Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso profere palestra: O Brasil no panorama internacional, no TRF de São Paulo

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso profere palestra.
Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso profere palestra.

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso proferiu, nesta segunda-feira, dia 28, a palestra “O Brasil no panorama internacional”, a convite da Escola de Magistratura Federal da 1.ª Região (Esmaf). O evento, ocorrido no Plenário do Tribunal, reuniu centenas de pessoas, entre servidores, magistrados e autoridades dos três poderes. Compuseram a mesa o presidente do TRF, desembargador federal Olindo Menezes, o diretor da Esmaf, desembargador federal Carlos Moreira Alves, e os ministros do Superior Tribunal de Justiça, Aldir Passarinho Junior, e do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello.

Ao aceitar o convite, Fernando Henrique integrou-se ao corpo de professores eméritos da Escola de Magistratura Federal, motivo de orgulho para Moreira Alves, que chegou ao TRF por meio do quinto constitucional durante a gestão de FHC. “Hoje é um dia histórico para esta corte”, declarou o magistrado. “Emprestando seu nome e seu saber, Vossa Excelência demonstra a estatura do homem público que é, contribuindo para o aprimoramento dos magistrados da 1.ª Região”. O presidente Olindo Menezes também demonstrou apreço pela visita do ex-chefe do Estado. “É uma honra inaudita receber uma figura tão ilustre, cujo nome dispensa apresentação”, afirmou.

Antes de tomar a palavra, Fernando Henrique recebeu o diploma de professor emérito da Esmaf, o certificado de conferencista e uma placa de homenagem, entregues pelo ex-diretor da Escola de Magistratura, desembargador federal Hilton Queiroz.

Palestra

Ao subir na tribuna, FHC demonstrou, sem presunção, porque é um dos palestrantes mais requisitados do país. Professor de sociologia e relações internacionais reconhecido de canto a canto do planeta, o ex-presidente fez uma explanação do panorama mundial, sob a óptica do capitalismo, da globalização e das relações políticas e sociais. Voltou ao século XVI para contextualizar o atual cenário, que se contrapõe às primeiras conquistas das nações mais fortes, baseadas no poderio militar e bélico.

Relembrou a história recente, ao explanar sobre as mudanças ocorridas após a queda do socialismo soviético, vencido pela indústria americana de tecnologia da informação. Fernando Henrique destacou esse momento como um divisor de águas entre a centralização do poder mundial e uma nova fase de abertura política e econômica. “O que nós assistimos foi, não apenas o fim da guerra fria e da bipolaridade, mas a emergência de vários polos”, frisou, ao destacar o crescimento ascendente de nações como Japão, Coreia e China, que hoje ladeia os Estados Unidos na condução de uma nova “ordem mundial”.

Para FHC, esse novo cenário, impulsionado pelos avanços tecnológicos que derrubaram barreiras sociais e permitiram a absorção dos meios de comunicação mais modernos, concede uma liberdade sem precedentes para sociedades se expressarem. De quebra, torna mais difícil o “controle da informação”. O reflexo dessa mudança cultural é a substituição da “força” pela “persuasão”, no embate das nações pelo ditame da ordem mundial.

O ainda duro regime político chinês vai resistir? O mundo vai caminhar para a concepção de sociedades mais igualitárias nos direitos e no peso frente às grandes potências? Haverá mecanismos efetivos para aplicação de decisões conjuntas entre países? Para essas perguntas, o professor Fernando Henrique afirmou não ter resposta. Reconheceu que o mundo deve gastar pelo menos um século para conseguir adequar-se à nova realidade. Como exemplo, FHC citou os entraves enfrentados para se legitimar o Tribunal Penal Internacional. Mesmo assim, frisou alguns avanços, como a criação de grupos cada vez maiores – G7, G8 e G20 – inseridos nas discussões globais propostas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e a disseminação de temas comuns, como a igualdade racial e a plasticidade religiosa.

Brasil

Nesse último contexto, o Brasil leva vantagem, na avaliação do ex-chefe de estado. A diversidade étnica, cultural e das religiões, aliada ao recente crescimento econômico que deu à nação o status de país emergente, já nos garante uma boa projeção no cenário internacional. “O Brasil tem condições de exercer uma forte presença global pelos seus valores, por ser capaz de negociar (…), de criar regras que permitam universalizar”, opinou o professor.

Fernando Henrique ponderou que, em nosso favor, também pesa o contraponto das três principais preocupações da humanidade: a água, a poluição e o terror atômico. Isso porque o Brasil tem mais de 10% da água consumível do mundo, uma das maiores produções de etanol e a expressa opção de abrir mão da força nuclear, comprovada em acordo firmado com a Argentina.

No encerramento do discurso, FHC voltou-se aos magistrados da Esmaf para concluir que, entre todas as mudanças e perspectivas apresentadas, o mais importante é a preocupação em “como se vai conciliar o universal com o particular”.

Após a palestra, o presidente do Tribunal, Olindo Menezes, entregou ao novo professor emérito da Esmaf o diploma e a medalha de visitante ilustre da Corte.

FHC diz que se governo não tivesse gastado tanto, corte não seria necessário

O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (FHC), afirmou que o corte anunciado hoje (28) pelo governo federal é difícil, porém necessário. Apesar de ter evitado fazer críticas diretas à medida para contenção de gastos, ele disse que “se [o governo] não tivesse gasto mais do que era conveniente, não seria necessário o corte”.

FHC falou rapidamente com a imprensa após fazer uma palestra sobre a contextualização do Brasil no cenário internacional, feita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região em Brasília. “Governar é isso mesmo, não estou criticando ninguém, tem que fazer. Corte em determinado momento é difícil, ter que explicar para a população porque nem sempre vão entender, mas é a vida política, é normal”.

Perguntado sobre a declaração de José Serra, que considerou o governo atual um “estelionato eleitoral” em entrevista recente, o ex-presidente se limitou a dizer que “as eleições já passaram”.

Fernando Henrique Cardoso diz que Brasil deve dizer não à violação de direitos humanos

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje (28) que o Brasil tem obrigação de censurar violações aos direitos humanos. “Há direitos que são universais e não podemos abdicar deles. O Brasil tem obrigação de dizer ‘isso não’. Tem o limite de constrangimento do outro que é inaceitável”, disse Cardoso, em palestra sobre a contextualização do Brasil no cenário internacional feita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região em Brasília.

Segundo o ex-presidente, o Brasil está em posição para conquistar influência internacional por ter uma cultura de aceitação da diversidade. “A capacidade de coagir tem que existir, mas hoje tem outros mecanismos de participação também importantes. Crescentemente vai ter que se usar o poder de convencimento e o Brasil nesse ponto de vista tem situação bastante privilegiada”.

Cardoso defendeu o sistema de conciliação no lugar da revolução violenta e afirmou que sem conciliação não há paz. “Na época em que fui criado só se concebia a revolução como meio de mudar a realidade existente. O país era criticado porque as elites políticas tinham tradição de conciliação. Será que não é essa a solução certa?”.

O ex-presidente ainda elogiou o fato de o Brasil não ter optado por investir em energia nuclear para fins militares, e disse que o país está muito bem colocado em relação a temas que preocupam a humanidade, como poluição, falta de recursos hídricos e guerra atômica. “Tivemos o bom senso de não avançar na questão nuclear e fazer acordo com Argentina. O soft power pode dar poder tão grande quanto se tivéssemos ido para o outro lado”.

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