Consultora da BOVESPA Tércia Rocha destaca que a Bahia cresceu 500% em investimentos na Bolsa de Valores e foi recorde nacional

Tércia Rocha: Comprar e vender ações quer dizer: estou comprando parte de um negócio da empresa que eu gosto de participar. Os negócios feitos na bolsa são garantidos.
Tércia Rocha: Comprar e vender ações quer dizer: estou comprando parte de um negócio da empresa que eu gosto de participar. Os negócios feitos na bolsa são garantidos.

A BM&FBOVESPA realizou no dia (21/03/2011), em Salvador, curso para os jornalistas sobre o funcionamento dos mercados da bolsa, sendo os seus principais produtos e serviços oferecidos na palestra Mercado de Ações, Mercados de Futuros e o Sistema de negociação.

Neste curso, Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia (JGB) entrevistou com exclusividade a economista Tércia Bispo Rocha, pós-graduada em Mercado de Capitais pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (EGPE/FGV), em Gestão de Projetos pela Escola Politécnica (POLI/USP) da Universidade de São Paulo e consultora BM&F Bovespa (Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros), que falou sobre os aspectos essenciais da bolsa de valores e o que é necessário para o cidadão investir na bolsa. Ela destaca: “O investidor deve ter consciência dos seus objetivos. Ele está juntando dinheiro para realizar que tipo de objetivo? Para que ele saiba investir o dinheiro corretamente. Isso é fundamental na tomada de decisão sobre o investimento”.

JGB – Quem fiscaliza a Bolsa de Valores?

Tércia Rocha – A CVM, Comissão de Valores Mobiliários. Ela fiscaliza todas as sociedades por ações de capital aberto e as sociedades por ações que não tem capital aberto.

JGB – De modo sintético, como funciona a bolsa de valores?

Tércia Rocha – A bolsa é uma empresa prestadora de serviços. Ela é uma empresa que presta serviços a instituições financeiras, especificamente corretoras e distribuidoras, sendo também uma empresa auto reguladora. Ela faz a regulação do mercado, ela fiscaliza o mercado também em conformidade com a CVM, que é a agência reguladora do mercado.

JGB – Os países desenvolvidos do ponto de vista econômico e financeiro possuem sempre mercados de capitais amplos. Qual a importância da bolsa para os países emergentes?

Tércia Rocha – O mercado de capitais é a via para que as companhias captem recursos para financiar o seu crescimento, desenvolvimento e os seus projetos, sendo uma oportunidade para o investidor de ser sócio desses negócios auferindo os lucros ali gerados.

JGB – O cidadão mora numa pequena cidade do interior da Bahia. Como ele pode se tornar investidor da bolsa?

Tércia Rocha – Ele precisa procurar uma sociedade corretora para abrir lá uma conta investimentos, que irá representa-lo no mercado de capitais.

JGB – Mas, e se na cidade pequena não existir a sociedade corretora?

Tércia Rocha – É bom a pessoa procurar quem está atuando naquela região, pois hoje em dia a Internet resolve os problemas de distâncias e os serviços das sociedades corretoras estão disponíveis nos sites das sociedades corretoras. Mas, num primeiro momento é preciso entrar no site da bolsa ver a corretora que atende na região e se aproximar dessa corretora fazendo uma pesquisa de mercado, descobrindo qual melhor lhe atende para abrir a conta investimento.

JGB – Os bancos comerciais que tem suas agências nessas cidades podem funcionar como corretoras?

Tércia Rocha – Não. Bancos são bancos. Corretoras são corretoras. São instituições diferentes. Bancos fazem os serviços que o Banco Central (BACEN) permite que os bancos comerciais façam e entre eles não está à representação do investidor direto na bolsa.

JGB – Qual o menor valor para o pequeno investidor aplicar na bolsa?

Tércia Rocha – Com qualquer quantidade de dinheiro que ele queira. Não existe nenhuma limitação. Valores muito pequenos podem ser investidos.

JGB – Quais os conselhos que a senhora daria para um pequeno investidor que inicia, hoje, investimentos na bolsa?

Tércia Rocha – Que a pessoa esteja muito bem informada antes de tomar a decisão de investir. O investidor deve ter consciência dos seus objetivos, ele está juntando dinheiro para realizar que tipo de objetivo? Para que ele saiba investir o seu dinheiro corretamente. Isso é fundamental na tomada de decisão sobre o investimento.

JGB – Normalmente, as pessoas que estão iniciando investimentos na bolsa cometem quais erros?

Tércia Rocha – Eu não sei dizer exatamente que tipos de erros os investidores objetivamente. Mas, é muito comum que as pessoas não observem, por exemplo, a necessidade de diversificar os seus investimentos. É importante que não se tenha toda a sua poupança investida em um único local. É bom que se saiba diversificar os investimentos para que se tenha mitigação dos riscos. Evitando os riscos de concentração.

JGB – O investimento na bolsa é um investimento de curto, médio ou longo prazo? Ele tem liquidação imediata? Como é classificado esse tipo de investimento?

