Exclusiva: Líder do Governo de Tarcízo Pimenta na CMFS, Maurício Carvalho comenta sobre sucessão municipal e religião

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Maurício Carvalho: Estou há 23 anos na vida pública e há 17 anos abdiquei da profissão de advogado para dedicar-me apenas a vida pública. Eu diria que primeiro quem não tiver vocação será muito difícil trilhar na vida pública.
Maurício Carvalho: Estou há 23 anos na vida pública e há 17 anos abdiquei da profissão de advogado para dedicar-me apenas a vida pública. Eu diria que primeiro quem não tiver vocação será muito difícil trilhar na vida pública.

Durante a jornada pedagógica 2011 (17/02/2011), que ocorreu na Igreja Universal do Reino de Deus, na Avenida João Durval, em Feira de Santana. O vereador e líder do governo na CMFS (Câmara Municipal de Feira de Santana), Maurício Carvalho (PR), falou com exclusividade ao Jornal Grande Bahia (JGB) sobre os desafios em liderar a bancada do governo na Câmara, sucessão municipal, a disputa ente José Ronaldo e Tarcízio Pimenta e sobre a religião neopentecostal que aderiu a dois anos. “A partir do momento em que o ex-prefeito José Ronaldo e o prefeito Tarcízio Pimenta forem a público e declararem oficialmente esta questão do rompimento e que são candidatos a prefeito, aí, sim, teremos um raio-x mais claro da situação. É muito delicada a situação, eu diria”, afirma Maurício.

JGB: Vereador Maurício Carvalho que desafios o senhor espera encontrar e quais as medidas iniciais dessa sua nova liderança na Câmara Municipal de Feira de Santana?

Maurício Carvalho: Ser líder de um governo é sempre um desafio. Foi assim, em 2001, no primeiro governo do ex-prefeito José Ronaldo (DEM) e, agora, no atual governo do prefeito Tarcízio Pimenta. Nós temos que mostrar o nosso estilo de liderança através do diálogo, do debate democrático no campo das ideias. Inicialmente, terei que reunir a nossa bancada, sabemos que as arestas que porventura existam devem ser quebradas, devem ser superadas, porque contamos com 17 dos 21 vereadores que participaram do processo de eleição que tornou vitorioso o prefeito Tarcízio Pimenta (DEM).

Então, vamos fazer com que a bancada entenda a importância dessa união, coesão. Isso não é submissão, mas, sim, coesão. Acho que os debates internos devem acontecer, mas a bancada deve estar unida. Com a oposição, o relacionamento vai ser de muito respeito, como sempre tive. Temos quatro vereadores na oposição, uma bancada pequena, mas valorosa. Ela é constituída de vereadores competentes, comprometidos. É muito importante o papel da oposição. Não haveria democracia sem a oposição, porque haveria unanimidade. Unanimidade não combina com a democracia.

E nós vamos manter o diálogo, com respeito no campo das ideias sem ataques pessoais. Porque não fomos eleitos para nós digladiar. Fomos eleitos para fazer o melhor por Feira, e toda fez que a oposição apresenta uma crítica construtiva, é muito importante. Porque qual o governo que não erra? Será que existe algum governante que não erre? Não. Todos acertam e todos erram.

Quando erra e há a crítica construtiva é muito importante para que governo tenha a humildade de reconhecer consertar o erro. Como também a oposição deve aplaudir quando os acertos acontecem. Então, isso é democracia, e a gente pretende exatamente seguir nessa linha do diálogo. Fazer com que as coisas caminhem, pois digo sempre, que esse foi o nosso estilo. Acima dos interesses políticos, partidários, ideológicos deve pairar, soberanamente, os interesses de Feira de Santana.

JGB: Maurício Carvalho, muito tem se falado sobre um possível enfrentamento entre o prefeito Tarcízio Pimenta e o ex-prefeito José Ronaldo. Como o senhor avalia este quadro? Quantos vereadores acompanhariam o prefeito Tarcízio Pimenta num possível enfrentamento com José Ronaldo?

Maurício Carvalho: Eu pessoalmente participei de uma coligação entre o PR, PP, DEM e o PRB. Todos esses quatro partidos estiveram ao lado da coligação que elegeu o prefeito Tarcízio Pimenta. Recomendado pelo ex-prefeito José Ronaldo. Tarcízio foi o nome indicado por ele.

Temos ouvido rumores, mas eu não ouvi de nenhum dos dois de forma, muito clara, que acontecerá o rompimento. Existem suposições. Pois na política, temos que trabalhar com hipóteses. Existe uma situação em que o ex-prefeito José Ronaldo fez dois governos produtivos para Feira de Santana, candidatou-se ao Senado da República, teve uma votação expressiva não somente em Feira de Santana, mas em todo o estado da Bahia. Porém, Ronaldo não logrou êxito, visto que os dois candidatos do PT foram eleitos pela maioria de votos [Walter Pinheiro (PT) e Lídica da Mata (PSB)].

