ACM declara que o DEM irá superar as divisões internas

A entrevista publicada na última segunda-feira (21/02/2011) no jornal A Tarde, devido ao seu elevado grau de interesse político e a grande repercussão gerada em função das declarações feitas pelo líder do Democratas na Câmara Federal, deputado ACM Neto, sobre o futuro do Democratas e da oposição na Bahia, o JGB resolveu reproduzi-la.

Cisão entre dois grupos

ACM Neto – A ressaca eleitoral no Democratas trouxe uma divisão de propósitos e objetivos no partido. Havia inclusive algumas pessoas interessadas numa proposta de fusão do partido com o PMDB. Mas o grupo majoritário entendeu que era preciso que continuássemos coerentes com o resultado das urnas, e eu liderei este grupo. Tivemos vitória com boa folga, demonstrando que devemos ser responsáveis com a vontade do eleitorado, e na minha posse na liderança fiz questão de dizer que trabalharia para todos – para os que votaram em mim e também para os que não votaram. Estou neste momento fazendo um trabalho firme de união do partido, para que tenhamos a máxima coerência. Convidei os líderes que estavam contra mim para estarem comigo na condução da bancada. Nossa disposição é tê-los fortalecendo a unidade partidária e construirmos uma chapa consensual para 15 de março.

Disputa pela presidência do DEM

ACM Neto – O nome mais comentado é o do senador José Agripino Maia (RN), mas não há martelo batido. Acredito que ele é o mais preparado nesse momento para presidir o partido, para construir o fortalecimento da estrutura partidária. Ele foi vitorioso em seu estado – além de eleger-se ainda elegeu a governadora em primeiro turno.

O futuro do partido

ACM Neto – Existem dois momentos desse novo desenho da política brasileira com efeito direto na política baiana. O primeiro momento é o da definição interna dos partidos de oposição. Isso vai acontecer dentro do Democratas em março, e vai acontecer no PSDB em maio. Definidas as novas direções partidárias será preciso um trabalho de reorganização da oposição no Brasil. Não dá mais para ficar limitado apenas a essa articulação dos dois partidos. Nós precisamos ter uma aliança mais plural, dialogar com novas correntes. E precisamos levar o nosso trabalho, que é bem feito no Congresso, para as ruas, criando conexão com a sociedade. Que foi uma coisa que o PT fez muito bem feita, quando era oposição, e nós não tivemos a capacidade de construir isso nos últimos oito anos.

Mudança de Legenda

ACM Neto – Resposta – Se vai implicar em mudança de legenda, redesenho ou fusão só o tempo vai dizer. O tempo agora é de discutir a organização dos partidos internamente, superar as divisões, compor as novas direções partidárias. Depois disso é que iremos sentar para discutir de que forma é possível ampliar esses horizontes. E eu não tenho nenhum embargo a discutir qualquer alternativa que sirva para fortalecer nosso projeto majoritário futuro. O que importa é que para estarmos fortes para discutir o futuro é preciso cumprir a primeira etapa que é garantir a unidade no Democratas e no PSDB.

Candidato a prefeito

ACM Neto – Eu acho, primeiro, que ninguém é candidato de si próprio. Só é possível ser candidato de um projeto maior. Em 2008 eu não planejava ser prefeito de Salvador, e de repente fui chamado pelo meu grupo político que me colocou para disputar a prefeitura como uma missão. Confesso que foi o melhor momento da minha carreira em todo esse tempo em que venho fazendo política. Talvez tenha sido a coisa que mais gratificou, poder ter participado de uma eleição municipal, de uma eleição majoritária, conhecer os problemas de Salvador de perto, ter uma interação muito mais próxima coma cidade em que vivo. Apesar de ter perdido, acho que construí uma vitória política naquele momento. Não descarto a possibilidade de disputar as eleições de 2012, porém não decidi ainda que sou candidato a prefeito.

