O grito dos pobres | Por José Carlos García Fajardo

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Todos conhecemos a história daquele jovem peixe, que depois de nadar durante jornadas extenuantes, perguntou a um peixe ancião: “Onde está o oceano? Não paro de ouvir falar dele, mas não sei onde está”. O ancião respondeu: “Está aqui, é o que nos rodeia e onde vivemos”. “Se é assim”, insistiu o jovem, “Por que não posso vê-lo?” “Porque está em todas as partes”, respondeu-lhe amavelmente. “Rodeia-lhe. Está em você e fora de você. Nascemos no mar e morreremos no mar. Mais do que isto, você é a vida do oceano. Quando você nada, revela sua presença. É porque está tão perto de você que lhe custa dar-se conta. Mas não se preocupe, está aqui”.
Este conto veio a minha memória ante a reflexão de um conhecido mestre espiritual que sustenta que todas as religiões da terra serviram aos pobres durante milhares de anos; mas a pobreza continua aumentando. E se pergunta “que classe de serviço é esse?” Argumenta que depois de milhares de anos, a pobreza teria que ter desaparecido, mas o que fazem as religiões é alimentá-la. Afirma que o verdadeiro serviço seria dizer aos pobres “Vocês estão sendo explorados e vocês têm que se rebelar contra os interesses criados”.
Os poderosos doam dinheiro para que sigam predicando a submissão e a esperança na outra vida, enquanto eles continuam explorando os pobres.
Denuncia que a pobreza é causada pelo sistema social, disfarçado na bela palavra “serviço”, que serve para ocultar uma estrutura social exploradora.
O mestre espiritual denuncia: “Se estivessem interessados em acabar com a pobreza, combateriam suas raízes. Vocês só tratam os sintomas. Como vai ajudar aos pobres dando-lhes roupa ou comida? O que fará será mantê-los na subsistência para que os poderosos possam seguir explorando-os.”
Lembro-me de um ateu que tinha escrito na parede “God is nowhere” (Deus não está em nenhum lugar). Quando seu filho começou a aprender a ler, tinha dificuldade com a longa palavra “nowhere”, e então leu “God is now here” (Deus está aqui agora). O pai lhe disse “Se não posso comprovar que Deus não está em nenhum lugar, o prudente será respeitar a voz do meu filho”.
O ateu e o teísta são crentes, mas o agnóstico só busca a verdade. Anunciada por um peixe ancião ou menino ante o escândalo de um mestre espiritual hindu.
*Por José Carlos García Fajardo.
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