12% dos deputados que tomam posse são estreantes na política e religiosos e representantes de movimentos sociais reúnem 21,3% dos novatos

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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No próximo dia 1º de fevereiro de 2011, 513 deputados federais tomarão posse na Câmara. Desse grupo, a maioria foi reeleita (288 dos eleitos já eram deputados na data da eleição) ou já teve alguma experiência em cargos eletivos no Executivo ou no Legislativo. Mas 61 deles, ou 11,9% do total, nunca exerceram qualquer cargo eletivo. Proporcionalmente à quantidade de vagas, é na região Centro-Oeste em que está a maioria dos novatos (17,1%). Já no Sul, apenas 6,5% nunca foram eleitos antes. Essa turma, contudo, não é tão iniciante assim.

Cerca de dois terços deles (40) já tiveram contato direto com a política – são parentes de políticos, já exerceram cargos públicos não eletivos no Executivo ou acumulam essas duas experiências. Quase um terço (19) é de empresários; os religiosos reúnem 11,5% (7) dos novatos ;e os representantes de movimentos sociais, como de organizações não-governamentais, somam 9,8% (6) do total. A soma das categorias ultrapassa os 61 novatos porque alguns deles fazem parte de mais de um grupo.

Parentes na política

Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) nunca havia se candidatado e, na primeira tentativa, recebeu mais de 220 mil votos. Ele é irmão de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), eleito deputado federal por cinco vezes consecutivas e nomeado ministro no último governo. Segundo Lúcio, o sobrenome foi fundamental para o resultado: “A população já conhece o perfil de atuação da nossa família”. O deputado eleito também garante que o histórico político familiar vai facilitar o exercício do mandato. “Eu já inicio o mandato com amizades no Congresso e conhecimentos sobre o funcionamento da Câmara. Dessa forma, ganho tempo, já que não preciso passar por um período de aprendizagem sobre a burocracia da Casa”, espera.

O exercício de cargos não eletivos também garantiu a boa parte dos novatos contato anterior com a política. É o caso de Zé Silva (PDT-MG), funcionário de carreira da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater – vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do estado) e presidente da entidade entre 2003 e 2010. A chefia da empresa pública, segundo Zé Silva, garantiu duas vantagens: capacidade de gestão e notoriedade. A primeira serviu para criar estratégias de campanha, já a segunda assegurou boa parte dos mais de 110 mil votos conquistados logo na primeira candidatura.

Deputados empresários

Segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), cerca de 48% dos 513 deputados eleitos no ano passado são empresários. Um exemplo é Nelson Padovani (PSC-PR), que atua nos setores imobiliário e agrícola e foi eleito deputado após a segunda tentativa. Para ele, a falta de experiência no setor público é compensada pela prática empresarial. “Estar à frente de projetos que se consolidaram e cresceram nos últimos anos propiciou o aprendizado sobre as transições econômicas pelas quais já passamos, sobre os modelos governamentais e, principalmente, sobre as realidades das diferentes classes sociais”, argumenta.

O alto número de deputados empresários, segundo publicação do Diap intitulada “Radiografia do novo Congresso 2011-2015”, é resultado do fato de que “os agentes econômicos preferiram disputar a eleição para o Legislativo, cuja pauta vai incluir matérias trabalhistas e a reforma tributária, em lugar de enviar meros representantes”.

Religiosos e representantes de movimentos sociais reúnem 21,3% dos novatos

Outras duas categorias destacam-se entre os 61 novos deputados que nunca exerceram qualquer cargo eletivo: os religiosos e os representantes de movimentos sociais, como as organizações não-governamentais. As proporções são quase iguais: os primeiros reúnem 11,5% dos novatos e os últimos, 9,8% do total.

É os caso do pastor evangélico Ronaldo Fonseca (PR-DF) e da fundadora do Instituto Ives Ota, Keiko Ota (PSB-SP), ambos eleitos em 2010 logo na primeira tentativa. Em comum entre os deputados eleitos está a defesa de causas específicas durante a campanha, o que, segundo eles, contribuiu para o resultado nas urnas.

“A minha campanha foi toda feita em cima de valores da família, da ética e da moralidade. Creio que houve uma boa identificação da sociedade com o meu discurso”, suspeita Ronaldo Fonseca. O pastor explicou que, durante o mandato, deverá trabalhar em favor de causas defendidas pela maior parte do segmento evangélico, como: proibição da união civil entre pessoas do mesmo sexo, ilegalidade do aborto e vedação do uso da maconha.

Já Keiko Ota, mãe de Ives Ota, assassinado em 1997 aos oito anos de idade, afirma que se candidatou com o principal objetivo de aprovar mudanças no Código Penal (Decreto-lei 2.848/40) para aumentar as penas aplicadas nos casos de condenação por crimes hediondos. Segundo ela, os responsáveis pelo assassinato de seu filho cumpriram apenas seis anos de prisão em regime fechado. A experiência pessoal, associada à defesa de uma causa específica, segundo ela, foram fundamentais para sua eleição.“Esse tema sensibiliza as pessoas devido aos vários casos de violência que vêm assolando a nossa sociedade”, afirma Keiko.

Conheça a nova composição da Câmara dos Deputados

Nova Câmara, que terá 46% de renovação, toma posse na terça-feira pela manhã. 12% dos deputados são estreantes na política. As profissões mais recorrentes entre os deputados estão nas áreas do Direito, Saúde e Educação. Confira os dados globais e por estado.

Veja abaixo as estatísticas e os eleitos por bancada estadual

Acre

Alagoas

Amapá

Amazonas

Bahia

Ceará

Distrito Federal

Espírito Santo

Goiás

Maranhão

Mato Grosso

Mato Grosso do Sul

Minas Gerais

Pará

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Paraná

Pernambuco

Piauí

Rio de Janeiro

Rio Grande do Norte

Rio Grande do Sul

Rondônia

Roraima

Santa Catarina

São Paulo

Sergipe

Tocantins

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