordo com a autoridade monetária, não mede nem projeta o PIB.

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