Feira de Santana: Saída de Edson Borges é marcada por tencionamento, atraso nos pagamentos e desgaste da imagem do prefeito Tarcízio Pimenta

Edson Felloni Borges, ex-secretário de Comunicação do Município de Feira de Santana.
Edson Felloni Borges, ex-secretário de Comunicação do Município de Feira de Santana.

O ex-secretário de Comunicação do Município de Feira de Santana (SECOM), Edson Borges, buscou manter um bom diálogo com os diversos setores que fazem a comunicação de Feira de Santana. Ele foi responsável pela modernização dos informes diários da prefeitura e montou arrojada estrutura para cobrir a micareta de 2010. Mesmo diante dos avanços e modernizações, não consegui manter-se no cargo e foi substituído por Fabrício Almeida, segundo no comando da SECOM.

O desgaste junto a setores da imprensa foi decorrente do atraso nos pagamentos da pedidos de inserção de publicidade (PI) e até mesmo, na suspensão das autorizações. Outro fator que contribuiu para a saída foi o possível desgaste que o prefeito Tarcízio Pimenta vem sofrendo junto à população. Na opinião de profissionais da comunicação o prefeito não está satisfeito com os índices de popularidade, a despeito da sua própria opinião, onde Pimenta julga estar fazendo um ótimo trabalho e da SECOM contar com volume de verbas publicitárias e pessoal superior ao passado recente.

Edson Felloni Borges chegou ao cargo por convite do prefeito e era tido como secretário da cota pessoal de Tarcízio. Mas, a ligação histórica com José Ronaldo matinha sobre a imagem um perfil dúbio, e alguns radialistas questionava: Edson é Tarcizista ou Ronaldista?

Em boa parte da trajetória profissional Edson Borges acumulou funções altamente conflitantes, era jornalista do A Tarde ao mesmo tempo em que exercia a chefia da assessoria de comunicação da Câmara Municipal de Feira de Santana (CMFS). Atitude condena pelo código de ética da profissão de jornalista, que diz no Capítulo II, artigo 7º, paragrafo VI, “realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;”. A pergunta, onde começava o assessor e terminava o jornalista?

Polêmicas a parte, o trabalho de organização da SECOM e as campanhas publicitárias adquiriram um tom moderno. Mas, algumas campanhas foram alvo de denúncias por plágio, como a campanha de IPTU, produzida em 2010 pela agência Cidade. Sob ameaça de processo judicial, a agência foi obrigada a retirar o material veiculado e refazê-lo.

Outra campanha polêmica foi o vídeo institucional da Micareta de 2009, produzido pela agência Artecapital, foi criticada por parcela significativa da sociedade feirense. Polêmicas a aparte, Edson se despede da SECOM com volumoso portfólio de trabalho. Mas, com o assessorado obtendo baixos índices de aprovação, é o que se comenta no meio jornalístico.

Sobre Carlos Augusto 9508 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).