Chevrolet, 100 anos de um mito americano nascido na Suíça

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Neste ano, a mítica marca automobilística Chevrolet festeja seu centenário. Boa ocasião para retornar às origens em La Chaux-de-Fonds, vilarejo no cantão de Neuchâtel (norte), onde nasceu em 1878 o fundador da marca, Louis Chevrolet.

“Veja como ele é velho”, constatam as duas crianças em cima das suas patinetes. Elas estão admirando um Chevrolet de 1919, estacionado perto da grande fonte de La Chaux-de-Fonds. Sua silhueta romântica ganha destaque ao lado do último modelo da Chevrolet, batizado “Volt”, com motor elétrico e curvas aéreas. Os dois carros expressam cada um diferentes fases da história. São etapas da célebre marca americana, que festeja em 2011 seus 100 anos.

Desfile em junho

Chevrolet: a palavra lembra velocidade na rodovia US 66. A liberdade dos cabelos ao vento e pé no acelerador nos grandes espaços americanos. Chevrolet, também uma marca que entra no grupo de mitos do novo continente como a Ford. Mas também um nome que tem suas raízes na Suíça. “Nós lembramos frequentemente os três ‘Cs’ que definem a cidade: Le Corbusier (arquiteto), Cendrars (de Blaise Cendrars, escritor) e Chevrolet”, ressalta Laurent Kurth, prefeito de La Chaux-de-Fonds.

Mais precisamente “C” como Louis Chevrolet, nascido em 25 de dezembro de 1878 nessa pequena cidade suíça de tradições relojoeiras. Esse é um bonito presente para La Chaux-de-Fonds, onde ocorrem este ano as festividades do centésimo aniversário da marca.

Dos eventos programados, um deles será o desfile especial de mil Chevrolets em junho. O outro será a inauguração da estátua do célebre piloto de corridas em novembro, algo inédito. “As secretarias de turismo nos dizem que esse momento é bastante esperado, pois muitas pessoas vêm à La Chaux-de-Fonds e querem se deixar fotografar ao lado da casa e da imagem de Louis Chevrolet. Infelizmente a casa foi destruída no passado e os turistas se decepcionam. Porém teremos agora a estátua”, lembra Kurth.

Popular e imprudente

La Chaux-de-Fonds tem orgulho desse capitão das corridas automobilísticas, “imprudente, criativo e duro no trabalho como as pessoas daqui”, nota André Rochat, presidente do comitê de organização do centenário. E pouco importa se Louis Chevrolet viveu apenas algumas semanas na cidade antes de se mudar para Bonfol, um pequeno vilarejo na parte suíça da cadeia de montanhas do Jura, onde passou a infância. Depois ele partiu à Beaune, na Borgonha (França), onde seu pai havia comprado uma relojoaria. Ele continua sendo, porém, um filho da terra.

Além disso, alguns sussurram que o famoso “bowtie” (gravata de laço), o logotipo criado pelo cofundador da marca, o industrial William Crapo Durant, seria uma versão estilizada da cruz suíça, uma lenda dentre outras. Como as inúmeras histórias que cercam o personagem cavalheiresco de Louis Chevrolet, o símbolo bigodudo do sonho americano.

Um sonho que se encarna na famosa popularidade que o suíço desfrutará ao atravessar o Atlântico, em particular como corredor automobilístico, ao ganhar inúmeras competições, mas também como engenheiro. Após se formar como mecânico de bicicletas na França, Louis Chevrolet se especializa nos Estados Unidos na concepção e preparação de carros esportivos.

Nascimento da Chevrolet

Com a fama e talento conjugados, não faltava muito para interessar William Crapo Durant, futuro fundador da General Motors. Ele se associa a Louis Chevrolet e juntos criam em Detroit, no estado de Michigan (centro-oeste dos EUA), a famosa marca da qual a Suíça oferece seu patronímico, o nome dos ascendentes da família. Louis Chevrolet cria então, em 1911, o primeiro veículo, o luxuoso “Classic Six”.

Um modelo que o suíço queria ver como exclusivo, com uma capota retrátil, um motor potente e um retrovisor. Mas o clássico sobre quatro rodas custa caro e sofre com a forte concorrência do Ford T. Entre os dois fundadores surgem então diferenças de opinião.

Enquanto William Durant insiste em fabricar veículos em série que possam ser vendidos a preços baixos, o suíço aspira em privilegiar a exclusividade e a perfeição. Dois anos após a fundação da empresa, o desacordo entre os dois sócios chega ao cume e Louis Chevrolet bate a porta, vende sua parte, mas dá ao ex-parceiro o direito de utilizar seu nome. “É preciso dizer que ele tinha o caráter forte e independente dos montanheses”, analisa André Rochat.

Fim irônico

Foi então que a marca prospera sem Chevrolet. Do seu lado, o piloto retorna às suas primeiras paixões, a competição e a engenharia. Ele inventará posteriormente inúmeras peças automobilísticas e chegará até ao ponto de desenvolver um motor para avião. “Never give up” (Não desista nunca!), o lema que o acompanhará até o fim da vida, mesmo sem um “happy end”.

Com a crise de 1929, a perda do seu irmão e do filho, e depois doenças, Louis Chevrolet terminará sua existência na pobreza e solidão, longe dos holofotes. E, ironia histórica, seu último trabalho será como empregado da General Motors. Um fim de vida marcado pela pobreza, enquanto a fábrica que ele ajudou a fundar brilha até hoje, já que a Chevrolet é a quarta maior montadora automobilística do mundo. Louis Chevrolet é o personagem que encarna o sonho americano em todos os seus paradoxos.

*Por Laureline Duvillard

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