Peregrinando pela Terra Santa

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Nossa correspondente internacional, a amiga Edvalda Bomfim, nos envia notícias das terras e mares onde Nosso Senhor Jesus Cristo andou

Peregrinando pela Terra Santa, por Edvalda Bomfim

A impressão que se tem de Israel como um lugar perigoso para se visitar vai desaparecendo nos primeiros contatos e na percepção de civilidade e segurança que esse pequeno país inspira aos seus visitantes. Israel tem uma área geográfica que corresponde ao estado de Sergipe e conta com uma população de 6 milhões de habitantes. O índice de analfabetismo é zero e o país possui o maior índice de diplomas universitários e artigos científicos, bem como, prêmios Nobel per capita do mundo. Eu, minha filha e sua família, acompanhados por guia israelita, falando português, peregrinamos por essa terra milenar, rica historicamente e carregada de simbolismo de fé, principalmente para os cristãos por ter sido ali que nasceu, viveu e morreu Jesus Cristo.

A nossa primeira parada foi em Tel–Aviv, uma cidade moderna, com ares europeu, capital financeira do país, considerada a mais cara do Oriente Médio e que tem a maior concentração do mundo de prédios no estilo alemão Bauhaus (pequenos edifícios em forma de caixas com o teto branco). A antiga Jaffa, com seus milenares anos de história foi incorporada à cidade, como se fosse o seu Centro Histórico. É um local que chama a atenção pela conservação do patrimônio arquitetônico e pela quantidade de prédios com fachadas de pedra e galerias de arte espalhadas pelas estreitas ruas da antiga vila. Do ponto de vista bíblico Jaffa é citada como o lugar de uma ressurreição realizada por Pedro quando ali viveu.

O roteiro seguinte nos levou a Haifa, uma linda cidade construída nas encostas do Monte Carmelo e onde se encontra o túmulo do Profeta Elias. Também ali está um dos mais bonitos templos, com seus lindos jardins, da Fé Bahai. Uma fé que se intitula mundial e que não possui dogmas, rituais ou sacerdócio, tendo sido fundada na Pérsia, hoje Irã, em 1844. O conceito da humanidade como uma única raça e a construção de um civilização global que respeite a unidade na diversidade é a essência da Fé Bahai. Ah! Fomos informados e comprovamos que em Haifa se toma o “melhor suco de laranja do mundo”.

De Haifa passando pela cidade de Acre, capital das Cruzadas, seguimos em direção à Hosh Hanikra, na fronteira com o Libano, para visitar um espetacular conjunto de grutas, criado após milhares de anos de interação entre o mar e a rocha e que tem como único acesso uma longa e íngreme descida de teleférico pelas encostas do mar Mediterrâneo. Continuando, fizemos um pernoite em um confortável Hotel dentro de um kibutz e no dia seguinte seguimos em direção a Galileia uma região de terras bíblicas e de colinas entre elas o Monte Tabor local que segundo os Evangelhos ocorreu a transfiguração de Jesus Cristo.

Na Alta Galileia visitamos as Colinas de Golan, cenário da Guerra dos Seis Dias, em 1967. As colinas pertenciam a Siria e foram ocupadas por Israel pois devido a sua altitude, visibilidade geografica e abundância de água é considerada uma região estratégica. Com a visita a um dos memoriais e a uma casamata (instalação subterrânea com o teto em forma de abóbada onde os soldados se protejem do ataque inimigo) foi possível conhecer de perto resquícios dos horrores dessa guerra.
O serviço militar em Israel é obrigatório por três anos e para ambos os sexos. É uma cena comum encontrar pelas ruas jovens adolescentes que nem sequer ainda tem barba e meninas que parecem que ainda brincam de boneca, com suas fardas esverdeadas portando um fuzil nas costas. Eles levam as armas para casa e dizem que dormem com elas ao lado da cama. Por medida de segurança com certeza, pois Israel devido aos seus conflitos com os palestinos vive em constante estado de alerta, contudo, o visitante pode usar publicamente sua câmera fotográfica e seu celular sem nenhuma preocupação de ser assaltado.

