Em Salvador, Torres restauradas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos se tornam atração do Pelô

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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As torres da igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Largo do Pelourinho, estão despertando atenção de turistas e soteropolitanos que visitam o Centro Histórico de Salvador (CHS)!

Cobertas de azulejos portugueses do século 17 – lisos e de cor branca – os topos das duas torres recuperaram o seu brilho original se transformando, pelo reflexo, em potentes refletores durante horários de claridade, como ao sol do meio-dia, em noite de luar ou quando o largo está com intensa iluminação artificial, como aconteceu no Carnaval do Pelô 2011.

Isso se deve a criterioso trabalho de equipes especializadas em restaurações coordenadas pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), da secretaria estadual de Cultura (SecultBA). O secular prédio, tombado como Patrimônio Nacional pelo Ministério da Cultura (MinC), está recuperando sua nobreza e dignidade. Na mesma igreja, o IPAC restaura forros, altares, telhados, assoalhos, paredes e acervo de imagens. São mais de R$ 2,3 milhões investidos do Ministério do Turismo, Banco do Nordeste e contrapartida do Governo do Estado, via secretaria de Turismo.

Segundo o restaurador Estácio Fernandes, o impacto das torres no público se deve ao contraste do antes e depois da intervenção. O técnico explica que impurezas provocadas pelo tempo e intempéries deixaram as torres escuras. Relatório aponta que estavam com fungos, cromobacterias, infiltrações de água, desprendimentos em blocos de azulejos, fissuras do vidrado e do biscoito do azulejo – como se denomina cada peça -, além de pedaços faltantes.

Foi feita limpeza química e mecânica, remoção de rejuntamentos, aplicação de herbicidas, reintegração cromática das áreas com perda do vidrado, nivelamento da superfície e aplicação de verniz protetor. “Agora, restauradas, as torres ganham brilho original ausentes por anos”, ressalta o restaurador. “Muitos desavisados acham que as torres até receberam pintura. Mas não pintamos azulejos! Isso seria amador. O correto é restaurar cada peça, como fizemos na Rosário”, diz Fernandes.

Outro assunto abordado é tempo exigido para obras em prédios seculares. “Restaurações como dessa igreja demandam, em qualquer lugar do mundo, cronogramas maleáveis modificados de acordo com as descobertas e exigências que ocorrem no processo”, alerta o gerente de Conservação do IPAC, José Carlos Matta. Matta explica que são obras complexas por envolver construções de 300 a 400 anos. Só o trabalho de recuperação de azulejos das torres do Rosário levou seis meses.

“Para se ter ideia, antes de começarmos obras na igreja do Pilar, do século 18, na Cidade Baixa, retiramos 2,5 mil toneladas – 300 caçambas – de lixo que moradores jogaram no monumento, o que modificou imediatamente o cronograma da obra”, relata o gerente do IPAC. Outro exemplo recente é o fundo do altar da igreja do Boqueirão, no bairro de Santo Antônio, que o IPAC descobriu ser folheado a ouro e teve que ser restaurado, demandando mais tempo. O altar ficou recoberto por mais de 100 anos, pois os padres tinham receio de roubos no templo.

Acúmulo de fungos, micro-organismos e oxidação de verniz, também impediam a visibilidade de pintura do século 19, do mestre José Joaquim da Rocha, no teto da igreja do Rosário. Na Casa das Sete Mortes (CHS) descobriu-se um sistema de captação de água de influência árabe e ibérica. “Descobertas são comuns em prédios antigos, o que modifica o tempo, andamento das intervenções e até de orçamentos previstos”, finaliza Matta.

ROSÁRIO, PATRIMÔNIO NACIONAL – Localizada no Largo do Pelourinho – espaço triangular surgido com demolição de uma das portas que defendia Salvador até o século 17 – a igreja do Rosário dos Pretos é destaque no CHS e foi construída a partir de 1704. O prédio possui imponência, corredores laterais, com pátio ao fundo, onde existe cemitério. Como as igrejas do Boqueirão e Santo Antônio Além do Carmo, a Rosário possui oratório no lado direito e no plano da fachada que se abre para a rua. As terminações das torres são revestidas de azulejos e no interior existem azulejos com cenas relativas à devoção ao Rosário de Lisboa (1790). O retábulo do altar-mor é de João Simões de Souza (1870/71) e a pintura do teto é de José Pinto Lima (1870/71). Dentre a imaginária, destacam-se N.S. do Rosário (séc.17), São Benedito, Santo Antônio de Categerona e Cristo Crucificado em marfim. Tombada como Patrimônio Nacional pelo IPHAN 1938, a igreja pertence a Irmandade dos Homens Pretos que foi uma das primeiras confrarias de negros criada no Brasil e funcionou inicialmente na antiga.

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