Brasil pede reciprocidade nas relações comerciais com a China

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Ampliação da exportação de produtos com valor agregado deve dominar as discussões bilaterais da visita da presidente do Brasil à China. Dilma Rousseff também participa da reunião do BRICS na China.

A visita de dois dias da presidente brasileira Dilma Rousseff a Pequim, a partir desta segunda-feira (11/04/2011), tem um foco econômico, já que devem entrar na pauta discussões sobre uma ampliação da relação comercial entre os dois países.

O porta-voz da presidência brasileira, Rodrigo Baena, disse que o objetivo é a reciprocidade e que o Brasil quer “aumentar o acesso dos produtos brasileiros no mercado chinês e a participação das empresas no desenvolvimento” daquele país. Baena destacou a tradição das relações entre Brasil e China, que acontecem desde 1974, e a adoção de um plano de ação conjunta para o período de 2010 a 2014.

Em entrevista à Deutsche Welle, Argemiro Procópio, professor de Relações Internacionais e autor de dois livros sobre a China, disse que a relação entre os dois países está marcada por uma extraordinária parceria econômica, principalmente depois que a China se tornou, em 2009, o maior parceiro comercial do Brasil e vem se tornando um grande investidor no país.

Mas Procópio avalia que a relação acontece “dentro de moldes extremamente tradicionais”. Ele lembra que o Brasil é grande exportador de matéria-prima, ou seja, grãos e minérios, e importador de produtos com valor agregado. “De certa maneira, essa é uma repetição de relações comerciais ou econômicas históricas que não são de interesse para o Brasil.”

Para que uma parceria estratégica de longo prazo seja viável, a “China teria que abrir seu mercado também para produtos brasileiros com valor agregado” afirma Procópio.

Relações bilaterais

Segundo o Ministério brasileiro de Relações Exteriores, de 2000 a 2010, as trocas comerciais entre o Brasil e a China aumentaram quase 25 vezes. O intercâmbio bilateral cresceu de 2,3 bilhões de dólares em 2000, para 56,4 bilhões de dólares em 2010.

Dados do Conselho Econômico Brasil-China (CEBC) apontam que os investimentos da China no Brasil superaram 13 bilhões de dólares em 2010, concentrados principalmente nos setores de energia – petróleo e gás, mineração e siderurgia.

Em 10 anos, as importações brasileiras da China passaram de 1,2 bilhão de dólares para 25,6 bilhões de dólares. No ano passado, as exportações brasileiras à China atingiram 30,7 bilhões de dólares, ou seja, um crescimento de 60% em relação a 2009.

Commodities como soja e minério de ferro correspondem a 68% desse total. Entre 2000 e 2010, as exportações do Brasil para o país asiático subiram de 1 bilhão de dólares para 30,8 bilhões de dólares, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O coordenador de análise internacional do CEBC, Édison Renato, disse à Deutsche Welle que há uma tendência de permanência ou de expansão de importação, por parte da China, das commodities brasileiras, “embora isso vá contra os interesses dos industriais brasileiros e do objetivo de agregar o valor nas exportações por parte do Brasil”.

Segundo Renato, a aprovação, em março deste ano, do 12º Plano Quinquenal chinês, coloca em evidência uma preocupação com desenvolvimento coordenado. O plano prevê um crescimento econômico médio de 7% até 2015, com foco na reestruturação econômica e no desenvolvimento das pequenas e médias empresas de alta tecnologia. Renato avalia que, por causa dessas prioridades, “é difícil de imaginar algum cenário de barreira mais específica da China em relação a algum produto industrializado brasileiro”.

O que o Brasil precisa fazer, na opinião do analista do CEBC, é perceber a posição de destaque da China no cenário mundial e a demanda por ajustes nas estratégias econômicas dos outros países. Édison Renato argumenta que o Brasil, “ao mesmo tempo em que tem que se ajustar a esse novo quadro sinocêntrico, precisa corrigir os erros de anos de políticas industriais e tentativas de desenvolvimento econômico e industrial que não o colocam numa posição internacionalmente competitiva da forma como se gostaria”.

Compromissos oficiais

No primeiro dia de agenda oficial na China, neste dia 12, a presidente brasileira terá uma reunião com o presidente Hu Jintao para discutir o aprofundamento da parceria estratégica sino-brasileira. No mesmo dia, os dois presidentes devem assinar atos bilaterais nas áreas de ciência e tecnologia, defesa, agricultura, energia, educação e esportes.

Na área empresarial, serão assinados acordos nos setores de energia, telecomunicações e eletrônica. À noite, o presidente chinês oferecerá um banquete para Dilma Rousseff.

Já no dia 13, a chefe de governo do Brasil irá se encontrar com o presidente do Comitê Permanente da Assembléia Popular Nacional, Wu Bangguo, e com o primeiro-ministro Wen Jiabao. Na noite de quarta-feira, Dilma Rousseff segue para Sanya, onde acontece o encontro de cúpula de chefes de Estado e de governo do BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul.

*Com informação: Deutsche Welle

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