Sendo assim, pergunta-se: o ex-prefeito José Ronaldo ficará mais quatro anos sem mandato? Ou ele pretende retornar a um possível terceiro mandato na cidade de Feira de Santana, na condição de prefeito?

Falar de rompimento ou enfrentamento agora eu acho muito prematuro, pois o que existe são suposições. A partir do momento em que o ex-prefeito José Ronaldo e o prefeito Tarcízio Pimenta forem a público e declararem oficialmente esta questão do rompimento e que são candidatos a prefeito, aí, sim, teremos um raio-x mais claro da situação.

É muito delicada a situação, eu diria. Imagine. Um grupo segue uma orientação de um comando político que na época foi o ex-prefeito José Ronaldo. Elege-se o candidato apoiado por ele e depois é possível um confronto entre os dois. É uma situação muito delicada. Temos inclusive que analisar a questão da fidelidade partidária para encontrarmos os possíveis caminhos em possíveis candidaturas.

Os dois têm uma responsabilidade muito grande. Não se pode pensar isoladamente em um ou em outro, mas, sim nos interesses do grupo que os acompanhou em 2008. Para que este grupo não fique em situação de dificuldade.

Eu prefiro encarar os dois como aliados políticos, e espero uma discussão mais amadurecida dos dois. Que eles cheguem a um consenso, e pensem de forma muito clara nos interesses do grupo político que os acompanham e na cidade de Feira de Santana. Pois ninguém se elege sozinho.

JGB: O senhor é um dos políticos com uma das mais longas jornadas na vida pública atual de Feira de Santana. Quais conselhos o senhor daria a um jovem que está iniciando a vida pública?

Maurício Carvalho: Estou há 23 anos na vida pública e há 17 anos abdiquei da profissão de advogado para dedicar-me apenas a vida pública. Eu diria que primeiro quem não tiver vocação será muito difícil trilhar na vida pública.

Segundo, prepare-se para a vida pública, recicle-se, estude para que você, ao chegar lá, tenha realmente condição de ter um entendimento melhor do processo legislativo. Depois se deve ter a sensibilidade de que está ali para servir as pessoas e a nossa cidade. Tem que deixar de lado os interesses menores, mesquinhos.

Em terceiro vem uma condição sine qua non, não só para a politica, como para a nossa vida: tenha retidão na sua conduta.

Eu me orgulho muito por nesses 23 anos não ter uma única mancha na minha carreira pública. É assim, que um político se estabelece. O político moderno, que hoje o Brasil exige e que nem sempre acontece é o político que deve está lá para produzir. Tenho muito orgulho quando olho para traz e vejo que o PROCON, hoje, funcionado. Foi uma iniciativa nossa em 1998. Tenho orgulho de ver a delegacia de tóxicos e entorpecentes e saber que tive participação efetiva na sua implantação.

JGB: Vereador estamos em templo da Igreja Universal do Reino de Deus, O senhor sempre foi evangélico? Caso não. Quais motivos o levaram a ser?

Maurício Carvalho: Eu sempre tive uma formação cristã muito forte, pois sempre estive ligado na juventude no movimento denominado TLC (Treinamento de Líderes Cristãos). Tive ligado ao movimento de cursilho e minha base sempre foi muito familiar. Os meus pais são pessoas que sempre foram muito religiosos e eu realmente devo isso a minha família.  E, hoje, posso lhe assegurar que temos uma maturidade espiritual muito maior.

Sou cristão, acredito no Deus Supremo, e inclusive, dedico sempre a minha vida ao Pai, ao nosso Deus, por meio do seu filho Jesus e ao Espírito Santo de Deus. Há dois anos tenho frequentado de forma assídua a Igreja Assembleia de Deus, com o pastor Josué Brandão. No seu mistério, Cristianismo Sem Fronteiras, e tem sido uma experiência muito salutar, espiritualmente muito boa para mim. Estou muito feliz, por estar cada vez mais próximo de Deus. Assim, somente tenho a Agradecê-lo.

A experiência com a Secretaria de Desenvolvimento Social, também espiritualmente muito rica para mim. E observe que coincidência, em 2008, tivemos 3.567 votos, sendo mais votados do que 10 vereadores eleitos. Mas não estava no tempo de Deus para que eu fosse vereador. Deus queria que eu desenvolvesse a missão como instrumento dele, através da secretaria.

Mas, o que Deus abençoa ele não tira. Dois anos depois, através de um homem de Deus, que é o pastor José de Arimatéia. Eu tive de forma direta e definitiva, o meu mandato como vereador. Porque agora chegou o tempo de Deus para que eu seja instrumento dele como vereador, inclusive, para honrar as 3.567 pessoas que votaram em mim.

A minha vida está em Deus porque Deus sabe o fim das coisas antes do seu início.

Sobre Carlos Augusto 9653 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).