As senadoras Marta Suplicy (PT-SP) e Marinor Brito (PSOL-PA) repudiam declarações de Bolsonaro

Por meio de notas à imprensa, as senadoras Marta Suplicy (PT-SP) e Marinor Brito (PSOL-PA) repudiaram as declarações feitas pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) no programa CQC, exibido pela TV Bandeirantes, na última segunda-feira (28/03/2011).

A declaração do parlamentar que mais causou comoção foi dada em resposta a uma pergunta da cantora Preta Gil: “Se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?”. O deputado respondeu: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados. E não vivem em ambiente como, lamentavelmente, é o teu”.

Em sua nota, Marta define o comportamento de Bolsonaro como inadmissível e recorrente. A senadora afirma que as declarações do deputado atingem toda a sociedade brasileira. Para a vice-presidente do Senado, um representante do povo “deve ter como regra o respeito à Constituição brasileira e prezar pelo decoro parlamentar”.

“O destempero, o preconceito e o desrespeito à Constituição e aos cidadãos não podem passar batido pela Câmara dos Deputados”, afirma Marta Suplicy.

Marinor Brito, por sua vez, classifica a postura do deputado como “repugnante e preconceituosa”. Para a senadora, atitudes como a de Bolsonaro contribuem para incitar ainda mais a violência contra negros e homossexuais, que já sofrem com “índices alarmantes” de ataques violentos.

“Esse tipo de postura, principalmente vinda de um parlamentar, é inaceitável e deve ser repudiada. Não podemos permitir que, em pleno século XXI, alguém se sinta no direito de atacar cidadãos e cidadãs por causa da sua cor, raça, crença, gênero ou orientação sexual. Acho que o deputado deveria ler um pouco mais a Constituição, da qual, enquanto representante do povo, caberia zelar”, diz a nota.

Deputado nega acusação de racismo

Também em nota sobre o assunto, Jair Bolsonaro afirma ter entendido equivocadamente a pergunta de Preta Gil. Ele argumenta ter achado que a pergunta era sobre um eventual namoro de um filho dele com um gay.

“Todos aqueles que assistam, integralmente, a minha participação no programa, poderão constatar que, em nenhum momento, manifestei qualquer expressão de racismo. Ao responder por que sou contra cotas raciais, afirmei ser contrário a qualquer cota e justifiquei explicando que não viajaria em um avião pilotado por cotista nem gostaria de ser operado por médico cotista, sem me referir a cor”, diz no texto.

O deputado também nega ser homofóbico, embora ressalte acreditar que o homossexualismo “não seja motivo de orgulho”. Quanto à acusação de racismo, afirma que “inúmeros amigos e funcionários afrodescendentes podem responder por mim”.

A Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) e 19 parlamentares pediram na terça-feira (29) abertura de processo contra o deputado na Câmara, por quebra de decoro parlamentar. Preta Gil também afirmou que vai processar Bolsonaro.

Com injúria a gays, Bolsonaro tenta se livrar de acusação de racismo, diz conselho

O Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT) – colegiado vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH) – divulgou nota de repúdio às declarações feitas pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) em um programa de televisão na última segunda-feira (28). O parlamentar afirmou que seus filhos não correm o risco de namorar uma mulher negra ou de “virarem gays”.

Em um quadro de um programa humorístico, Bolsonaro foi perguntado sobre qual seria sua reação caso seu filho se apaixonasse por uma negra. O deputado respondeu que não “corria o risco” porque os filhos foram “muito bem-educados” e não viveram “em ambiente de promiscuidade”. Ontem (29), o parlamentar foi à tribuna se defender. Ele disse que se confundiu e achou que a pergunta se referia a homossexuais.

A nota assinada pelo conselho afirma que o deputado se aproveitou “da falta de instrumento legal que criminalize atos homofóbicos” para “se esquivar da acusação de racismo – crime tipificado na legislação brasileira -, agredindo e injuriando novamente a população LGBT”.

Hoje (30) a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seção do Rio de Janeiro, encaminhou representação à Corregedoria da Câmara dos Deputados para que seja aberto processo contra Bolsonaro por quebra de decoro parlamentar. Durante velório do ex-vice-presidente José Alencar, o parlamentar disse não temer perder o mandato por caudas das declarações.

Na nota, o CNCD pede que a Procuradoria-Geral da República instaure “investigação criminal para apuração do crime de racismo e injúria e difamação contra a população de mulheres e LGBT”. “Com tais posições e declarações, Bolsonaro reforça a sua faceta homofóbica, racista e sexista, agindo, de forma deliberada, com posturas incompatíveis com o decoro e a ética exigida de um representante da sociedade brasileira no Congresso Nacional, especialmente considerando os princípios da democracia e do respeito à diversidade do povo brasileiro”.

*Com informação da Agência Senado

Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 109903 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]