Pujança da A. Latina e crise em Espanha e Portugal desenham cenário inédita

Buenos Aires, 1 dez (EFE).- A XX Cúpula Ibero-Americana acontecerá em um contexto econômico sem precedentes, com uma pujante América Latina que observa surpreendida os esforços de Espanha e Portugal para sair da grave crise que enfrentam.

Segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional, os países latino-americanos fecharão 2010 com uma alta no PIB de 5,7%, para seguir crescendo em 2011 ao ritmo de 4%.

Por contra, as duas economias europeias, limitadas pelos desequilíbrios fiscais e de competitividade, apresentam perspectivas menos otimistas: a espanhola diminuirá 0,3% neste ano e crescerá apenas 0,7% no próximo, enquanto a portuguesa avançará 1,1% em 2010 e se estagnará em 2011.

Esta será a primeira cúpula ibero-americana na qual a maior economia participante é americana, e não ibérica, já que o Brasil escalou até o oitavo posto entre as economias mundiais, desbancado a Espanha.

“A América Latina está em um ciclo expansivo e sustentável porque houve uma mudança de paradigma; agora seus indicadores macroeconômicos são muito bons, com altos níveis de reservas monetárias”, disse à Agência Efe o economista Pablo Tigani.

Um panorama que contrasta com o de Espanha e Portugal, onde o nível de endividamento é muito alto. Trata-se de uma situação complicada, segundo o especialista, já que “se a despesa cai, como lhes é pedido ao invés de dinamizar os gastos, vão contraí-la ainda mais, sem obter crescimento”.

Há outros fatores que denotam as vias inversas que percorrem as economias de ambos os lados do Atlântico: enquanto na península ibérica cada vez há maiores taxas para endividamento e aumento do desemprego (20,8% na Espanha), na América Latina descem os riscos creditícios, sobem os fluxos de investimento, cai a taxa de desemprego (7,8%) e crescem as exportações.

“Na Europa acredita-se que a próxima geração vai ter menos oportunidades que a de seus pais”, enquanto que a América Latina é vista como uma região com “oportunidades de futuro”, afirmou recentemente o ex-presidente do governo espanhol Felipe González, em um fórum econômico em Buenos Aires.

Ainda em risco de ser palco de novas “bolhas”, a América Latina se transformou no “vizindário da moda” entre os investidores, “não só os especulativos, mas os produtivos, porque esta é uma região onde há muito o que fazer, tanto em infraestrutura como na indústria”, afirmou Tigani.

“Enquanto isso os capitais estão fugindo dos países desenvolvidos”, acrescentou.

Segundo a empresa de consultoria Ecolatina, após várias décadas de turbulências, a América Latina obteve uma “inédita resistência aos choques externos” graças à independência dos fluxos de capitais e a uma acumulação de reservas pela via de excedentes comerciais e regimes de taxa de câmbio flexíveis.

A Cepal destacou em seu último relatório a “solidez macroeconômica” mostrada pela maioria dos países da região nos anos prévios à crise global de 2008, o que lhes permitiu “sanear suas contas públicas, reduzir e melhorar o perfil de seu endividamento e aumentar suas reservas internacionais”.

“No futuro, a América Latina será um polo de atração mundial. Se houver políticas econômicas adequadas, será aberta uma nova oportunidade para aprofundar a convergência com as economias desenvolvidas”, diz a Ecolatina.

Quem compartilha desta opinião é o homem mais rico do mundo (segundo a revista Forbes), Carlos Slim. O dono da Telmex e da América Móvil calcula que, se a América Latina conseguir crescer ao ritmo de 5% por ano, em 15 anos terá duplicado sua receita per capita, o que permitirá a muitos países passar ao pelotão dos “desenvolvidos”, começando pelo Chile e seguindo por Argentina, Colômbia, Brasil e México.

Essa taxa de expansão não só é possível, mas é a “mínima” que pode haver, dado que a demanda de bens primários da América Latina será constante no futuro, na opinião do magnata mexicano.

*Com informações do Deutsche Welle

 

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