Senadores elogiam resistência do Copom diante de pressões do mercado por juros maiores

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, recebeu elogios de senadores nesta terça-feira (22/03/2011) pelo que foi considerado um ato de resistência a pressões por um aumento mais vigoroso da Selic, a taxa básica de juros. No início de março, o Comitê de Política Monetária (Copom), formado pela diretoria do BC, aumentou a Selic em 0,5 ponto, para 11,75% ao ano. A taxa chegou ao nível mais alto dos últimos dois anos, mas setores do mercado financeiro defendiam uma elevação ainda mais forte, na linha de que isso era necessário para conter a alta da inflação.

– O recurso à Selic virou uma coqueluche; qualquer coisa se grita ‘aumento da Selic’ sem se medir a influência que ela tem – afirmou Francisco Dornelles (PP-RJ).

Dornelles foi o primeiro a abordar o assunto durante audiência com Tombini na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O senador havia pouco antes manifestado dúvidas sobre a eficácia da Selic como instrumento de controle da inflação. Conforme alegou, 34% do crédito concedido pelo sistema financeiro são operações direcionadas, sem qualquer influência da Selic sobre a determinação das taxas. Desse modo, haveria pouca utilidade em aumentar a Selic para conter o crédito com o objetivo de segurar a pressão do consumo sobre os preços.

Além disso, Dornelles disse que os juros cobrados no crédito oferecido ao mercado estão na faixa de 30% para as pessoas físicas e jurídicas e não há estudos conclusivos sobre o impacto da taxa Selic na formação desses juros. Mesmo aqueles que admitem essa influência, argumentou o senador, consideram que leva alguns meses para que o efeito do aumento da Selic seja sentido.

Depois de afirmar que o mercado cobrava um aumento de 0,75 pontos na Selic, o senador Lindberg Farias (PT-RJ) disse que foi “alvissareira” a última ata do Copom. No comunicado, o comitê justificou que “medidas prudenciais” poderiam complementar o esforço para trazer a inflação ao centro da meta. Mas Tombini não respondeu ao apelo do senador para comentar o debate entre os que pedem política monetária mais rígida, com aumento de juros, identificados como “falcões”, em contraponto aos “pombos”. Lindberg aproveitou ainda para defender o ex-presidente Lula e sua equipe da acusação de gastar em excesso e com isso estimular a inflação.

– Há alterações no quadro internacional que favorecem a inflação e problemas de câmbio, mas não venham falar em farra de gastos do presidente Lula – disse Lindberg Farias.

Quem teceu críticas aos gastos do governo foi o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Ele chegou a pedir que Tombini analisasse a situação do endividamento do governo, após dizer que a situação fiscal do país foi determinante para a alta da inflação. Na sua avaliação, as despesas correntes aumentaram desde o início do primeiro governo Lula e foram ampliadas como meio de enfrentamento dos efeitos da crise mundial.

– O fato é que, passada a crise, a gastança continuou porque veio o ano eleitoral – afirmou Aloysio Nunes.

Nas questões debatidas na audiência, o câmbio esteve entre as mais frequentes. Há intensa preocupação entre os senadores com a excessiva valorização do real frente ao dólar, diante do que isso representa para queda de competitividade das empresas nacionais. Mas Tombini deixou sem respostas pedidos de comentários sobre medidas que podem tornar a política cambial mais favorável aos produtores brasileiros.

Participaram ainda do debate os seguintes senadores: Gleisi Hoffmann (PT-PR), Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), Cyro Miranda (PSDB-GO), Blairo Maggi (PR-MT), Armando Monteiro(PTB-PE), Eduardo Suplicy (PT-SP), Casildo Maldaner (PMDB-SC), Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Marta Suplicy (PT-SP).

Tombini diz que inflação começa a dar sinais de recuo

O comportamento de preços do mercado tende a “se deslocar para níveis compatíveis” com o centro da meta de inflação, de 4,5% ao ano, a partir do mês que vem, conforme afirmou hoje (22) o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, ao participar de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ele ressaltou, porém, que a inflação acumulada em 12 meses, que fechou fevereiro em 6,01%, deve permanecer em patamares elevados nos próximos seis meses. Mesmo que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mensal aponte para o centro da meta, até agosto ou setembro vai substituir percentuais baixos relativos aos meses correspondentes do ano passado.

