Cabaceira do Paraguaçu: Museu de Castro Alves comemora 40 anos com nova estrutura

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Este ano o município de Cabaceiras do Paraguaçu tem motivo em dobro para comemorar o 14 de março de 2011. A data, além de marcar os 164 anos de nascimento do poeta Castro Alves, também festeja os 40 anos de inauguração do museu biográfico Parque Histórico Castro Alves (PHCA). Situado na Fazenda Cabaceiras, antiga moradia do poeta, o local esteve fechado durante o mês de fevereiro para reformas. O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), através da Diretoria de Museus (DIMUS) promoveu uma reforma na estrutura física do museu, além de restauro e higienização de parte do acervo composto por mais de 380 objetos que pertenceram ao poeta e seus familiares.

Agora, o museu reabre com uma nova concepção expográfica assinada pelo arquiteto André Vainer. Com a requalificação do Parque Histórico, o público terá um local totalmente revitalizado e adequado para conhecer, pesquisar e mergulhar no universo do porta-voz literário da Abolição da Escravidão no Brasil. Segundo Daniel Rangel, diretor da DIMUS, o museu continua a preservar a memória de Castro Alves, mas passa a dar mais destaque a obra literária do poeta dos escravos. “O Parque Histórico comemora os 40 anos de criação com uma nova exposição que conecta o poeta e seu tempo com a contemporaneidade. Manuscritos, livros, indumentárias e adornos pessoais estão agora reunidos com vozes e imagens que revelam o legado poético deixado por Castro Alves”, conta Rangel.

Nas quatro salas que compõem o museu o público poderá imergir de forma lúdica na vida e obra do poeta baiano. Uma das salas abriga objetos pessoais como fotografias, cartões-postais, manuscritos, livros e indumentárias. Em outro ambiente, redes e almofadões são um convite a relaxar e ouvir poesias. Uma sala com telão está reservada para a exibição de vídeo-animações de 15 min produzidos a partir de poemas do mestre do romantismo brasileiro. No local o visitante também terá acesso a computadores e links específicos para pesquisar sobre poesia e a vida de Castro Alves. Em um quarto espaço, cartazes, folders e livretos estarão disponíveis com dados e curiosidades sobre o poeta.

Para a museóloga Alba Boente, coordenadora do Parque Histórico Castro Alves, esse novo momento do museu é muito especial. “Vamos dar seguimento e visibilidade ao trabalho de excelência que realizamos aqui. Tenho certeza que o Parque vai continuar atraindo e encantando seus visitantes, agora com uma ambientação ainda mais adequada”.

Concurso

Dando início a programação comemorativa, no dia 12 (sábado) acontece o X Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves. A partir das 13h o público poderá conferir o concurso que premiará os cinco primeiros colocados. Os inscritos serão analisados por um júri qualificado, composto por diretores de teatro, atores, poetas e profissionais da área de literatura, que levará em consideração critérios de interpretação, originalidade, criatividade e a fidelidade ao texto declamado. O festival é uma oportunidade de levar ao grande público os consagrados poemas do famoso trovador baiano. As inscrições podem ser feitas até o dia 10 de março pelo telefone (75) 3681-1102.

A Festa

No dia 14 de março os festejos serão intensos. Às 5h da manhã a alvorada não deixará ninguém esquecer do grande dia. Uma missa será celebrada às 8h da manhã, em homenagem ao filho mais ilustre de Cabaceiras. Marcando os festejos, uma feira cultural será aberta as 9h e a banda Didá fará uma apresentação itinerante pelo Parque Histórico, às 9h30. Em seguida, um dos momentos mais especiais do dia, será reaberto o museu biográfico Parque Histórico Castro Alves, que este ano completa 40 anos de inaugurado. Às 11h os ganhadores do X Festival de Declamação de Poemas de Castro Alves farão uma apresentação. À tarde a programação continua. A Fundação Pedro Calmon, parceira no evento, promoverá, às 15h30, um recital de poesias com Marcos Peralta, além do lançamento do livreto Adeus meu canto. O encerramento dos festejos fica por conta do grupo musical Chita Fina, às 16h.

O Poeta

Antônio de Castro Alves, nasceu na Bahia no dia 14 de março de 1847, na Fazenda Cabaceiras, comarca de Muritiba, a 42 km da Vila de Nossa Senhora da Conceição de “Curralinho” (hoje, município de Castro Alves). Famoso pelas fortes críticas à escravidão, ele fez parte da Terceira Geração da Poesia Romântica (Social ou Condoreira), caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos, sendo considerado a maior expressão da época. Entre suas obras estão Espumas Flutuantes, Gonzaga ou A Revolução de Minas, Cachoeira de Paulo Afonso, Vozes D’África, O Navio Negreiro.

Em 1862 Castro Alves ingressou na Faculdade de Direito de Recife, após ter feito o curso primário no Ginásio Baiano. É dessa época a composição dos primeiros poemas abolicionistas: Os Escravos e A Cachoeira de Paulo Afonso. Em 1867, retorna para a Bahia e segue, no mesmo ano, para o Rio de Janeiro, com incentivos promissores de José de Alencar, Francisco Otaviano e Machado de Assis. Depois, em São Paulo, conviveu com intelectuais e escritores como Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves, Afonso Pena e Bias Fortes. Neste período, viveu seus dias de maior glória. Em 11 de novembro de 1868, caçando nos arredores de São Paulo, feriu o calcanhar esquerdo com um tiro de espingarda, o que resultou na amputação do pé. Em seguida, contraiu tuberculose, obrigando-o a voltar à Bahia, onde morreu, em 1871.

O Parque

Museu Biográfico localizado a 160 km da cidade de Salvador, o PHCA foi inaugurado em março de 1971, por ocasião do primeiro centenário da morte de Castro Alves. Dispõe de um auditório aberto com capacidade para 200 pessoas, uma biblioteca especializada em poesia, uma escola de 1° e 2° graus, uma fonte, um caramanchão e um acervo com mais de 380 objetos que pertenceram ao poeta e seus familiares.

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