Pergunte ao pó | Por Sócrates Santana

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Não existe governo de continuidade no Brasil. Enquanto o ciclo político brasileiro for intercalado por incipientes intervalos de tempo, os ânimos da esfera pública no país sempre estarão voltados para as urnas. Por isso, volta e meia, a opinião pública é confrontada periodicamente com novos rearranjos das forças, que no âmbito governamental exercitam elasticamente o significado corriqueiro da política: distribuir poder.

Tal qual uma grande cidade, o mundo político e moral no país está minado por caminhos subterrâneos, porões e esgotos. Sobre essas conexões e condições de ocupação ninguém parece refletir ou pensar. É natural que governadores (reeleitos ou não), retardem um pouco mais a composição dos governos, porque, uma peça fora do lugar nem sempre pode ser deslocada ou tão pouco substituída. O exemplo da administração municipal da capital baiana é o exemplo mais pulsante hoje.

A questão chave, porém, não é que o governante possa fazer o que lhe aprouver. Ninguém pode, por si só, apreender adequadamente tudo que se passa internamente dentro de cada partido, menos ainda do governo. Só se pode visualizar e experimentar um novo governo entendendo-o como algo que é compartilhada por muitas pessoas, percebendo o que está entre elas, que as separa e as une, revelando o que há de diverso em cada uma dessas forças. De nenhuma forma, isso pode ser encarado como loteamento do Estado. Exercitar o diálogo nessas horas aumenta o lastro dos governos na medida em que muitos atores falam, trocam opiniões e perspectivas em mútua contraposição.

O anúncio do secretariado baiano pelo governador Jaques Wagner vem sendo aguardado ansiosamente pela esfera pública. É preciso, contudo, enfrentar pressões, livrar-se, até mesmo, de aliados incômodos. Este é o momento de refutar idéias erradas e pôr em prática idéias corretas, embora quase ninguém seja capaz de enxergar isso no momento em que é preciso brigar por elas. O espaço público da aventura e do empreendimento desapareceu após as eleições. Ao líder exige-se – tão somente – a capacidade de iniciar uma nova jornada e buscar companheiros para ajudá-lo a realizá-la.

Wagner não deve temer reiniciar novamente ações de governo todas as manhãs, todos os dias, ao longo de todo o mandato. Mas, prever as dificuldades para as quais os melhores intelectuais não tem resposta consagrada, diante das quais os assessores também se revelam inseguros e divididos, é uma tarefa que cabe exclusivamente ao governador.

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*Sócrates Santana
jornalista DRT 2747
[email protected]
http://twitter.com/SocrateSantana

*Com informação de Sócrates Santana é jornalista.

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