Ex-secretário Estadual de Ciência e Tecnologia Ildes Ferreira fala sobre o lançamento da Universidade Popular em Serrinha

Ildes Ferreira de Oliveira é entrevistado por Carlos Augusto. Entrevista foi publicada em três partes.

Ildes Ferreira de Oliveira é entrevistado por Carlos Augusto. Entrevista foi publicada em três partes.

Ildes Ferreira sobre a UNIPOP Bahia: "é um projeto de pessoas dos movimentos sociais, mas, também, de pessoas da UFRB, UEFS e da UNEB.".

Ildes Ferreira sobre a UNIPOP Bahia: “é um projeto de pessoas dos movimentos sociais, mas, também, de pessoas da UFRB, UEFS e da UNEB.”.

Ildes Ferreira, ex-secretário Estadual de Ciência e Tecnologia e professor da UEFS, concedeu entrevista exclusiva ao diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto. Ela foi gravada na Chácara da Luta, em Feira de Santana, no dia 13 de fevereiro de 2011.

Natural de Valente, aos 62 anos, mestre em Sociologia e doutorando na área de Desenvolvimento Regional e Urbano pela UNIFACS, com tese sendo desenvolvida sobre o semiárido, o ex-secretário de ciência e tecnologia e professor da UEFS, Ildes Ferreira falou sobre os projetos que está desenvolvendo atualmente, sua filiação ao PMDB, o relacionamento que possui com Colbert Martins. Avaliou os  governo s Lula, Wagner e Tarcízio, e a influencia de Ronaldo na administração municipal do DEM. Faz uma defesa do Parque Tecnológico de Salvador e diz que ações judiciais são infundadas.

A entrevista foi dividida em três partes. No primeiro momento, Ildes  explica suas atividades após deixar o governo Wagner e sobre a Universidade Popular (UNIPOP), que vai funcionar em Serrinha, com objetivo de atender as demandas do semiárido.

JGB – Como está sua vida hoje? Quais projetos o senhor tem desenvolvido neste momento?

Ildes Ferreira – Retornei a UEFS e sai, pois estou fazendo doutorado. Pessoalmente estou muito bem, o conhecimento é sempre empolgante. Minha tese é sobre o semiárido e vou tentar demonstrar cientificamente que o semiárido é pobre devidos a fatores que independem da chuva, clima e solo, sendo isso uma outra história.

Estou contribuindo com projetos do governo na elaboração dos seus planos territoriais sustentáveis e também contribuindo com o projeto da cidade de Valente, na APAEB (Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira).

Na universidade eu tenho vários projetos lá com os companheiros do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), tenho um projeto do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) do sertão lá com o território do sisal, tive um projeto lá em Saubara (BA), no ano passado, com o apoio da FAPESB (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia) e estamos retomando agora, neste projeto. Enfim, eu contínuo inserido e comprometido com os trabalhos de território, pois eu acredito muito nessa política de territorialidade. Então, eu acho que estou pessoalmente satisfeito, bem inserido, mas sonhando que possamos dar passos mais significativos no futuro.

JGB – Ildes, o senhor, sempre teve uma atuação com o governo da Bélgica em projetos educacionais, de formação técnica para as pessoas do semiárido baiano. Hoje, como está essa relação? O senhor continua a frente do DISOP (Instituto de Cooperação Belgo-Brasileira para o Desenvolvimento Social?

Ildes Ferreira – Eu participo da diretoria, sou secretário geral do DISOP, José Corsini do CEAPE (Centro de Apoio aos Pequenos Empreendimentos da Bahia) é o presidente e Benone Leys de Inhambupe é o diretor executivo. Temos uma relação com o governo Belga e mantemos vários projetos no semiárido e no recôncavo com o apoio dele.

Nasceu um novo projeto, há um cinco anos, pensando num outro modelo de ensino superior neste país. Está ainda embrionário, mas está sendo gestado um projeto que nós chamamos de universidade popular UNIPOP Bahia.

É um projeto de pessoas dos movimentos sociais, mas, também, de pessoas da UFRB, UEFS e da UNEB. Neste projeto, vamos ter, agora, o primeiro vestibular em meados do ano de 2011, em convênio oficial com a UNEB, sendo provavelmente em Serrinha o local onde o curso de bacharelado em Gestão Social será oferecido, tendo a duração de três anos. Inicialmente, serão disponibilizadas 30 vagas.

O principal desse curso é que ele não terá e não queremos lá “dador” de aula. Queremos pessoas que vão ajudar esses alunos a produzir o conhecimento por outro caminho. Por exemplo, numa aula de economia. Em vez de o professor ir com suas lâminas, slides, vamos trabalhar com a economia do município dos estudantes: é o sisal, é o feijão, o milho, é a cabra e a partir dar a aula de economia.

Então, a metodologia é completamente diferente da que nós conhecemos e nós também não dominamos essa metodologia. Nós estamos preparando com a UEFS um curso de especialização, dos monitores que orientarão os alunos, com o pessoal da França para que eles nos capacitem para essa metodologia.

JGB – Isso já existe na França?

Ildes Ferreira – Sim, há mais de 15 anos existe esse projeto na França, na Universidade de Lyon. Ele existe também na Bélgica, na Dinamarca. Nós visitamos esses lugares, formamos uma equipe e fomos lá vê esse projeto em 20 dias. Para nós o foco principal é o estudante que está engajado no movimento social, sendo o engajamento cidadão um dos principais critérios de seleção do curso. E o curso vai ser assim: o estudante fica uma semana, de segunda-feira a domingo, o que chamamos de pedagogia da alternância, internado, tendo aula pela manhã, tarde e noite.

A ideia é que o estudante ao voltar para casa aplique na comunidade em que vive, com a orientação de um professor, o que ele aprendeu na sala de aula. Então, a cada mês um módulo desse. O bacharelado é chancelado pela UNEB.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).