Salvador: Forte de Santo Antônio Além do Carmo sedia encontro sobre capoeira para mulheres

Vista do Forte Santo Antônio Além do Carmo, no Pelourinho, em Salvador.
Vista do Forte Santo Antônio Além do Carmo, no Pelourinho, em Salvador.

Tombado como patrimônio cultural da Bahia e restaurado pelo Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), da secretaria estadual de Cultura (SecultBA) e sede de academias de capoeira, o Forte Santo Antônio Além do Carmo no Centro Histórico de Salvador (CHS) abre espaço a partir de amanhã, dia 19 (fevereiro, 2011), para o 1º Seminário: No Ventre, a Capoeira.

O evento objetiva fortalecer a participação das mulheres na capoeira, com encontros aos sábados, das 14h às 18h30, até 9 de abril, quando acontece encerramento com diversas oficinas. Antes, no dia 5 do mesmo mês, o Mestre Pastinha – considerado maior propagador da capoeira angola no Brasil – será alvo de grande homenagem (VEJA HISTÓRICO). Na programação está prevista a entrega de troféu ao Mestre João Pequeno e mais sete mulheres representantes femininas na capoeira. “Serão lembradas mulheres de relevância no contexto político-sócio-cultural da Bahia”, comenta Cristiane Nani, da organização dos encontros.

A capoeira é oficialmente Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2006 através de pesquisas do IPAC. Em 2009, o Ministério da Cultura (MinC) também registrou a capoeira como patrimônio brasileiro. Segundo a antropóloga Maria Paula Adinolfi, autora do parecer do MinC, a capoeira é um fenômeno multifacetado e multidimensional, ao mesmo tempo dança, luta e jogo. “A capoeira surgiu provavelmente em fins do século 18 entre crioulos e africanos escravizados ligados às atividades da zona portuária ou comercial das grandes cidades litorâneas, e não nas senzalas dos engenhos, como foi imaginado por muitos anos”, diz Adinolfi.

A antropóloga explica que apesar de tributária de conflitos característicos da sociedade escravista colonial no Brasil, a capoeira mantém elementos culturais de matriz bantu, originários dos atuais países africanos Angola e Congo. “Essas nações associariam a capoeira a outras práticas culturais bantu-brasileiras, algumas das quais são reconhecidas como patrimônio cultural do Brasil, como o jongo, o samba de roda do Recôncavo e o samba do Rio de Janeiro”, conclui a pesquisadora.

Administrado pelo IPAC o Forte de Santo Antônio reúne atividades ligadas à capoeira. A edificação fica no mesmo lugar da trincheira Baluarte de Santiago, construída em 1627, após a expulsão dos holandeses de Salvador. Na década de 1950, foi transformado em prisão desativada em 1976, e no regime militar abrigou presos políticos. Informações sobre o seminário através dos telefones (71) 9925-5830, 8312-5869, 9635-5433 e 8833-1469, ou [email protected] [email protected] Dados sobre o forte e IPAC no blog http://fortesantoantonio.blogspot.com e site www.ipac.ba.gov.br.

MESTRE PASTINHA – Vicente Joaquim Ferreira (1889 — 1981) chamado de Pastinha foi um dos mais reconhecidos mestres de capoeira do Brasil. Em depoimento ao Museu da Imagem e do Som em 1967, o mestre contou que “um velho africano assistindo a briga de rua da qual eu participava e apanhava e me convidou para me ensinar a capoeira”. Depois de anos de dedicação os conceitos de Pastinha formaram seguidores em todo Brasil. A originalidade do método de ensino e a prática do jogo enquanto expressão artística formaram a escola que privilegia o trabalho físico e mental para que o talento se expanda em criatividade. Em 1941, fundou a primeira escola de capoeira legalizada pelo governo baiano, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), no Largo do Pelourinho. Em 1966, integrou a comitiva brasileira ao primeiro Festival Mundial de Arte Negra no Senegal e em 1965 publicou o livro Capoeira Angola, em que defendia a natureza desportista e não-violenta do jogo. Pastinha enfatizou o lado lúdico e artístico da capoeira, destacando os treinos de cantos e toques de instrumentos. Também buscou na tradição conceitos centrais, como a malícia e a ilusão do adversário sempre que possível, para evitar movimentos mecânicos e previsíveis. Para ele, a capoeira era um esporte, uma luta, mas também uma reza, lamento, brincadeira, dança, vadiagem e um momento de comunhão.

PROGRAMAÇÃO

Período: de 19 de fevereiro a 09 de abril.

Dia: Sempre aos sábados. Horário: 14: às 18:30. LOCAL Forte Santo Antonio- Largo Santo Antonio Além do Carmo AJPP-CECA

Obs. Além da abertura e do encerramento do Evento, apenas as Rodas de Prosas, nos finais das tardes, serão abertas a participação masculina.

Abertura do I SEMINÁRIO: NO VENTRE, A CAPOEIRA.

Dia 19 de fevereiro (1º sábado) Aberto ao público:

(com a participação do Mestre João Pequeno de Pastinha).

14:00 – Inscrições, cadastramentos e entrega de materiais.

15:00 as 16:30 Roda de prosa “Entre mitos, cantos e encantos da cultura afro brasileira”- convidadas: Professora Drª. Vanda Machado e a advogada Drª. Sílvia Cerqueira

16:30 Performance “Afago poético a Lélia González- Nildes Sena

16:45 as 18:00 Música para a o corpo e a consciência.

