Marcelino Galo | Tragam seus filhos para comerem do filé, provoca o deputado, sobre alimentos servidos ao MST na SEAGRI

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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“Convido os filhos e filhas dos deputados da oposição para comerem o filezão e usarem o banheiro químico lá na Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri), junto com os trabalhadores rurais do MST, um luxo só”. Assim o deputado petista Marcelino Galo cobrou da oposição, durante sessão plenária nesta segunda-feira (18/04/2011), o mínimo de dignidade para as famílias que estão debaixo da lona preta por vários anos.

O parlamentar também citou detalhes de sua viagem ao Pará, neste final de semana. “A Vale do Rio Doce, instalada no município de Marabá, no Pará, tem um lucro anual de 28 bilhões e não paga impostos. Não paga por ser uma decisão do governo Fernando Henrique Cardoso que privatizou a Vale”, afirma Galo que acredita que a forma de lucrar da empresa acaba por destruir a vida social do município, tanto que a cidade de Marabá é uma das mais violentas do estado, com pobreza extrema e grande número de extermínios de adolescentes.

Ao rebater as críticas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) lembrando deste caso grave, uma espécie de “bolsa elite” que auxilia os 60 mil acionistas americanos que lucram com os minérios extraídos pela Vale no Pará, o deputado estadual defendeu a doação de alimentos ao MST que estão jogados, sem acesso à alimentação e à moradia e sem segurança alimentar e nutricional, e, principalmente, sem terras para produzir.

Galo lembrou que os membros do MST sobrevivem debaixo das lonas pretas, na beira das rodovias, há anos. Na Bahia existem acampamentos que há mais de 10 anos esperam pela oportunidade de poder produzir em suas próprias terras. Segundo ele, as condições de vida subumanas e o que o governo faz ao receber o movimento é apenas uma ação humanitária. Para Galo, com a reforma agrária esses trabalhadores estariam produzindo, morando em suas casas, com alimentação de qualidade, sem agrotóxicos e elevando assim sua renda e garantindo alimentação na cidade.

“A Reforma Agrária ajudaria a diminuir mazelas sociais como a fome e a pobreza extrema. O Assentamento 17 de abril, no Pará, por exemplo, possui 690 famílias, com 25 hectares cada, produzindo alimentos que correspondem a 20% do abastecimento do mercado local, comprovando a importância da reforma no campo”, completa.

Galo participa de atividades em Eldorado dos Carajás

O deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Marcelino Galo, participou ontem (domingo, 17 de abril) de uma série de atividades em Eldorado dos Carajás, no Pará, que lembrou as vítimas do massacre de 1996, quando 22 trabalhadores rurais sem terra foram brutalmente assassinados e outros 69 ficaram feridos. Galo falou para mais de 2,5 mil pessoas durante ato político e caminhou com militantes e representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). A caminhada começou na antiga fazenda Macaxeira, hoje Assentamento 17 de abril, e foi até a Curva do S, local onde aconteceram os atentados.

“Cobramos a punição aos responsáveis por esse massacre, que completa 15 anos de impunidade, e o avanço na consolidação de políticas públicas que acelerem a reforma agrária no Brasil. Para ter uma ideia da importância da reforma no campo, cito o Assentamento 17 de abril, que mantém 690 famílias produzindo alimentos e que hoje já correspondem a 20% do abastecimento do mercado local. Para isso, cada família possui propriedade de 25 hectares”, salienta Galo. O deputado ainda diz que “com a reforma agrária a demanda da cidade será coberta pela produção dos assentados, o que hoje não acontece nos estados brasileiros”.

As ações no Pará fizeram parte do Abril Vermelho no Brasil e começou no domingo pela manhã com a realização de uma missa em memória das vítimas de Eldorado dos Carajás. Ainda durante a programação do dia, aconteceram shows de artistas regionais e uma apresentação nacional com rappers de São Paulo, que cantaram músicas lembrando do massacre. O parlamentar petista retorna à capital baiano ainda nesta segunda-feira (18/04) para acompanhar o final das negociações com o MST e o governo do Estado.

Justiça com punição

Às famílias das vítimas e aos sobreviventes do massacre, resta apenas a luta pela punição dos culpados, cada vez mais distante, e a ferida jamais cicatrizada diante da perda dos entes queridos. Para relembrar a chacina dos 22 trabalhadores, as famílias sobreviventes da tragédia lançaram esta semana, no Pará, um manifesto dirigido à sociedade e aos governos, lembrando a impunidade dos responsáveis pela operação da Polícia Militar que deixou ainda sequelas em 69 agricultores.

Uma lista de reivindicações também acompanha o manifesto, entre elas, a reforma agrária imediata, um programa para assentamento de 100 mil famílias acampadas em todo o país, plano de reestruturação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e justiça e reparação política e econômica às famílias dos mortos, bem como um plano de julgamento por parte do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado para os casos que esperam julgamentos de mandantes e assassinos de trabalhadores sem-terra, indígenas e militantes sindicais e religiosos.

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