Chegamos a Cafarnaun a cidade de Jesus. As ruínas da casa de Pedro, o pescador da Galileia e a Sinagoga onde Jesus pregava ainda estão lá. A pedra que simboliza a afirmação de Cristo a Pedro: “Sobre esta pedra edificarás a minha Igreja” também. Sabemos que mesmo negando Cristo por três vezes Simão Pedro foi o primeiro Papa da Igreja Católica. Foi em Cafarnaun que para saciar a fome de uma multidão, houve a multiplicação dos peixes e dos pães. No piso do Santuário tem um mosaico com a representação de cinco pães e dois peixes, no lugar exato do milagre e diante desses registros vivos é comum ver-se peregrinos que rezam, choram e saem em silêncio. Antes da visita ao tradicional local do batismo no Rio Jordão, passamos por Caná da Galileia onde Cristo transformou 6 talhas de água em vinho no casamento de primo Judas Tadeu.

Continuando, chegamos a região do Mar Morto a exatamente 421 metros abaixo do nível do mar, o lugar mais baixo do planeta e onde o ar tem 6% a mais de oxigênio do que em qualquer outro lugar do mundo o que segundo informações relaxa o sistema nervoso tornando aquela atmosfera única. A elevada concentração de sal em um mar que não tem vida faz com que a pessoa que se banha na água, flutue e relaxe. Tudo isto e mais a rica arquitetura do complexo hoteleiro, as imensas montanhas de calcário desérticas e coloridas pela luz do sol que margeiam as águas do lado israelense e jordaniano dão aquele lugar uma aparência sobrenatural, celestial.

A região do Mar Morto também é rica historicamente. Foi ali que foram encontrados os rolos de pergaminhos, documentos escritos por volta III Século a.C em hebraico, araimáico, e grego, atribuídos aos essênios e que hoje enriquecem o acervo do belíssimo Templo dos Livros em Jerusalém. No Mar Morto se situa ainda as bem conservadas ruínas da fortaleza de Massada, construída pelo Rei Herodes para ser um local seguro de descanso. No topo de uma montanha, acerca de 400 metros acima do deserto, pesquisas arqueológicas trouxe a tona espaçosos palácios, casas de banho, depósitos para armazenamentos de mantimentos e cisternas para reservatório de água.

Massada veio a se tornar cenário de um dos mais dramáticos episódios da História Judaica: o suicídio coletivo de cerca de 1000 judeus, incluindo mulheres e crianças, que viviam na fortaleza, rebelados em razão de não aceitarem o domínio romano. Ao perceberem que um contigente de 15 mil homens do exército romano tinham finalmente conseguido construir uma via de acesso ao monte e para não caírem em suas mãos, cometeram um suicídio coletivo. Cada judeu primeiro matou a sua família e os homens mediante sorteio mataram-se uns aos outros. Assim quando os romanos chegaram ao topo só encontraram os cadáveres. Quem sobrou para contar esta história, narrada posteriormente pelo historiador Josephus, foram duas mulheres e cinco crianças que se esconderam em um cisterna.

Finalizando nosso roteiro, chegamos à linda Jerusalém, a cidade sagrada para árabes, judeus e cristãos. Capital de Israel, um museu a céu aberto com seus tesouros espirituais e históricos. Um verdadeiro mosaíco de manifestações religiosas cultuadas em sinagogas, igrejas e mesquitas. A cidade velha, cercada de altos muros é patrimônio da humanidade e seus enormes portões acolhem levas de peregrinos que ali chegam movidos pela fé e para contemplar a Via Dolorosa, a Igreja do Santo Sepulcro, o Muro das Lamentações, a Grande Mesquita, e outros tantos lugares sagrados. A impressão que fica é que esta parte de Jerusalém está coberta de santificações, do sobrenatural.

O mundo possui uma infinidade de lugares bonitos que fascinam e encantam, mas ao meu ver, Jerusalém é única, é um cenário que combina beleza, fé e história com fortes emoções. Após a visita ao Museu do Holocausto com sua arquitetura e seu projeto museológico de vanguarda que perpetuará à memória de milhões de judeus assassinados, pegamos o vôo de volta ao Brasil, com parte da minha alma transformada.
Shalom.

*Com informação Edvalda Bomfim

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Sobre Juarez Duarte Bomfim 756 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: juarezbomfim@uol.com.br.