Cantora e educadora musical Alice De Sanayá.-

18:00 as 18:30 – Ajeum

26 de fevereiro. (2º sábado):

14:00 as 16:00 Oficina de capoeira angola – movimentos cantos e toques com a professora Nani de João Pequeno.

16:00 as 17:30 Oficina de toques de pandeiro com a artista percussionista Daniela Amoroso.

17:30 as 18:30 – Performance com a artista e Pedagoga Elizabete (Roda de prosa “Estratégias de combate á violência contra a mulher”, “a mulher na auto gestão da sua vida”. ) convidadas: Delegada Dr ª. Izabel e a vereadora Marta Rodrigues.

12 de março (3º sábado):

14:00 as 16:00 Oficina de capoeira angola – movimentos cantos e toques com a Contra Mestra Nice Dandara (Aurelice Bispo).

16:00 as 17:30 – Expressão corporal e improvisação- com a arte educadora e artista Nildes Sena.

17:30 as 18:30 – Intervenção de Hip Hop. (Roda de prosa: Arte educação envolvendo Capoeira Angola e afirmação da identidade de gênero) convidada Antropologa Rita Cliff e a pesquisadora Nildes sena.

19 de março (4º sábado):

14:00 as 16:00 com Oficina de Capoeira Angola – movimentos cantos e toques com a ProfessoraNani de João Pequeno.

14:00 as 16:00 Oficina de toques de atabaque para o samba de roda com a percussionista Kaoly.

17:30 as 18:30 – Performance de Dança com Arilma Soares ( Roda de prosa “ Estética como instrumento político, a mulher na mídia e no comando do seu corpo) convidadas Professora Drª. Ana Célia da Silva e Profª. Ms. Vilma Reis.

26 de março (5º sábado):

14:00 as 16:00 – Toques , ritmos e cantos de berimbau na Capoeira Angola com Mestra Janja (Rosangela Araujo)

16:00 as 17:30 – Dança contemporânea – com a artista de dança Arilma Soares

17:30 as 18:30- Performance Musical com a cantora Tina Ribeiro (Roda de Prosa “A participação das mulheres na capoeira e a mulher no comando das rodas”) convidada Mestra Paulinha (Paula Barreto).

2 de abril (6º sábado):

14:00 as 16:00 – Toques , ritmos e cantos de berimbau na Capoeira Angola com professora Nani de João Pequeno (Cristiane Miranda).

16:00 as 17:30 – Oficinas de HIP HOP com Paula Azeviche ( mestranda em Estudos étnicos e africanos pelo CEAO/UFBA) – Pedagoga, arte educadora e ativista do mov. Hip- Hop.

17:30 as 18:00 – Samba de roda e ( Roda de prosa “as mulheres cantadas nas músicas-“Corpo e movimento: mídia, identidades de gênero e sexualidades”) – convidadas: jornalista Vivian Caroline e a pesquisadora Barbara Alves.

5 de abril – (terça-feira): Homenagem ao Mestre Pastinha. Participação dos alunos/as da AJPP – CECA e aberta ao público.

18:00 as 19:00 -Roda de prosa com a participação do Mestre João Pequeno com mestres, professores, aprendizes e admiradores – convidado para mediar a prosa Mestre Máximo.

19:00 as 21:00 – Tradicional roda de Capoeira Angola comandada pelo Mestre João Pequeno de Pastinha.

09 de abril (7º sábado) Encerramento aberto ao público:

15:00 – Roda de Prosa “A participação mulher em Organizações Sociais da cidade de Salvador” com Francineide Marques, advogada e capoeirista.(pós graduanda em Historia social e econômica do Brasil – Faculdade São Bento).

15:40 Apresentação dos resultados das oficinas- com duração de no Maximo 05 minutos por expressão. Sendo a de Capoeira Angola e samba de roda, integradas a roda final.

16:00 as 17:30 – Roda de Capoeira Angola comandada pelas mestras, professoras e convidadas, com samba de roda no final.

17:30 as 18:00 – Música para o corpo e a consciência: Cantora e Compositora Márcia Pinho e Intervenção de HIP HOP com Paula Azeviche.

(confraternização).

18:00 as 18:30 – Ajeum.

Convidadas:

Professora Drª. Ana Célia da Silva

Cantora e educadora musical Alice De Sanayá.

Artista de dança Arilma Soares

Pesquisadora Barbara Alves

Artista, percussionista Daniela Amoroso

Artista e Pedagoga Elizabete

Advogada e capoeirista Francineide Marques

Delegada Drª. Izabel (a confirmar)

Mestra Janja (Rosangela Araújo)

Percussionista Kaoly.

Cantora e compositora Márcia Pinho

Vereadora Marta Rodrigues

Contra Mestra Nice Dandara (Aurelice Bispo)

Pedagoga, arte educadora e ativista do mov. Hip- Hop ,mestranda em Estudos étnicos e africanos pelo CEAO/UFBA – Paula Azeviche

Mestra Paulinha (Paula Barreto).

Antropóloga Rita Cliff.

Advogada Drª Silvia Cerqueira

Cantora e apresentadora -Tina Ribeiro

Professora Drª. Vanda Machado.

Professora Ms. Vilma Reis

Jornalista e Produtora Cultural -Vivian Caroline

Convidado para o dia 05 de abril:

Mestre Máximo.

Forte de Santo Antônio Além do Carmo sedia encontro sobre capoeira para mulheres de 19 de fevereiro até 9 de abril de 2011.
Forte de Santo Antônio Além do Carmo sedia encontro sobre capoeira para mulheres de 19 de fevereiro até 9 de abril de 2011.
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