Censo 2010: população do Brasil cresce quase 20 vezes desde 1872

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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A população do Brasil alcançou a marca de 190.755.799 habitantes na data de referência do Censo Demográfico 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta sexta-feira (29/04/2011) os primeiros resultados definitivos do recenseamento geral realizado no ano passado.

A série de censos brasileiros mostra que a população experimentou sucessivos aumentos em seu contingente, e cresceu quase vinte vezes desde o primeiro recenseamento realizado no Brasil, em 1872, quando tinha 9.930.478 habitantes.

O crescimento contínuo, aponta o censo, aconteceu por causa da queda nas taxas de mortalidade – após a década de 1940, e, por outro lado, pelos altos níveis de fecundidade. Com isso, o ritmo do crescimento populacional brasileiro evoluiu para quase 3,0% ao ano na década de 1950.

No entanto, esse movimento também já está em desaceleração. Segundo o IBGE, a partir dos anos 60, com a queda nos níveis de fecundidade, as taxas médias geométricas de crescimento anual da população também caíram, e agora apresenta um crescimento médio anual de 1,17%, a menor taxa observada na série em análise.

Norte e Centro-Oeste registram maior crescimento populacional

Entre 2000 e 2010, o crescimento populacional não foi uniforme entre as grandes regiões e unidades da federação. As maiores taxas médias de crescimento anual foram observadas nas regiões Norte (2,09%) e Centro-Oeste (1,91%), onde a componente migratória e a maior fecundidade contribuiram para o crescimento diferencial.

Amapá e Roraima, por sua vez, estão entre os dez estados que mais aumentaram suas populações em termos relativos: tiveram crescimento médio anual de 3,45% e 3,34%, respectivamente. As regiões Nordeste (1,07%) e Sudeste (1,05%) apresentaram um crescimento populacional semelhante. A região Sul (0,87%), que desde o Censo de 1970 vinha apresentando crescimento anual de cerca de 1,4%, foi a que menos cresceu, influenciada pelas baixas taxas observadas no Rio Grande do Sul (0,49%) e no Paraná (0,89%).

As regiões mais populosas foram a Sudeste (com 42,1% da população brasileira), Nordeste (27,8%) e Sul (14,4%), mas com redução na participação nacional. Por outro lado, Norte (8,3%) e Centro-Oeste (7,4%) têm menor concentração de pessoas, mas estão aumentando a representatividade.

Os estados mais populosos do Brasil – São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná – concentram, em conjunto, 58,7% da população total do País.

São Paulo é o estado com a maior concentração municipal de população, onde os 32 maiores municípios (5,0%) concentram quase 60,0% dos moradores do estado. A menor concentração acontece no Maranhão, onde a população dos 11 maiores municípios, que também representam cerca de 5,0%, corresponde a 35,4% do total do estado.

Nesta edição do Censo, os recenseadores visitaram 67,5 milhões de domicílios em 5.565 municípios do País. Os detalhes e gráficos sobre o Censo também estão disponíveis em uma ferramenta de consulta disponibilizada pelo instituto. O conteúdo é dividido por assunto e oferece tabelas, gráficos e materiais comparativos.

Distribuição por sexo – O levantamento aponta que há 96 homens para cada 100 mulheres no país, resultado em um excedente de 3.941.819 mulheres. Entretanto, nascem mais homens no Brasil: a cada 205 nascimentos, 105 são de homens. A diferença ocorre, segundo o IBGE, porque a taxa de mortalidade masculina é superior. Na relação por situação de domicílio, os homens são maioria no meio rural: 15.696.816 homens para 14.133.191 mulheres. Já no meio urbano, as mulheres seguem à frente, como na média nacional: são 83.215.618 para 77.710.174 homens.

Casais gays – A pesquisa do IBGE mostra que o Brasil já registra mais de 60 mil pessoas vivendo com parceiros do mesmo sexo. A região Sudeste é a que tem mais casais que se assumiram homossexuais, com 32.202. Em seguida, está a região Nordeste, com 12.196; e a Sul, com 8.034. O número representa 0,2% do total de cônjuges (37,547 milhões) em todo o país. É a primeira vez que o dado foi pesquisado.

Negros e pardos – Os dados trazem ainda a informação de que há mais pessoas se declarando pretas e pardas. Este grupo subiu para 43,1% e 7,6%, respectivamente, na década de 2000, enquanto, no censo anterior, era 38,4% e 6,2% do total da população brasileira. Já a população branca representava, em 2010, 47,7% do total; a população amarela (oriental) 1,1% e, a indígena, 0,4%.

Analfabetismo caiu – O Instituto aponta que houve melhora no índice de analfabetismo: hoje 9% da população brasileira não é alfabetizada; em 2000 eram 12,9%. Em números absolutos, 14,6 milhões de pessoas não sabem ler nem escrever, de um universo de 162 milhões de pessoas com mais de 10 anos.

Censo aponta janela de oportunidade para Brasil mais velho

Dados indicam tendência de crescente envelhecimento populacional

Novos dados divulgados nesta sexta-feira apontam que o Brasil tem hoje 68,5% de sua população em idade economicamente ativa (entre 15 e 64 anos), o que coloca o país em um momento demográfico extremamente favorável, segundo pesquisador do IBGE.

De acordo com Gabriel Borges, da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, como a proporção de idosos ainda é pequena, embora crescente, e como a população de crianças tem se reduzido, há hoje relativamente poucos brasileiros em idade de dependência.

