PIB Municipal revela maior dinâmica dos municípios agroindustriais em 2008

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Os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios baianos para o ano de 2008 revelam modificações na dinâmica estadual, diferente de outros anos analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento do Estado (Seplan), em que o setor de serviços representava a principal motivação econômica para o desempenho municipal, face à grande representatividade dessa atividade no PIB do estado (aproximadamente 63%, em 2008).

Em comparação com 2007, os municípios que mais apresentaram modificações nominais no valor do PIB, em 2008, destacaram-se nas produções agrícolas e na indústria extrativa, com especial referência aos produtores de petróleo e gás natural, níquel, ouro e cobre.

Os principais destaques do PIB municipal da Bahia no panorama nacional foram Salvador, no ranking das capitais, que ficou no 8º lugar do PIB, São Desidério, com a 2ª posição, no valor agregado da agropecuária, seguido de Barreiras (13º), Luís Eduardo Magalhães (25º) e Formosa do Rio Preto (27º). Camaçari, no âmbito da indústria, ocupa a 12ª posição, e nos serviços, a capital se apresenta também na 8ª posição.

“Os municípios que mais modificaram a sua dinâmica local, tomando como base a evolução do valor nominal de seus PIBs, estão fora da Região Metropolitana de Salvador, o que revela que a dinâmica municipal começa aos poucos a ser modificada, possibilitando o aparecimento de novos centros econômicos locais, que podem potencializar a realização de novos negócios econômicos”, avaliou o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis, na coletiva de imprensa realizada, nesta sexta-feira (10/12/2010), pelo órgão.

“Entre esses municípios, o principal destaque, pelo segundo ano consecutivo, é o município de Cairu, passando da 203ª posição (2006) para a 23ª (2008) no ranking”, disse Reis. No caso específico de Cairu, situado na Costa do Dendê, ao sul do estado, a sua expansão, em 2008, ocorreu em função do grande aumento na extração de gás natural (cerca de 12%, segundo os dados da Agência Nacional do Petróleo – ANP).

Culturas irrigadas são novas alternativas

Outros municípios com maiores variações no valor nominal foram Formosa do Rio Preto, devido às safras de soja e algodão, e Cafarnaum, com lavouras de tomate, cebola e mamona, sendo que, Cafarnaum, América Dourada e Mulungu do Morro, localizados na Chapada Diamantina, apresentaram destaque na lavoura temporária, principalmente tomate e cebola. Para exemplificar, o valor de produção do tomate no município de América Dourada passou de R$ 2,9 milhões, em 2007, para R$ 22,4 milhões, em 2008, com crescimento na produção física passando de 2,7 mil toneladas para mais de 14 mil toneladas nesse mesmo período.

A região, que tem oferecido incentivos às orelícolas (cultura irrigada, principalmente tomate, cebola, cenoura, beterraba), tem atraído produtores que estão “fugindo” das culturas de sequeiro (depende das chuvas, feijão, milho, entre outros) e optando pelas culturas irrigadas.

Especificamente, o município de Cafarnaum também apresentou destaque na produção de mamona (incremento de 230% no volume da produção), que é uma tradicional cultura utilizada na produção de biodiesel. A Petrobrás implantou na região da Chapada alguns projetos de parcerias com cooperativas de produtores agrícolas e está custeando a cultura da mamona, incentivando o cultivo.

Na linha de análise de municípios que expandiram sua dinâmica interna atrelada ao desempenho da economia mineral, Itagibá merece especial destaque, em função da grande produção de níquel, terceira maior mina a céu aberta do mundo. Como consequência, outro município beneficiado com a elevação da economia mineral será Ipiaú, que faz fronteira com Itagibá e já está começando a ter sua infraestrutura urbana melhorada, com forte expansão na construção civil.

Outras culturas com relevância na agricultura baiana estão situadas no sul do estado, a exemplo do café e do cacau, as quais se destacaram no município de Itamaraju. No segmento de aves, o destaque é o município de Conceição da Feira, localizado próximo a Feira de Santana (polo avícola responsável por grande parte da produção baiana de frango), o qual vem contribuindo de forma significativa com a economia da região na atividade avicultura. No setor industrial o destaque é município de Igrapiúna, no baixo sul, onde a produção de borracha beneficia mais de mil famílias de pequenos proprietários. Esse crescimento deriva da implantação do Projeto Ouro Verde da Bahia.

Bioenergia

Também, no mesmo setor, o município de Ibirapuã, localizado no extremo sul da Bahia, foi beneficiado pelo programa estadual de bioenergia – devido a isso, consolida-se com a segunda usina de etanol do Polo Alcooleiro (Ibirálcool). Já o município de Barrocas teve aumento significativo nos Serviços Industriais de Utilidade Pública, mais especificamente no consumo de energia elétrica, resultado da expansão da indústria extrativa mineral.

Camaçari continua com maior PIB industrial da Bahia

Em 2008, um fenômeno foi decisivo para uma modificação na participação do PIB da Bahia no ranking brasileiro. Trata-se da perda de participação de Camaçari em aproximadamente 1%, que significou uma perda de participação da indústria de transformação no PIB e, mais do que isso, uma diminuição no PIB baiano em relação ao Brasil (de 4,1% em 2007 para 4% em 2008).

Enquanto São Francisco do Conde ganha 0,9%, Camaçari perde exatamente esse percentual em relação ao PIB baiano. A explicação é relativamente simples, diz o diretor-geral da SEI. Em 2008, os preços do petróleo no cenário internacional elevaram-se 38% e, dessa forma, o município onde está a refinaria apresentou uma grande expansão no valor da atividade. No entanto, nesse mesmo período, houve um excesso de produção petroquímica em todo o mundo e os estoques se acumularam em função da crise da economia mundial, principalmente sentidos no Brasil a partir de setembro, mas que já se manifestavam nos EUA e na Europa desde o final de 2007.

Estoques em alta e demanda baixa provocaram diminuições nas vendas de petroquímicos, que ainda enfrentavam um problema (o mesmo que foi bom para São Francisco do Conde foi ruim para Camaçari) com a elevação de sua matéria prima principal, o petróleo. Os preços do petróleo subiram muito, mas a indústria de transformação de Camaçari não podia repassar esse aumento de preço para o produto, pois com elevados estoques mundiais, aumento de preço significaria total expulsão dos petroquímicos baianos do cenário internacional.

O resultado não poderia ser diferente – queda na produção petroquímica de aproximadamente 5,2% e ainda no faturamento das empresas petroquímicas e, com isso, grande diminuição da indústria de transformação no PIB da Bahia (de 14% em 2007 para 13,1% em 2008). Por tabela, queda na participação do município de Camaçari. Mesmo assim, Camaçari continua sendo o maior PIB industrial da Bahia, com aproximadamente 20,4% da estrutura do setor industrial.

Ranking dos dez maiores municípios

Salvador (24,42%)
Camaçari (8,62%)
São Francisco do Conde (7,41%)
Feira de Santana (4,33%)
Candeias (2,61%)
Simões Filho (2,28%)
Vitória da Conquista (2,16%)
Lauro de Freitas (1,89%)
Paulo Afonso (1,63%)
Itabuna (1,60%)

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Redação do Jornal Grande Bahia
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