Depois de exposição de meia hora sobre os fundamentos da economia brasileira, na qual apresentou muitos números para demonstrar a saúde financeira do país, Tombini respondeu perguntas dos parlamentares, a começar pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que levantou a questão das altas taxas de juros, a começar pela Selic (taxa bpasica do governo). Tombini afirmou que a Selic tem poder para ajustar a demanda e afetar a trajetória de preços. Ele advertiu que uma redução não muito bem fundamentada da Selic pode gerar efeitos negativos na economia.

O presidente do BC disse que as duas elevações da Selic este ano, que elevaram a taxa básica de 10,75% para 11,75% ao ano, fazem parte da política que visa a evitar que as pressões inflacionárias se propaguem para “horizontes mais longos”. Ele não quis falar sobre futuros aumentos da Selic, embora a própria ata da última reunião do Copom tenha sinalizado nesse sentido.

Tombini falou também que o BC continuará monitorando a oferta de crédito pelos bancos para evitar um crescimento exacerbado do endividamento da sociedade. Ele acha que existe espaço para um aumento de até 15% na oferta de crédito. Mais do que isso “nos parece acima do recomendado” e pode gerar riscos excessivos para o sistema financeiro.

O dirigente da autoridade monetária respondeu também a críticas sobre o alto custo de carregamento das reservas internacionais que, atualmente, ultrapassam US$ 310 bilhões. Ele disse que em momentos de crise, como a de 2008, as reservas funcionam como um seguro. Naquela ocasião, parte das divisas foi usada para assegurar aos exportadores nacionais a liquidez interrompida bruscamente.

O presidente do BC revelou que o Brasil tinha US$ 205 bilhões de reservas quando estourou a crise financeira internacional e, de lá para cá, o país incorporou US$ 111 bilhões às reservas, via compras regulares no mercado à vista para retirar o excesso de dólares do mercado. Política que ajuda a conter a valorização do real e a manter a competitividade dos preços dos produtos brasileiros no comércio externo.

Ele ressaltou que o BC vai continuar a intervir no mercado de câmbio, com consequente aumento das reservas, que fecharam na véspera em US$ 316,176 bilhões e equivalem a quase 15% do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país. Nível de reservas que considera bom, mas ainda bem abaixo de outras economias em crescimento, como Hong Kong e Cingapura, que têm reservas correspondentes a 118,6% e 103,8%, respectivamente.

Ou, para ficar no campo dos países emergentes que compõem o acrônimo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), “temos as reservas menos fortes”, segundo ele, ao citar a China com 46,9% do PIB em reservas cambiais; a Rússia com 31,7%; e a Índia com 19,7%.

Tombini diz no Senado que economia está no rumo certo do crescimento sustentável

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse hoje (22) que a economia brasileira está na “rota do crescimento sustentável”, com câmbio flutuante e responsabilidade fiscal. Para ele, essas ações têm sido exitosas. Mas Tombini acredita que é necessário continuar aperfeiçoando as políticas na área, no sentido de manter a inflação sob controle, com os menores custos para a sociedade.

As afirmações foram feitas durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Atendendo a requerimento proposto pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ), ele foi convidado para falar sobre os fundamentos da política monetária do país. Tombini falou também sobre a oferta de crédito e a condução da política cambial que levou o país a contabilizar reserva internacional recorde.

Terminada a exposição do presidente do BC, os senadores farão suas intervenções. Antes da audiência pública, porém, Dornelles ressaltou que existe particular preocupação do mercado quanto à capacidade do governo de cumprir a meta de superávit primário (economia para pagamento dos juros da dívida). Caso contrário, haverá necessidade de cortes mais profundos nos gastos públicos, afirmou o senador.

Publicidade

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Publicidade

Faça uma doação ao JGB

Perfil do Autor

Redação
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]