Isso, acrescenta Borges à BBC Brasil, deixa o país em um momento potencialmente propício ao desenvolvimento.

Mas o pesquisador do IBGE observa que o Brasil só se beneficiará dessa “janela de oportunidade” se conseguir absorver a mão-de-obra de maneira qualitativa, com empregos no mercado formal e geração de renda.

Pirâmide etária

Os dados desta sexta revelam que o progressivo declínio nos níveis de fecundidade da mulher brasileira e a redução das taxas de mortalidade estão estreitando a base da pirâmide etária do país e fazendo com que seu ápice se torne cada vez mais largo.

As informações, presentes na Sinopse do Censo 2010, indicam queda na proporção de todos os grupos etários com até 25 anos no total da população e aumento de todos os outros na última década.

O grupo de crianças de 0 a 4 anos do sexo masculino, por exemplo, representava 4,9% em 2000 e caiu para 3,7% em 2010. Simultaneamente, a participação relativa da população com 65 anos ou mais, que era de 5,9% em 2000, chegou a 7,4% no ano passado.

Segundo Gabriel Borges, a evolução da estrutura etária sugere que a população do Brasil continuará envelhecendo e, por isso, o país deverá dar maior atenção a políticas para idosos e ter cuidado especial com os setores de previdência e saúde.

Assimetrias

O Censo revela ainda que, apesar da tendência geral de envelhecimento da população brasileira, há assimetrias consideráveis entre as regiões do país, causadas pelo momento em que a transição demográfica se iniciou em cada região e pela velocidade com que ela ocorre.

As regiões Norte e Nordeste, a despeito do envelhecimento registrado nos últimos 20 anos, ainda apresentam uma estrutura jovem.

Isso se explica pelos altos níveis de fecundidade nas últimas décadas: em 1980, cada mulher da região Norte tinha, em média, 6 filhos. Em 2010, crianças com até 5 anos eram 9,8% do total, ante 6,4% no Sul.

Já o Sudeste e o Sul despontam como as duas regiões mais envelhecidas do país. Em 2010, idosos com 65 anos ou mais eram 8,1% da população, ante 4,6% no Norte.

O Centro-Oeste apresenta uma estrutura etária entre os dois grupos e semelhante à média da população brasileira.

Brasileiros são 190 milhões, mas crescimento é o menor já registrado

População urbana ganhou 23 milhões de integrantes na última década

A população do Brasil, que passou a englobar 190,7 milhões de pessoas em 2010, cresce no menor ritmo já registrado (1,12% ao ano) e de maneira desigual pelo território do país, com as maiores taxas concentradas nas regiões Norte e Centro-Oeste.

As informações constam da Sinopse do Censo Demográfico 2010, que contém os primeiros resultados definitivos do último censo e foi divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo a pesquisa, a população brasileira cresceu 12,3% desde 2000, quando havia 169,8 milhões de habitantes no país, e chegou a 190.755.799.

Nesse período, seguindo tendência das últimas décadas, a população rural perdeu 2 milhões de pessoas e reduziu sua participação para 15,6% do total. Já a população urbana ganhou 23 milhões membros e hoje representa 84,4% do total dos brasileiros.

Novas fronteiras agrícolas

Os dez Estados onde a população mais cresceu nos últimos dez anos estão nas regiões Norte e Centro-Oeste. À frente deles, Amapá, Roraima e Acre tiveram crescimento demográfico anual de 3,45%, 3,34% e 2,78%, respectivamente.

Gabriel Borges, pesquisador da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, diz à BBC Brasil que o maior crescimento no Norte e no Centro-Oeste reflete em grande medida a migração interna para novas regiões de agronegócio, as chamadas “novas fronteiras agrícolas”.

Mas ele ressalta que a maioria desses migrantes se integrou à população urbana dessas regiões, e não ao campo.

Já as unidades da Federação com menor crescimento demográfico foram o Rio Grande do Sul, com 0,49%, a Bahia, com 0,7%, e o Paraná, com 0,89%.

Maiores cidades

O Censo revela poucas mudanças no ranking das maiores cidades brasileiras: São Paulo segue à frente, com 11,2 milhões de habitantes, seguida pelo Rio de Janeiro (6,3 milhões), por Salvador (2,6 milhões) e Brasília (2 milhões).

Logo abaixo, Fortaleza (2,4 milhões) ultrapassou Belo Horizonte (2,3 milhões), e Manaus (1,9 milhão) deixou para trás Curitiba (1,7 milhão). Recife (1,5 milhão) e Porto Alegre (1,4 milhão) completam a lista das dez maiores.

Embora permaneçam à frente, São Paulo e Rio estão entre as quatro capitais que menos cresceram nos últimos dez anos, com incremento populacional médio de 0,76% ao ano.

No outro extremo, Palmas e Boa Vista cresceram, respectivamente, 5,21% e 3,55%.

As capitais de Tocantins e Roraima se enquadram no conjunto de municípios com população entre 100 mil e 500 mil habitantes, grupo que apresentou maior crescimento nos últimos dez anos.

Já cidades com 5 mil a 10 mil moradores tiveram perda populacional de 0,97% ao ano.

Para a realização do Censo, que serve de parâmetro para políticas públicas e ocorre a cada dez anos, foram visitados 67,6 milhões de domicílios.

Os recenseadores não conseguiram fazer a entrevista em 901 mil. Nesses casos, usou-se a metodologia para estimar o número de habitantes.

*Com informação: BBC Brasil

 

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