Especial: Visita de Barack Obama ao Brasil, 2º dia – Parte 2

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Brasil e EUA assinam acordo para fortalecer intercâmbio na pós-graduação

Entre os acordos assinados durante a passagem do presidente Barack Obama por Brasília, um deles pretende intensificar o intercâmbio entre pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos. De acordo com o Ministério da Educação, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos irão trabalhar para “incrementar” o intercâmbio de cientistas, pós-graduandos e professores, especialmente na área de biodiversidade.

Os acordos assinados darão início a um novo programa chamado de Diálogos Estratégicos. Segundo o MEC, a parceria apoiará a participação de docentes e pesquisadores de alto nível em programas de mestrado e doutorado no Brasil e nos Estados Unidos. O trabalho será focado nas áreas de maior interesse para os dois países.

A Capes mantém 14 programas de intercâmbio educacional e científico com os Estados Unidos e já financiou a formação de 6 mil bolsistas brasileiros em universidades daquele país entre 1998 e 2010 – especialmente nas áreas de engenharia, ciências sociais aplicadas, ciências agrárias e saúde.

Obama assiste a apresentações de capoeira e percussão na Cidade de Deus

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deixou a comunidade Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro, pouco antes do meio-dia. Acompanhado da primeira-dama Michelle Obama e das duas filhas, Sasha e Malia, Obama assistiu a apresentações de percussão, maracatu, samba, funk e capoeira, na quadra da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA).

Ele a primeira-dama acompanharam batendo palmas ou marcando o ritmo com a cabeça e os pés. Os dois sorriam bastante e trocavam comentários. Obama posou para fotos, depois que crianças o chamaram durante a apresentação.

Michelle Obama chegou a levar as mãos à cabeça, mostrando-se impressionada com os passos dos capoeiristas, principalmente dos menores, que têm 7 anos. Ontem (19), durante visita a Brasília, a primeira-dama também assistiu a apresentações de grupos de capoeira e percussão.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, o secretário de Segurança do estado, José Mariano Beltrame, o prefeito da cidade, Eduardo Paes, e a secretária de Educação do município, Cláudia Costin, acompanharam a família Obama na visita à comunidade.

O próximo compromisso do presidente norte-americano na capital fluminense é um pronunciamento no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, marcado para as 14h.

O passeio da família ao Cristo Redentor, inicialmente previsto para o período da manhã, foi remarcado para o fim da tarde. Segundo o Consulado-Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, a visita foi adiada por causa do mau tempo.

Obama fala de esforços para acabar com barreiras comerciais a produtos brasileiros exportados para os EUA

Cobrado ontem (19) pela presidenta Dilma Rousseff para suspender as barreiras comerciais impostas aos produtos brasileiros, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu hoje (20) rever a situação. Em discurso no Theatro Municipal, Obama disse que há esforços para acabar com as barreiras. “Estamos tentando derrubar as barreiras comerciais”, afirmou.

O Brasil e os Estados Unidos travam várias disputas comerciais em decorrência das barreiras impostas pelo governo norte-americano a vários produtos nacionais. Os mais atingidos pelas tarifas são o suco de laranja, aço e algodão, além de restrições que pesam sobre o etanol brasileiro.

Ontem, Dilma apelou para a “franqueza” que visa a construir uma relação de maior profundidade” entre o Brasil e os Estados Unidos, e pediu a Obama o fim das barreiras comerciais. Em pronunciamento, no Palácio do Planalto, ela defendeu o equilíbrio das relações comerciais numa referência ao déficit que há na balança brasileira em relação ao intercâmbio comercial com os EUA.

De 2000 a 2010, a balança comercial entre o Brasil e os Estados Unidos passou de um superávit em favor do Brasil de US$ 290 milhões para um déficit de mais de US$ 7,7 bilhões, de acordo com dados consolidados no ano passado pela área econômica. No discurso de hoje, Obama não mencionou detalhes sobre os esforços feitos para resolver a questão e nem citou o problema do déficit.

Para uma plateia de cerca de 2,5 mil pessoas, o norte-americano elogiou a presidenta Dilma Rousseff. Lembrou que ela é filha de imigrantes, de pai búlgaro com mãe brasileira, e destacou sua competência. Para Obama, este é um exemplo de alguém que tem o perfil para defender os direitos humanos e a democracia, pois viveu também as agruras da ditadura ao ser torturada.

“A filha de um imigrante sabe o que é viver sem os direitos humanos mais básicos, ela [Dilma] sabe o que é superar. Esta mulher é a presidente de todos aqui, é Dilma Rousseff. Nossas nações têm muitos desafios pela frente”, afirmou.

Divergências entre países são naturais e não impedem parcerias, diz Obama em discurso no Rio

Demonstrando conhecer a história política brasileira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje (20), durante o discurso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que o Brasil conseguiu transformar o país que viveu sob a ditadura em exemplo de democracia. Segundo ele, os Estados Unidos “reconhecem e torcem” pelo sucesso brasileiro. De acordo com o presidente, as divergências são naturais e não impedem as parcerias.

