Realeza abundante | Por Diego Almeida

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Que tendências têm os brasileiros para reis e rainhas. Ao contrário do que muitos pensem não refiro-me ao período monárquico, pelo qual o Brasil passou, ou a famílias nobres com descendência real, mas a uma configuração de personagens na cultura brasileira que alcançaram o título de rei. Em especial, nos últimos dias do ano de 2010, o telespectador brasileiro visualizou vários desses indivíduos que alçaram a ascendência real.

Para começar no dia 22 de dezembro o Rei Pelé tornou-se hexacampeão brasileiro de uma única vez, após a confirmação da Confederação Brasileira de Futebol de que as conquistas da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, disputados de 1959 a 1970, serem reconhecidos como títulos brasileiros. Na sequência tem-se os programas especiais de fim de ano da Rede Globo. No dia 24 de dezembro ocorreu o especial da Rainha dos Baixinhos e no dia seguinte, na Praia de Copacabana, foi a vez do Rei Roberto Carlos.
Ao pensar nos referidos títulos questiono-me: com que mérito, objetivo, foi concedido tal rótulo? E que contribuição haverá ao social tais honrarias? O mérito, elencado acima, seria a justificativa mais convincente e cômoda – “Ele é o melhor”-, mas quantos melhores não existem em nossa sociedade, dispersos em grandes e pequenos centros urbanos?
Dessa forma, o merecimento que foi dado a alguns torna-se ínfimo, deixando visível, a uma parcela populacional, que o objetivo não é de reconhecer as qualidades do indivíduo, mas tornar por meio de uma exarcebação midiática esses atrativos pessoais em capital, poder econômico movimentando, assim, a relação mútua entre reis e o poder.
Modo esse de convívio que, somente, impõem à sociedade padrões a serem seguidos, cultuados e idealizados, pois estes, jamais, serão alcançados pelo público alvo. As grandes corporações informativas – Globo, Veja -, não permitem a ascenção honorífica. Entretanto, admitem a alienação de indivíduos membros de uma cultura que necessita de reis, rainhas, imperadores e, até mesmo, fenômenos para alimentar sua vaidade.
Quanto vale um registro de rei numa sociedade que se diz democrata? Talvez, não exista um montante para se adquirir status de rei, mas admitir tais fatos como acaso é pior que idolatrar os famigerados da mídia.
“Existem apenas duas maneiras de ver o mundo: uma é não acreditar em milagres, a outra é achar que tudo é um milagre”, afirmou Einsten, demonstrando a sociedade, de modo geral, que é possível o caminho da desmistificação, do verossímil e, ele está muito próximo de ser conquistado: está em cada um de nós, está em nossas ações.
Adiante! Avante! Que essas sejam as palavras de princípio as ações democráticas, pois uma população com um legado histórico-cultural tão rico e exuberante quanto a nossa não precisa de falsos reis e rainhas.
*Por Diego Almeida

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