Em entrevista, Ildes Ferreira avalia o governo de Pimenta, fala sobre Ronaldo e comenta as derrotas eleitorais de Colbert e Ismael

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Ildes Ferreira: "Eu acho que Tarcízio pode virar outro Clailton, se ele não tiver a capacidade de tomar decisões rápidas, ele estará entrando num caminho sem volta.".
Ildes Ferreira: "Eu acho que Tarcízio pode virar outro Clailton, se ele não tiver a capacidade de tomar decisões rápidas, ele estará entrando num caminho sem volta.".
Ildes Ferreira: "Eu acho que Tarcízio pode virar outro Clailton, se ele não tiver a capacidade de tomar decisões rápidas, ele estará entrando num caminho sem volta.".
Ildes Ferreira: “Eu acho que Tarcízio pode virar outro Clailton, se ele não tiver a capacidade de tomar decisões rápidas, ele estará entrando num caminho sem volta.”.

Na segunda parte da entrevista, Ildes analisa o desempenho eleitoral de Colbert Martins, fala sobre Zé Neto. Avalia os governo de Tarcízo Pimenta, a influência de Ronaldo na prefeitura. Quanto a Celso Pereira, ele diz que não compreende a ida de para o governo do Democratas. Ildes também comenta sobre a candidatura de Ismael Ferreira, seu irmão, a prefeito de Valente.

JGB – E quanto ao Ildes político. O senhor continua filiado ao PMDB?

Ildes Ferreira –  Continuo. E isso me orgulha muito. Fui da época do saudoso Ulisses Guimarães, quando fui candidato a vice-prefeito aqui e não era filiado a partido nenhum e me filiei ao PMDB. Enfim, sou filiado.

JGB – Como peemedebista. Que papel o senhor acredita que ex-deputado Colbert Martins, primeiro suplente do partido, deve ter a partir de agora no processo eleitoral de 2012, que se aproxima?

Ildes Ferreira – Colbert tem um papel importante. Ele se demonstrou um deputado ético, correto, competente e Feira perdeu muito ao não eleger Colbert. Ele teve 74. 000 votos na eleição para prefeito e 58.000 para deputado federal, assim acredito que ele vai ter um papel importante e decisivo nas eleições municipais de 2012.

JGB – Como candidato ou apoiando alguma candidatura?

Ildes Ferreira –  Em qualquer posição que ele estiver. Não sei qual vai ser o posicionamento dele, mas vai ser muito importante o seu papel nas próximas eleições municipais.

JGB – O senhor enquanto militante do PMDB defende qual posição?

Ildes Ferreira – Defendo a candidatura.

JGB – Na sua avaliação como militante e liderado do ex-deputado Colbert Martins o que faltou para ele interiorizar o seu mandato?

Ildes Ferreira –  Na minha avaliação faltou muita coisa. Primeiro, o estado fica loteado cada município tem entre três e quatro “donos dos votos”, que são pessoas que tem algum recurso e negociam com as lideranças. Então, Colbert tinha essa dificuldade em fazer essa negociação. Segundo, ele não tem recursos para fazer isto. Terceiro, Colbert é uma pessoa que não tem a facilidade de relacionamento com os setores populares como Zé Neto tem. Tivemos 10, 12 municípios com Colbert, porém o estado tem 417.

JGB – Dentro deste contexto das eleições que se aproximam, o senhor na condição de liderado do ex-deputado Colbert Martins participa de uma reunião plenáriado deputado Zé Neto. Existe a possibilidade de união do PT com o PMDB no próximo pleito eleitoral?

Ildes Ferreira – Ao retornarmos a história dos partidos no Brasil essas possibilidades sempre existem. As acomodações locais, às vezes, superam as acomodações nacionais. Nas eleições passadas tivemos alguns municípios em que o PT estava coligado com o DEM. Isso é possível, apesar de ser um caso extremo. Aqui em Feira de Santana todos sabem da relação próxima entre o PMDB e o PT. Todos sabem disso. Não é uma relação de partido. É uma relação política. O projeto político do PT se não for o mesmo é muito parecido com o nosso projeto político. Então, eu acho que temos todas as chances de caminharmos juntos. Eu espero muito que isso aconteça.