O norte-americano disse também que o futuro do Brasil é agora e não há mais o que esperar. De acordo com ele, havia pressão interna e externa que bloqueava o avanço brasileiro.“O Brasil mostra que uma ditadura pode tornar uma democracia crescente. É um país que teve um movimento que começou nas ruas e transformou o Brasil e o mundo”, disse Obama, citando as manifestações contra o regime militar ocorridas no Brasil e em particular, a passeata de 1968, no Rio.

Obama afirmou que agora é o momento do reconhecimento do Brasil na comunidade internacional, ao contrário do que ocorreu no passado. “[Antes] o que freava era a política em casa e fora daqui. Este dia chegou. O futuro já chegou ao Brasil. É hora de agarrar o futuro.”

De acordo com o presidente norte-americano, as divergências são naturais, o que não impede o trabalho conjunto e as ações parceiras. “Os nossos países nem sempre concordaram em tudo. Os americanos reconhecem e torcem pelo sucesso brasileiro. Vamos permanecer juntos”, disse ele.

Obama afirmou ainda que o Brasil e os Estados Unidos se esforçam pelo aperfeiçoamento da democracia. “O futuro de um povo será determinado pelo próprio povo. A mudança não é algo que devamos temer”, completou.

Obama cita Brasil como exemplo de democracia e diz que países são soberanos

No momento em que uma coalizão internacional lança mísseis sobre a Líbia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje (20), em discurso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que os países são soberanos e não podem sofrer intervenções. Ele defendeu a democracia como princípio e direito de todos os cidadãos do mundo. Obama mencionou vários aspectos da cultura brasileira e o Brasil como exemplo de democracia consolidada.

“Nenhuma nação poderá se impor sobre outra nação”, afirmou Obama, sendo aplaudido pela plateia. “Onde a luz da liberdade estiver acesa, o mundo estará mais iluminado, este é o exemplo do Brasil”, disse ele. “A democracia é a maior parceira do progresso humano. A democracia oferece oportunidades para que todos os cidadãos sejam tratados com respeito”, acrescentou.

Em seguida, o presidente reiterou que os Estados Unidos têm condições de falar sobre as conquistas a partir da consolidação dos sistemas democráticos. “Sabemos, por meio da nossa experiência nos Estados Unidos, que é importante trabalhar juntos até mesmo quando discordamos. Pode ser que o nosso modo de trabalhar seja lento e meio devagar, meio bagunçado, mas é preciso.”

Obama citou as manifestações populares nos países muçulmamos a partir da Tunísia, em janeiro, e que se estenderam para o Egito, a Líbia, o Iêmen, a Síria e outros locais do Oriente Médio e do Norte da África. “Hoje, vemos uma revolução, baseada na Tunísia, por anseio pela dignidade humana. Homens, mulheres, dando-se o direito de determinar o próprio futuro”, disse ele.

No discurso de pouco mais de 15 minutos, com o texto improvisado, o presidente citou o escritor Paulo Coelho. “Como diz o Paulo Coelho, com a força da nossa vontade e amor, podemos mudar”, afirmou, arrancando aplausos entusiasmados da plateia.

De manhã, Obama pretendia visitar o Cristo Redentor. Iinformações não confirmadas oficialmente indicam que ele adiou o passeio para o fim da tarde porque estava coordenando uma reunião vinculada ao Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o agravamento da crise na Líbia.

A área em volta do local onde Obama esteve foi cercada por um forte esquema de segurança com soldados do Exército, que afastavam a população em um raio de cerca de 200 metros do Theatro Municipal. O discurso não foi transmitido em telões na Cinelândia, como inicialmente havia sido divulgado.

Aproximadamente 2,5 mil pessoas foram convidadas para acompanhar o discurso. Representantes de associações, entidades, organizações não govenamentais, além de políticos, empresários e artistas receberam convite. Na rede social Twitter, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou que todos foram orientados a desligar os aparelhos celulares.

Discurso de Obama objetivou estreitamento de relações com o Brasil, avalia especialista americano

O discurso do presidente norte-americano, Barack Obama, na tarde de hoje (20), no Rio de Janeiro, foi diplomático e reforçou a intenção da Casa Branca de estreitar os laços entre os dois países. A avaliação é do especialista em Relações Internacionais, o americano Ryan Hemming. Para ele, que vive no Brasil há seis anos, o clima descontraído e o esforço do presidente Obama em usar algumas expressões em português foram uma estratégia “bem-sucedida” de falar com o povo.

“Ele estava bem descontraído e o discurso foi bem animado e pacífico. Ele usou a camisa aberta, sem gravata, sorriu bastante e falou algumas frases em português. Acho que ele estava estendendo a mão para o Brasil, incentivando a ampliação de parcerias entre os dois países”, analisou.

O especialista também destacou o fato de Obama ter ressaltado as semelhanças entre o Brasil e os Estados Unidos, principalmente na questão da luta pacífica para conquistar a democracia e estabelecer o regime internamente.

