Dilma, protagonismo feminino e a suavidade da seda verde-amarela | Por Liliana Peixinho

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O discurso de posse da primeira mulher na presidência da República do Brasil Dilma Roussef chama atenção para alguns desafios históricos de políticas sociais onde o ex -presidente Lula, com sua reconhecida retórica, não conseguiu realizar, de fato, como precisam e acreditaram as brasileiras e brasileiros desse Brasil generoso, incansável na arte de acreditar, botar fé, no novo.

O fato de ser mulher é um dado relevante, mas não determinante, para afirmarmos que Dilma fará uma administração com o cuidado, o zelo e o olhar detalhado, tão peculiar ao feminino. E Dilma, sabiamente, destacou em seu discurso essa peculiaridade como uma esperança para as mudanças que ela também reconheceu ser necessárias para a continuidade do “sucesso” que foi o governo Lula na projeção externa do Brasil como potencia em desenvolvimento. “Venho para ampliar e avançar as conquistas do seu governo. Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o presidente Lula deixou para todos nós. Minha missão agora é de consolidar esta passagem e avançar no caminho de uma nação geradora das mais amplas oportunidades”, falou Dilma ao povo brasileiro, durante o discurso de posse.

Mas, a novidade é que Dilma linkou a esse perfil do Brasil tão propagado por Lula, a idéia de uma filosofia política que une desenvolvimento com preservação, ao dizer, por exemplo, sobre o pré-sal, alvo da crítica ambiental na defesa de matrizes energéticas limpas: “O pré-sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental”. O que antes parecia uma grande ameaça, veio, agora, suavizada, no discurso da presidenta, quando ela se compromete: “O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no Pré-Sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza, transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente”. Discurso bem incorporado pós segundo turno eleitoral.

Um outro ponto de destaque da fala da nova presidenta do Brasil é quanto ao uso dos recursos públicos, imensamente desperdiçados em projetos ditos sustentáveis, mas que, na prática, são mais propaganda do que realmente conservação ou construção de tecnologias limpas de ponta a ponta. Nesse campo de gestão política foi importante ouvir a nova presidenta dizer: ”Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança”. E, quem sabe! acreditar que demandas históricas reprimidas, a exemplo da valorização das culturas de comunidades tradicionais indígenas, quilombolas, pescadores, fundos de pastos, caiçaras e tantas outras da multidiversa cultura, possam ter um novo rumo, uma esperança de mudança quando a nova presidente do Brasil diz: “É preciso, antes de tudo, criar condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar, ainda mais e melhor, a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro”

Desprovida da vaidade que tanto marcou o estilo Lula, Dilma, humilde, disciplinada e firme em seus propósitos de governança, insere um alento quando diz : “Não venho para enaltecer a minha biografia; mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira” E aqui damos viva ao necessário altruísmo.

”Meu compromisso supremo é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos”. Consciente dessa necessidade de resgate e valorização do protagonismo feminino Dilma nos dá esperança quando diz: “Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres, também possam, no futuro, ser presidenta; e para que no dia de hoje todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher”.

Uma mulher atenta e sensível quando destacou que a “suavidade da seda verde-amarela da faixa presidencial trás consigo uma enorme responsabilidade perante a nação”. Que assim seja e que estejamos atentos para uma participação proativa, altruísta e de novidades no cenário político onde nove mulheres estão agora a ocupar cargos do alto escalão ministerial.

*Liliana Peixinho – DRT 1.430 – Jornalista, ativista socioambiental. Fundadora dos Movimentos Livres AMA/ RAMA – Rede de Articulação e Mobilização em Comunicação Ambiental. Especializada em Mídia e Meio Ambiente. Pós graduanda em Jornalismo Cientifico e Tecnológico- Facom -UFBA

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