Tércia Rocha – O investimento em bolsa é considerado um investimento de médio e longo prazo, pois está vinculado a um negócio que a pessoa é sócio e os ciclos econômicos não são ciclos de curto prazo.

JGB – Na sua palestra, a senhora disse que a Bahia cresceu 500% e o Brasil 300%. Quais os fatores que propiciaram o crescimento da Bahia ser superior ao do Brasil?

Tércia Rocha – Isto está diretamente vinculado ao crescimento do poder aquisitivo das pessoas. Quanto mais dinheiro as pessoas têm, menos elas se endividam mais elas poupam e quando elas poupam elas procuram investimentos que tenham rentabilidade, que elas acham que seja interessante, então as pessoas saem hoje da renda fixa com uma visão de prazo mais adequada, procurando uma rentabilidade mais adequada.

JGB – O governo brasileiro tem ações em algumas empresas chamadas Golden Chair. A senhora sabe dizer quais são essas empresas? (5’32”).

Tércia Rocha – Não. Eu não sei te dizer com relação aos investimentos governamentais as ações do governo. Isso não diz respeito à bolsa.

JGB – O que seriam as ações ordinárias e as ações preferenciais? E por que somente o Brasil possui essa diferenciação?

Tércia Rocha – Ações ordinárias são as que dão direito a voto. Ação preferencial não dá direito a voto. Isso foi criado lá nos anos 70 quando a lei de Sociedade por Ações foi criada pela primeira vez, atendendo ao que naquela época o país entendia como bom. O que é importante observar é que, hoje em dia, as empresas procuram cada vez mais ter a equidade entre os sócios. Então, é importante ler o estatuto social da companhia para saber, exatamente, quais são os direitos que cada tipo de ação tem.

JGB – Qual dos dois tipos de ação possui maior valorização?

Tércia Rocha – Depende. Pois, a valorização não é objetivamente da ação em si. A valorização está muito vinculada ao negócio da empresa. Como temos quase 500 empresas listadas na bolsa é difícil dizer a empresa mais valorizada, pois o analista de investimento que conhece as empresas é profissional que trabalha nas sociedades corretoras, ele não é um profissional que trabalha na bolsa. A bolsa não faz juízo de valor. Então, o investidor que está querendo conhecer de perto as empresas para saber exatamente qual negócio deve se associar deve procurar um analista de sistema da sociedade corretora, para lá comparar as empresas, as rentabilidades, os riscos e decidi sobre os seus investimentos da forma mais adequada possível.

JGB – Quando uma movimentação ocorre de forma exponencial, acima de determinados percentuais, a bolsa para o seu funcionamento. Quais são esses percentuais? E isso ocorre em quais situações?

Tércia Rocha – Não são parâmetros gerais. Estamos falando objetivamente em variação de preço. Talvez, a pergunta seja: qual o poder da bolsa de interferir no mercado? A bolsa tem todo o direito de interferir no mercado garantindo ao investidor que aquela decisão o protege, aquela decisão é a melhor para manter a formação justa neste mercado.

Por exemplo, se índice da bolsa começar a cair rapidamente e atingir 15% de queda a bolsa tem o direito de executar o que a gente chama de circuit braeker, parar o funcionamento do pregão e verificar o que está acontecendo, levando aquele movimento tão acelerado, descobrir o que está acontecendo, acalmar o mercado e aí, sim, voltar a negociar dentro de padrões estabelecidos. Todas essas regras fazem parte do regulamento de operações que é público e está disponível no site da BM&FBOVESPA, sendo que qualquer investidor pode ter acesso a essas regras.

JGB – Existe, ainda, no imaginário das pessoas de que existem artimanhas financeiras. É seguro investir na bolsa?

Tércia Rocha – É seguro investir em companhias que o investidor entende como completamente coerente o tipo de risco que essa companhia tem, com o seu apetite a risco. Comprar e vender ações quer dizer: estou comprando parte de um negócio da empresa que eu gosto de participar. Os negócios feitos na bolsa são garantidos. A bolsa garante que o comprador e vendedor vão levar para casa o resultado do negócio. Agora, o risco que o investidor corre não é esse. O risco que o investidor corre são os riscos voltados ao negócio que cada uma das companhias têm.

JGB – A equipe do Jornal Grande Bahia (JGB) lhe agradece e deixa com a senhora as palavras finais.

Tércia Rocha – Eu queria falar que os investidores precisam estar bem informados. Bem informados não é o “disse me disse” que se ouve aqui e ali que me contaram em parte. O bem informado sabe que o site da CVM, o site da bolsa, das companhias, das bolsas são os melhores lugares para se obter as informações seguras. Informação em que aquele que publica se responsabiliza pela informação que ali esta publicada.

Além disso, no site da bolsa existe cursos on-line. Assim, as pessoas que querem conhecer esse mercado podem entrar no site da bolsa (www.bmfbovespa.com.br) e no menu tem um item chamado educacionalonde as pessoas podem fazer cursos on-line ou se inscrever para cursos presenciais, se informando antecipadamente, antes de se arriscarem em investimentos que desconhecem os riscos envolvidos.

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Carlos Augusto 9609 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).