“Achei um pouco curioso ele ter falado sobre isso neste momento, devia estar comparando o processo que houve aqui ao que temos visto na Líbia. Acho que ele estava dizendo que o ideal teria sido a implementação de uma resolução pacífica por lá também”, afirmou.

Obama diz que sua mãe jamais imaginaria que sua primeira visita ao Brasil seria como presidente dos EUA

Em português, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saudou hoje (20) o povo brasileiro no início do seu pronunciamento para uma plateia de mais de 2 mil convidados, no Theatro Municipal, “Alô, Cidade Maravilhosa, obrigado a todo o povo brasileiro”, arrancando aplausos dos presentes. Em seguida, disse que compreendia o esforço dos presentes porque no momento em que discursava havia o jogo do Vasco com o Botafogo.

Obama afirmou saber da “paixão do brasileiro” pelo futebol. Bem-humorado, o presidente lembrou do valor afetivo da sua viagem ao Brasil. Lembrou que sua mãe se apaixonou pelo Brasil ao assistir o filme Orfeu no Carnaval, filmado no Morro do Chapéu Mangueira, na zona sul do Rio, e que foi peça teatral encenada no próprio Theatro Municipal.

“Nunca minha mãe imaginaria que minha primeira visita ao Brasil seria como presidente dos Estados Unidos”, afirmou Obama. “Também nunca imaginaria que este país é mais bonito ainda. Vocês são um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”, disse ele, citando o “verde” e o “mar”.

Pela manhã, Obama pretendia visitar o Cristo Redentor. Mas informações, não confirmadas oficialmente, indicam que ele adiou o passeio para o fim da tarde porque estava coordenando uma reunião vinculada ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. O assunto em discussão na reunião foi o agravamento da crise na Líbia.

Para acompanhar o discurso de Obama no Theatro Municipal foram convidados cerca de 2,5 mil pessoas. A lista inclui políticos, artistas, futebolistas e empresários, como Eike Batista, Pelé , Alcione, Martinho da Vila, Lázaro Ramos, Gilberto Gil e Thaís Araújo.

O Theatro Municipal foi inaugurado em 1909, mas recentemente passou por uma revitalização, em 2007. Foram três anos de obras que custaram R$ 65 milhões. Localizado na Cinelândia, na região central do Rio, o prédio reúne obras de arte de artistas consagrados, como Eliseu Visconti.

Professor da UFRJ avalia que discurso de Obama foi interessante, mas não surpreendeu

O discurso feito hoje (20), no Theatro Municipal, pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “foi interessante”, mas não trouxe nada de surpreendente, analisou o professor de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Victor Melo.

Melo disse que o discurso pode significar para os dois países um momento novo de relacionamento no cenário internacional.
“Pareceu-me que ele, de alguma forma, anuncia um certo realinhamento das prioridades no que se refere à América Latina, um pouco mais de cuidado com a liderança brasileira, que vem ocupando espaço no cenário internacional”, disse.

O professor da UFRJ avaliou, porém, que em linhas gerais, o discurso de Obama foi muito “protocolar”. Para ele, as palavras do presidente norte-americano foram “demonstrações naturais de fraternidade”. “Achei interessante, mas nada entusiasmante”, completou Melo.

Barack Obama promete voltar ao Brasil em 2016 para as Olimpíadas

Mais uma vez, a terceira em menos de 48 horas, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mencionou a derrota de Chicago para o Rio de Janeiro na disputa para sediar as Olimpíadas de 2016. Ele voltou a falar sobre o assunto hoje (20), durante o discurso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em tom que misturou lamento e humor, Obama admitiu que não apoiou a candidatura do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos, até mesmo porque uma cidade de seu país estava na disputa. Mesmo assim prometeu retornar ao Brasil para os Jogos em 2016.

“Se os Jogos Olímpicos não podem ser em Chicago, não há outro lugar no mundo que eu quisesse mais que recebesse os jogos do que o Rio de Janeiro”. Em 2009, a capital fluminense venceu Madri (Espanha), Tóquio (Japão) e Chicago na disputa para sediar as Olimpíadas.

Ontem (19), em Brasília, Obama reconheceu que ainda é doloroso constatar que o Rio venceu Chicago na disputa para sediar os Jogos Olímpicos. Atleta e praticante de basquetebol, o norte-americano disse que foi derrotado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nessa disputa. Nas passagens pelo Palácio do Planalto e Itamaraty, Obama citou o episódio.

“O [ex-presidente Luiz Inácio] Lula [da Silva] me ganhou nessa. Digo isso com um certo pesar”, revelou Obama no encerramento do fórum de presidentes de empresas (denominados CEOs, na sigla em inglês) brasileiras e norte-americanas, no Palácio Itamaraty. A presidenta Dilma Rousseff, que estava sentada ao lado de Obama, riu ao ouvir a declaração.
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*Com informação da Agência Brasil

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