Abertura do mercado chinês vai reabilitar a cultura do fumo no recôncavo baiano

Abertura do mercado chinês vai reabilitar a cultura do fumo no recôncavo baiano.
Abertura do mercado chinês vai reabilitar a cultura do fumo no recôncavo baiano.
Abertura do mercado chinês vai reabilitar a cultura do fumo no recôncavo baiano.
Abertura do mercado chinês vai reabilitar a cultura do fumo no recôncavo baiano.

Reabilitar a cultura do fumo no recôncavo e recuperar milhares de empregos diretos e indiretos que foram perdidos na região com o fechamento de diversas fábricas, dentre elas a Suerdieck. Esses são os principais objetivos do Ministério da Agricultura, da Secretaria Estadual da Agricultura, da prefeitura de Cruz das Almas e dos demais municípios onde a cultura está presente, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, do Fórum dos Secretários da Agricultura do Recôncavo, da Câmara Setorial do Charuto, e do Sinditabaco, que estão empenhados no processo de abertura de mercado para o charuto fabricado na região, reconhecido internacionalmente como o melhor do mundo, ao lado do cubano. Um dos mercados que está sendo conquistado é o da China, de onde o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, divulgou uma boa notícia: “A China já efetivou um pedido  de US$ 8 milhões para diversas empresas produtoras de fumo de charuto na Bahia, e tão logo seja liberada a exportação essas empresas poderão cumprir esse contrato e depois exportar o próprio charuto”.

Em missão de trabalho na China, em companhia do secretário e diretor de Defesa Agropecuária, respectivamente Francisco Jardim e Cosam Coutinho, e outros dirigentes do Ministério da Agricultura, e do gestor da Apex na China, Cesar Yu, o secretário Eduardo Salles entregou ao vice-ministro da Agricultura da China, Wei Chuanzhong, os documentos comprobatórios de que a Bahia é Estado livre do Mofo Azul, doença que afeta o fumo e que se existisse no Estado impediria a exportação de fumo e de charutos. “Na reunião que tivemos com o vice-ministro e cinco diretores do seu staff agendamos uma visita das autoridades chinesas à Bahia, no mês de abril, época em que todas as fases da cultura podem ser vistas, para que eles possam para comprovar que Bahia é livre do Mofo Azul e a partir daí possamos exportar os charutos e revitalizar o recôncavo”, disse Salles.

O secretário destacou que a Câmara Setorial do Charuto colocou que o problema mais importante enfrentado pela cultura do fumo era a questão de mercado, pontuando que entrar no mercado chinês seria a solução para a reativação da cultura do fumo na região do recôncavo, para dar segurança aos atuais 12 mil empregos e gerar novos postos de trabalho. “Milhares de pessoas foram desempregadas com o fechamento de inúmeras fábricas. Nosso objetivo como Estado é a recuperação econômica e social do recôncavo, que vive da cultura do fumo. São 12 mil pequenos produtores e milhares de empregos”, explicou o secretário.

Setor emprega mão de obra feminina 

A cultura do fumo é de extrema importância econômica para o recôncavo. Envolve 12 mil trabalhadores, a maioria do sexo feminino, e pertencentes à agricultura familiar. No auge da produção de charutos, entre as décadas de 60 e 80, a fábrica da Suerdieck chegava a produzir, sozinha, 100 milhões de charutos por ano, metade da produção baiana à época, que era de 200 milhões. “Atualmente, as oito fábricas que sobreviveram conseguem, juntas, produzir apenas 10 milhões de unidades por ano”, salienta Ricardo Becker, presidente do Sindicato das Indústrias do Tabaco, Sinditabaco.

O prefeito de Cruz das Almas, Orlando Peixoto, lembra que muitas mulheres perderam o ganha-pão quando as fábricas fecharam. “Exportávamos para o mundo inteiro”, recorda-se. A idéia agora é abrir o mercado da China para o fumo baiano. “A exportação para a China será favorável para a nossa economia. Uma nova realidade está sendo desenhada”.

