Editorial: Jaques Wagner dá as costas a Feira de Santana e lideranças políticas municipais ficam de fora do primeiro escalão

Jaques Wagner, Governador dispensa feirenses na montagem do gabinete.
Jaques Wagner, Governador dispensa feirenses na montagem do gabinete.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, escolheu mais seis nomes para compor o gabinete do seu segundo governo. A ingrata surpresa para os feirenses foi à completa ausência de políticos locais no primeiro escalão do governo petista.

Segunda cidade mais populosa da Bahia, Feira de Santana, teve importância singular nas vitórias petistas para presidente da república e governo do estado. Destacadas lideranças, a exemplo de: Zé Neto, Sérgio Carneiro, Ângelo Almeida, Marialvo Barreto, José de Arimáteia, Fernando de Fabinho, Eliana Boaventura e Jairo Carneiro fizeram parte da aliança que concedeu 133.097 votos (50,65% dos votos válidos) a Jaques Wagner (PT) contra 70.233 votos, a Paulo Souto (DEM).

O município é importante, não apenas pela votação concedida a Jaques Wagner e ao Partido dos Trabalhadores, ou por possuir destacada representação política. Mas, também, por contar com a segunda maior população do estado, cerca de 550 mil habitantes, além ser uma das dez maiores economias e fontes de arrecadação tributaria da Bahia.

Todos estes predicados parecem pouco influenciar o tino administrativo do governador Wagner, que do alto do seu trono, parece olhar para a planície, como um soberano pouco afeito aos clamores da plebe.

Por fim, vivemos em uma república, e nada melhor do que o espírito crítico e eleições a cada dois anos, para lembrar aos soberbos soberanos, para quem eles governam e a quem devem se subservientes, ou seja, o povo que os elegeu.

O que mais é apreciável na democracia é este espírito crítico. Dois anos antes das eleições de 2010, cambaleando na condução do governo estadual, Jaques Wagner viu sua liderança ser contestada por setores que gostariam de ter outro nome que representa-se o petismo baiano nas eleições estaduais, e alguns chegaram a citar um possível embate entre Luiz Caetano e Wagner.

Para a alegria do ínclito governante, Wagner contou com o decisivo apoio do presidente Lula. E conseguiu refrescar os cofres estaduais com dinheiro federal. Tirando do papel ou da prateleira, diversas obras que estavam paradas, ou que sequer, tinham começado. O exemplo mais emblemático é o conjunto de hospitais estaduais construídos no primeiro Governo Wagner.

Estamos em 2011, e mais uma vez, o imobilismo toma conta do governo. Em Feira de Santana diversas obras estaduais e federais encontram-se paradas. O setor que mais cresce é o da construção, embalado pelo aporte financeiro da classe média feirense, que em verdade, é tomadora de empréstimos junto ao agente financeiro, leia-se Caixa Econômica.

Se para realizar um bom governo fossem necessários apenas técnicos, o mundo não passaria por crises. Parece que as lições marxistas pelas quais o antigo sindicalista Jaques Wagner passou, adormecem em algum canto de sua mente e o deixa entorpecido quanto às verdadeiras necessidades do povo.

Enquanto isto as máquinas públicas: federal, estadual e municipal sorvem quase 40% do PIB Nacional (Produto Interno Bruto) em impostos. Devolvendo à sociedade serviços de péssima qualidade, obas que parecem não ter fim e privatizações que terminam por aumentar a carga tributaria da classe média brasileira.

PIB

O produto interno bruto (PIB) representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região (quer seja, países, estados, cidades), durante um período determinado (mês, trimestre, ano, etc). O PIB é um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia com o objetivo de mensurar a atividade econômica de uma região.

Na contagem do PIB, considera-se apenas bens e serviços finais, excluindo da conta todos os bens de consumo de intermediário (insumos). Isso é feito com o intuito de evitar o problema da dupla contagem, quando valores gerados na cadeia de produção aparecem contados duas vezes na soma do PIB.

Jaques Wagner (PT), governador da Bahia, durante encontro no Paço Municipal Maria Quitéria, em Feira de Santana.
Jaques Wagner (PT), governador da Bahia, durante encontro no Paço Municipal Maria Quitéria, em Feira de Santana.
Sobre Carlos Augusto 9463 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).