Fragilidades do PT

ACM Neto – Primeiro, eu diria que a acomodação na defesa dos interesses da Bahia. Nesses primeiros quatro anos do governo Wagner nós não percebemos a existência de um líder que brigasse pelo estado, que defendesse a Bahia, que colocasse a Bahia em primeiro lugar. Agora, por exemplo, isso se repete. Veja a composição dos ministérios do governo Dilma. A Bahia, que já teve uma representação muito mais significativa – chegou a ter dois ministérios importantes no governo Fernando Henrique, como o da Previdência e o das Minas e Energia; no próprio governo Lula teve os da Cultura, da Integração Nacional e da Defesa –, agora eu acho que a Bahia está subrepresentada. Um estado que deu a Dilma 70% dos votos tinha que ter mais ministérios fortes, de peso. Pela importância econômica da Bahia, eu não posso admitir, por exemplo, que o nosso estado tenha o mesmo número de ministros que o Maranhão. Acho ótimo que a Bahia tenha ficado como das Cidades, o da Promoção à Igualdade Racial e o do Desenvolvimento Agrário, mas acho que ainda é pouco para o tamanho e a representação que a Bahia tem, sendo o quarto colégio eleitoral. Mesmo com a escolha de última hora do deputado Afonso Florence para o ministério, eu entendo que o governador Jaques Wagner saiu enfraquecido. Basta ver que as principais pastas estão controladas pelo PT de São Paulo.

Levantamento do PAC

ACM Neto – Percebe-se, no levantamento, que a Bahia está entre os estados que menos executaram obras do PAC emtodo o Brasil. De 2007 a 2010, o percentual de execução foi de 48,75%, portanto inferior a 50%. Ou seja, nem metade das obras do PAC previstas para a Bahia foi efetivamente executada. De um total de R$5 bilhões e R$140 milhões que estavam previstos, só foram efetivamente executados R$2,5 bi. Veja por exemplo que um estado como Minas Gerais, que tem um porte parecido com o da Bahia, conseguiu executar 64% das obras. Um estado como o Maranhão conseguiu executar 67% das obras. O governador não gosta que a gente compare com outros estados do Nordeste, mas a Paraíba conseguiu executar 65% das obras. O estado campeão é o Acre, com 90% de execução. Ou seja, é possível executar muito mais, mas o percentual de execução na Bahia é baixo porque o governo do estado não acompanha de perto esses projetos, não está aqui em cima dos ministros cobrando a liberação dodinheiro. Sinto que o governador Wagner, pela amizade que tem com o presidente Lula, ao invésde usar a amizade dele para levar recursos para a Bahia, ficou acomodado.

Capacidade administrativa

ACM Neto – Veja um exemplo, a Bahia perdeu para Santa Catarina uma posição no ranking das economias brasileiras – a Bahia era a sexta, agora é a sétima. Daqui a pouco vai ser a oitava, porque o Distrito Federal está perto de passar a Bahia. Então o governo de Wagner vai acabar deixando um legadode tirar o estado de sexta economia nacional e deixá-la em oitavo, e isso é muito ruim para a economia de nosso estado, porque mostra que ela está paralisada, que os investimentos não ocorrem na proporção que deveriam ocorrer – e tudo depende de iniciativa.

Oposição na Bahia

ACM Neto – Depende da conta que se faça. Porque o Democratas tinha nove deputados federais, mas Aleluia, Félix Mendonça e Fernando de Fabinho não disputaram a reeleição. Seis disputaram, e nós elegemos seis – não foram os mesmos seis, porque dois são novos deputados. No Senado, o senador ACM Júnior não concorreu à eleição, então não se configura aí um quadro de derrota. Mas eu acho, fazendo um reconhecimento objetivo do contexto, não há dúvida de que o cenário pós-eleitoral representa um quadro menos favorável às oposições do que o cenário anterior à eleição. O que não quer dizer que a oposição tenha sido dizimada.

Atuação nos próximos quatro anos

ACM Neto – Eu acho que a oposição precisa rever conceitos e procedimentos. Eu não defendo uma atuação radical, eu acho que a oposição deve estar à disposição para discutir uma agenda para o país. Jamais aderir ao governo, jamais se entregar, porque para a democracia é fundamentalque exista o contraponto.

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