A Bahia hoje exporta 97% de sua produção de folhas de fumo, principalmente para países da Europa, como Holanda e Alemanha. No ano passado, de acordo com o IBGE, o Estado produziu 6.147 toneladas de folhas de fumo, em uma área de 5.879 hectares, ocupando a 5ª posição no ranking do país – atrás de Alagoas, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A Bahia possui o 2º maior parque fontícula do País e o 1º do Nordeste. Os principais municípios envolvidos com a produção de fumo são Cabaceiras do Paraguaçu, com 1.270 toneladas, Governador Mangabeira, com 1.160 toneladas, Muritiba, com 400 toneladas, Livramento de Nossa Senhora, com 200 toneladas, e Cruz das Almas, com 167 toneladas.

O tabaco é a mais importante cultura agrícola não-alimentícia do planeta, e contribui substancialmente para as economias de mais de 150 países. O Brasil, além de ser o segundo maior produtor de tabaco do mundo é o líder na exportação mundial do produto há 15 anos. Em média, 85% do fumo produzido no Brasil são destinados à exportação.

Bahia é Estado livre do Mofo Azul 

A Bahia é primeira unidade da federação a ser caracterizada como livre do Mofo Azul, praga que afeta a cultura do fumo. A Secretaria da Agricultura Seagri, através da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia, Adab, desenvolveu, durante todo o ano passado, um intenso trabalho em campo com a delimitação de procedimentos para caracterizá-lo como área livre da praga em mais de 20 municípios produtores, totalizando 1.736 hectares plantados.

Atendendo às exigências do Ministério da Agricultura (Mapa), foram coletadas amostras em 10% das 2.326 propriedades produtoras de tabaco, e o material foi enviado a laboratórios no Rio Grande do Sul. Com o resultado negativo para a presença do fungo Peronospora Tabacina, a Adab encaminhou a proposta de caracterização de área livre do Mofo Azul ao Mapa, que emitiu parecer favorável.

“Diante de mercados cada vez mais exigentes quanto a padrões sanitários, a Adab tem uma responsabilidade ainda maior em garantir a sanidade dos produtos baianos, notadamente os oriundos da agricultura familiar”, destaca o diretor de defesa vegetal da Adab, Armando Sá. “E compete à Adab creditar a segurança fitossanitária, através da caracterização de área livre do Mofo Azul, colocando o tabaco baiano em condições de competitividade fora do país”.

Câmara Setorial do Charuto é criada para fortalecer o segmento 

Constituída em 29 de setembro do ano passado, durante evento na Embrapa Mandioca e Fruticultura, no município de Cruz das Almas, a Câmera Setorial do Charuto é uma reivindicação do Fórum dos Secretários da Agricultura do Recôncavo e do prefeito de Cruz das Almas, Orlando Peixoto. A câmara reúne todos os elos da cadeia produtiva do tabaco, desde os produtores aos empresários.

Com a constituição da Câmara, o segmento do tabaco e do fumo da Bahia deu um importante passo para o seu desenvolvimento. A Câmara nasceu com a proposta de elevar a qualidade do charuto baiano e conquistar outros mercados.

“A nova câmara setorial colocou frente a frente todos os elos da cadeia produtiva do tabaco e do fumo, tanto do setor público como privado, especialmente do recôncavo baiano, uma das principais regiões produtoras do Brasil”, destaca o secretário da Agricultura Eduardo Salles. A proposta da câmara é que a produção local seja acelerada, garantindo a oferta de emprego na região, e exportada para um número maior de países, sobretudo do continente asiático.

A câmara já realizou a I Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Charuto, também na Embrapa Mandioca e Fruticultura, com a presença de vários representantes da cadeia produtiva do charuto.

Neste encontro, a presidente da Bahiatursa, Emília Santos, destacou a importância da certificação e apresentou o projeto Rota do Charuto, uma ação de agroturismo destinada a atrair visitantes para a região do recôncavo, tendo como destaque a produção dos charutos de qualidade internacional.

Além disso, o recôncavo baiano já conseguiu a Indicação Geográfica, (IG), para o charuto, como zona top para a produção de charutos, assim como acontece nas regiões produtoras de bons vinhos.

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Sobre Carlos Augusto 9606 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).