Novo incêndio atinge usina nuclear no Japão e bancos e indústrias avaliam impacto da crise japonesa na economia brasileira

Usina nuclear no Japão

Um novo incêndio ocorreu hoje (15/03/2011) na Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, no Norte do Japão. O fogo começou no reator 4. A usina já sofreu quatro explosões, que provocaram o vazamento de radiação e geraram preocupações.

Funcionários do governo aconselharam moradores num raio de 20 a 30 quilômetros da usina a deixar a área ou permanecer abrigados. A Tokyo Electric Power Co (Tepco), que opera a Fukushima Daiich, disse que o último incêndio na instalação estava sendo combatido.

A Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) anunciou nesta terça-feira estar monitorando os níveis de radioatividade nas proximidades da usina e que a quantidade de radiação nas regiões próximas vinha diminuindo significativamente desde a madrugada.

A Aiea disse que outras usinas nucleares japonesas, como Onagawa, Tokai e Fukushima Daini estão “estáveis e seguras”, mas que a situação em Daiichi, onde estão os reatores danificados, ainda era preocupante. Uma zona de exclusão aérea foi estabelecida sobre o complexo nuclear.

De acordo com a Aiea, 150 pessoas na região da usina foram examinadas para detectar possíveis contaminações por radiação. Já foram tomadas medidas para a descontaminação de 23 pessoas.

Bancos e indústrias avaliam impacto da crise japonesa na economia brasileira

O economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, disse que ainda é cedo para dimensionar os impactos do terremoto do Japão no setor financeiro do Brasil. Ele ponderou, entretanto, que o país asiático é um importante parceiro do Brasil, responsável por cerca de 5% dos investimentos estrangeiros diretos e 40% de participação nos títulos de médio e longo prazo. Segundo o economista, os reflexos da catástrofe natural tendem a ser maiores no curto prazo. “Normalmente, a gente tem um impacto muito grande nos mercados financeiros. Em geral, tem efeitos de curto prazo e, depois, se inicia o processo de recuperação”, explicou. Esses efeitos não devem, na avaliação de Sardemberg, ser suficientes para reverter o bom desempenho da economia brasileira ou causar algum tipo de recessão em nível mundial.

Entidades do setor produtivo também afirmaram não ter condições de medir, por ora, o tamanho do impacto da crise japonesa no Brasil. No entanto, em dois meses, as indústrias mais dependentes de peças e componentes japoneses, como a eletroeletrônica, deverão começar a ter problemas. “Ainda é cedo para dizer. Mas a nossa sensação é a de que, em 60 dias, teremos dificuldades. Pode até ter escassez de produtos ou aumento de preços. Mas ainda é precoçe afirmar. No entanto, o setor está buscando alternativas em outros países”, disse o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, Lourival Kiçula.

As duas principais montadoras japonesas de veículos instaladas no Brasil disseram que não sofrerão impacto relevante na produção. Segundo a Honda, o índice de nacionalização das motos fabricadas pela companhia é de 95%, enquanto a dos carros chega a 80%, o que afasta a possibilidade de enfrentar problemas com o fornecimento de autopeças.

A Toyota informou que o nível de nacionalização dos veículos que produz é de 80% e que tem estoques para quatro meses de produção. Além disso, afirmou que o pátio da fábrica de Indaiatuba (SP) está cheio.

Governo vai apoiar possíveis mudanças em regras de segurança para usinas nucleares

O governo brasileiro irá apoiar todos os protocolos internacionais sobre a segurança de usinas nucleares que forem estabelecidos a partir do acidente com a Usina Nuclear de Fukushima, no Japão. O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse hoje (15) que isso será incorporado não apenas para novas concessões, mas também para as usinas que já estão em funcionamento.

“Esse episódio do Japão deverá estabelecer novos protocolos mais rigorosos e o Brasil estará associado e participará para que essas providências sejam tomadas, sejam quais forem as consequências”, disse.

O ministro ressaltou que a tecnologia empregada nas usinas brasileiras é diferente das usinas japonesas. Segundo ele, os reatores no Brasil têm sistemas independentes de refrigeração e uma blindagem mais rigorosa. Além disso, as usinas brasileiras foram construídas dentro de padrões de segurança para suportar tremores até 6,5 graus na escala Richter e ondas até 7 metros de altura.

Mercadante lembrou também que no Brasil não há terremotos nem tsunamis, mas existem desastres naturais como inundações por chuvas e desmoronamentos. Mas, de acordo com o ministro, as usinas brasileiras estão protegidas em relação a isso, pois estão em lugares altos e distantes de locais que possam desmoronar.

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Odair Dias Gonçalves, disse que o órgão poderá rever o raio de evacuação das usinas de Angra dos Reis, estabelecidas em 5 quilômetros. No Japão, o raio é de 30 quilômetros. “Vamos rever isso, vamos verificar com muita calma e ver se, em função dessa experiência, podemos modificar ou não”. Ele garantiu que as usinas brasileiras estão totalmente de acordo com normas estabelecidas pela Agência Internacional de Energia Atômica.

Atualmente, o Brasil tem duas usinas nucleares em operação: Angra 1 e Angra 2, que juntas têm potencial de geração de 2 mil megawatts. A partir de 2015, a conclusão da Usina Nuclear Angra 3 colocará no sistema mais 1.080 megawatts.

Ontem (14), o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o governo não pretende rever os projetos de construção de novas usinas nucleares no país. A intenção do governo é definir ainda este ano as diretrizes para a construção de pelo menos mais quatro novas usinas: duas no Nordeste e mais duas na Região Sudeste.

A partir de hoje, o governo vai disponibilizar um boletim diário com o histórico do acidente no Japão, a partir de informações oficiais. As informações estarão no site do Cnen (www.cnen.gov.br).

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