Bahia cria equipamentos de proteção individual para marisqueiras

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Projeto inédito no Brasil investe em alta tecnologia para desenvolver peças que evitam câncer de pele e cortes em mãos e pés.

Cortes profundos nas extremidades do corpo, e exposições de até seis horas ao sol, com potencial de desenvolvimento de neoplasias, são alguns dos riscos às quais estão submetidas as milhares de marisqueiras da Bahia. Para evitar os perigos, as profissionais precisavam improvisar proteções pouco eficazes, com trapos de roupas. “Analisamos o trabalho de mariscagem, o ambiente e o horário em que acontece a captura, e criamos um kit de peças para proteger estas mulheres das ameaças. Não é possível que as pessoas continuem a sofrer de infecções e câncer na pele porque não tem as ferramentas necessárias para ganhar seu sustento de forma saudável”, afirma o presidente da Bahia Pesca, Isaac Albagli.

O kit é composto de camisa de manga comprida, calça, boné, bota ou sapatilha emborrachada e luvas feitas de neoprene. Toda a roupa é confeccionada em um tecido especial que protege contra raios UV (ultravioleta) e não absorve o calor solar, minimizando a incidência de câncer de pele, desidratação, envelhecimento precoce e cortes nas mãos e pés. “É um projeto pioneiro no Brasil, e deve servir como referência para que outros estados tomem a mesma iniciativa”, conta Albagli. Na tarde desta quinta-feira (24/02/2011) foram entregues 36 kits às marisqueiras de Cachoeira. Outros 120 pacotes serão entregues na próxima semana nas cidades de Salinas da Margarida, Vera Cruz, Nazaré, Valença e Saubara.

“Tenho orgulho de ser marisqueira, mas é uma profissão bem desgastante. Os sapatos que fazemos com pedaços de roupas velhas logo lascam e a gente fica toda cortada. Fora o sol que queima muito, especialmente agora no verão. E as mãos então? As unhas nem crescem mais! Essa roupa nova é uma benção, agora vou trabalhar com muito mais tranquilidade”, afirma a marisqueira Luciene Ferreira, 39 anos, há 29 na atividade. Vale lembrar que a mariscagem é uma profissão predominantemente feminina. “Essa tradição remonta de séculos, quando o homem saía para pescar no mar e a mulher ficava encarregada desta atividade, geralmente próxima à sua moradia”, explica o presidente da Bahia Pesca.

Técnicos do Ministério do Trabalho acompanharão, durante um ano, a utilização do kit. Após esse período de avaliação, as peças podem ser normatizadas pelo ministério como EPIs voltados à atividade. Além dos equipamentos de proteção individual, a Bahia Pesca criou também um kit-marisqueira, com o objetivo de beneficiar os produtos da mariscagem e possibilitar melhorias nas condições de higiene e trabalho. Trata-se de uma bancada com pia e outra para catação, um eco-fogão, jogo de panelas e escorredor, além de outros materiais que facilitam a vida dessas profissionais que sofrem de dores nos membros e na coluna, decorrentes da má postura durante o ato de mariscar.

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