JGB – Que avaliação o senhor faz do governo Tarcízio Pimenta e do movimento do ex-prefeito José Ronaldo, que nos bastidores tem se demonstrado distante da administração de Pimenta, mas continua com vários liderados seus ocupando cargos?

Ildes Ferreira – Eu acho que Tarcízio pode virar outro Clailton. Se ele não tiver a capacidade de tomar decisões rápidas, ele estará entrando num caminho sem volta. Não nos esqueçamos que José Ronaldo chorou na televisão, pediu um presente que era o voto a Tarcízio. Quer dizer fez aquele teatro todo e elegeu Tarcízio. Todos sabiam que Tarcízio não era do ninho político de Ronaldo. E não demorou para as coisas começarem a pipocar.

Hoje, se sabe que o conflito se aprofundou e os “ronaldistas”, na minha avaliação, querem ferrar com Tarcízio. O que é natural. Eles estão disputando espaço agora. Então, é de se esperar que os “ronaldistas” não iriam apoiar Tarcízio, mas, sim, desgastar o governo dele. Tarcízio ainda não entendeu isso e pode ser que quando ele vier a entender seja tarde demais. Acho que Tarcízio deve fazer a seguinte escolha: se recompor com José Ronaldo ou romper de vez com José Ronaldo.

Quando falo José Ronaldo refiro-me ao grupo, ao DEM. Para mim se ele romper com José Ronaldo e ficar com a “perninha” aqui e ali não vai adiantar nada. A sua decisão tem que ser rápida ou então vai ser tarde demais.

JGB – Na sua avaliação o que significa a saída do seu ex-companheiro Celso Pereira para o governo Tarcízio?

Ildes Ferreira –  Não sei. Confesso que quando soube da notícia não consegui definir o que lhe motivou a ir para o governo municipal.

JGB – O seu irmão Ismael Ferreira é uma forte liderança em Valente, já tentou ser prefeito, por algumas vezes, embora sem obter êxito. Ele vai ser candidato em 2012? O senhor pretende colaborar com está candidatura? O que faltou para que ele se elegesse em Valente?

Ildes Ferreira – Valente como grande parte dos municípios do interior tem uma forte presença dos resquícios oligárquicos. As pesquisas apontavam a vitória de Ismael e de sexta-feira para domingo ele perde as eleições. Ele perdeu as eleições porque a compra de voto foi aberta e vergonhosa. Depois da eleição tiveram pessoas, não eram de partido não, que procuraram o promotor público de Valente e denunciaram a compra de votos do prefeito.

O promotor gerou um processo, mandou para a justiça e não deu em nada, nem julgamento teve. Houve filmagem dele doando vale-combustível para carreata. Isso é crime eleitoral. A justiça tem tudo isso.

Ganharam a eleição na fraude e lamentavelmente a justiça homologa, abençoa esses procedimentos o que é muito triste. Então, ele é candidato de novo. Porém, o receio continua, as oligarquias ainda estão muito fortes. No interior é sempre assim. Os caras se elegem prefeito não é para o social não, é para se servir. Você pode ver que os familiares dos prefeitos estão todos ricos, cheios de fazendas e em Valente não é diferente. Na hora H, eles se juntam para evitar uma candidatura de interesse maior.

JGB – Quais sonhos o ainda homem público, Ildes Ferreira tem para o estado da Bahia, para Feira de Santana e, até mesmo para a UEFS?

Ildes Ferreira – Acho que vivemos nutrindo uma utopia. A utopia é termos um governo que pense em Feira de Santana no futuro, fugindo do feijão com arroz. Ter uma gestão pública que de fato atenda Feira de Santana no que ela precisa. E ela tem tudo para isso. Para mim o nó hoje do país é a gestão. Sonho que Feira deve ter um projeto de futuro.

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Sobre Carlos Augusto 9707 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).